O Millennium BCP aumentou em mais de 25% os lucros do primeiro trimestre, para 305,8 milhões de euros, graças a um aumento das comissões e dos juros cobrados numa carteira de crédito que cresceu mais 7%. Ainda assim, o presidente do banco diz que não se trata de “lucros excessivos” e defende que “foi um trimestre muito desafiante”, mais do que se previa no final do ano passado, porque o banco foi “surpreendido” com factos e acontecimentos que “criam uma perturbação da atividade” económica.
Os resultados foram apresentados pelo banco em comunicado difundido através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, também, numa conferência de imprensa na sede do banco no Tagus Park, em Oeiras. Os resultados significam, para os acionistas do BCP, uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 15,9%.
A atividade em Portugal produziu um resultado de 265,4 milhões de euros, mais 21,2% do que no período homólogo, indicou o banco. Já as atividades internacionais do BCP renderam mais 65%, 77,7 milhões de euros, uma evolução que está, em grande parte, relacionada com o facto de na Polónia terem sido assumidos menos encargos e imparidades relacionada com a carteira de crédito hipotecário em francos suíços.
Questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa de apresentação dos resultados, Miguel Maya afirmou que estes não são “lucros excessivos” à luz do capital empregue pelos acionistas e garante não ter qualquer informação sobre o imposto sobre a banca que foi anunciado pelo ministro das Finanças mas nunca concretizado.
Todos os lucros é resultado de trabalho efetuado pelos trabalhadores do banco. Não se pode é dizer, num dia, que temos uma União Bancária e, depois, criar regras diferentes para os bancos que operam nos diferentes países”, advertiu Miguel Maya.
Os lucros consolidados cresceram graças ao aumento de 2,4% na margem financeira, para 738,4 milhões de euros, e das comissões, rubrica onde foram cobrados 218 milhões de euros, mais 8,2% do que no período homólogo.
Este aumento das comissões é justificado pelo banqueiro com a “maior transacionalidade” e a “maior preferência por parte dos clientes”. As comissões aumentaram ainda mais, 8,5%, quando apenas se considera a operação em Portugal.
Nós temos mais clientes, temos mais operações de crédito, os clientes realizam mais transações, fizeram mais pagamentos e é um resultado de maior atividade e maior preferência dos clientes. O mercado é altamente competitivo”, garantiu Miguel Maya, na conferência de imprensa.
A contribuir para o aumento da margem financeira, a diferença entre os juros que o banco paga para se financiar (depósitos, BCE, etc) e aquilo que cobra nos créditos que concede, esteve um aumento do volume de crédito. O crédito a clientes, segundo o banco, aumentou 7,2% na comparação homóloga.
https://observador.pt/2026/05/06/bcp-critica-banco-de-portugal-por-considerar-de-risco-elevado-creditos-com-garantia-publica/
Já os custos operacionais aumentaram a um ritmo menor, 4,5%, para 355 milhões de euros.
O ActivoBank, cujos resultados consolidam na íntegra nas contas da operação doméstica do BCP, aumentaram 36% para 16,1 milhões de euros.