As energias renováveis e a geração de eletricidade não estão a beneficiar de lucros extraordinários, na sequência da crise que afetou o mercado dos combustíveis, afirmou o presidente executivo da EDP esta quinta-feira. Questionado sobre a intenção do Governo português de aplicar uma taxa sobre os lucros caídos do céu, Miguel Stilwell de Andrade destacou que os preços da eletricidade no mercado grossista estão muito baixos, em particular na Península Ibérica.
Recordando que esta discussão é europeia e que já aconteceu em 2022 quando a invasão da Ucrânia pela Rússia fez disparar os preços da energia, o gestor considera que o tema tem mais a ver com os ganhos nos combustíveis fósseis. E acrescentou que não vê uma situação que gere lucros extraordinários, em particular no caso da EDP, para serem taxados por este novo imposto, mas aguarda por maior clareza sobre a medida.
As declarações do presidente executivo da EDP foram feitas numa conferência com analistas após a apresentação dos resultados do primeiro trimestre. Até março, o grupo EDP registou lucros de 378 milhões de euros, uma queda de 12% face aos primeiros três meses do ano. Para esta descida contribuíram os baixos preços da eletricidade registados no arranque do ano devido à forte chuva e tempestades que atingiram Portugal e Espanha.
https://observador.pt/2026/05/06/lucro-da-edp-cai-12-para-378-milhoes-de-euros-no-1-o-trimestre/
O ciclo de tempestades que provocou preços muito baixos em Portugal e Espanha teve um efeito contrário na prestação de serviços ao sistema elétrico, em particular por parte das centrais a gás natural que foram mobilizadas como backup. O CEO da EDP remete para circunstâncias muito específicas e temporárias que resultaram da destruição de linhas elétricas pela tempestade Kristin. Os custos acrescidos com a prestação desses serviços rondam os 50 milhões de euros e serão passados para os clientes. Miguel Stilwell de Andrade prevê que os encargos com os serviços de sistema baixem ao longo do ano.
O CEO da EDP sublinhou também a recuperação de quota de mercado no mercado retalhista em Portugal, o que aconteceu pela primeira vez em cinco anos. A procura por eletricidade está a crescer e não apenas no setor industrial e grandes consumidores, mas também ao nível residencial e a elétrica tem vindo apostado na oferta de outros serviços, para além de energia.
Não obstante a queda dos lucros nos primeiros três meses, a EDP teve um arranque operacional forte em 2026 e reviu em alta as previsões financeiras para este ano, esperando agora lucros recorrentes de 1,3 mil milhões de euros e uma margem bruta de 5,2 mil milhões de euros, o que traduz uma subida de 5% face às metas anteriores. Esta revisão tem como pressuposto uma recuperação do nível de preços da eletricidade no mercado ibérico que tem estado excecionalmente baixo.