Foi dos melhores jogos de futebol dos últimos tempos, dos melhores de sempre na Liga dos Campeões, dos melhores de que há memória nas competições europeias. A primeira mão da meia-final entre PSG e Bayern Munique, no Parque dos Príncipes, trouxe nove golos e um festival de futebol ofensivo em que se tornou impossível decidir quem merecia ganhar. No fim, os franceses saíram em vantagem — mas tudo podia mudar no terreno dos alemães.
Esta quarta-feira, na segunda mão da meia-final e no Allianz Arena, PSG e Bayern Munique decidiam quem fazia companhia ao Arsenal na decisiva final do próximo dia 30 de maio, em Budapeste, no Puskás Arena. Depois do impressionante jogo da semana anterior, que trouxe os maiores elogios ao ataque das duas equipas e as maiores críticas à defesa das duas equipas, as dúvidas sobre a segunda metade da eliminatória eram óbvias: teríamos outro capítulo do duelo ou uma versão de bolso da rivalidade?
https://observador.pt/2026/04/28/obrigado-futebol-por-este-jogo-perdao-por-so-ter-90-minutos-psg-vence-bayern-num-duelo-de-loucos-com-nove-golos/
Para Luis Enrique, era preciso ir ao ténis buscar inspiração. “Quando vejo este tipo de jogos lembro-me de uma frase do Rafa Nadal, que disse que a dada altura durante a sua carreira a rivalidade com o Roger Federer e o Novak Djokovic foi uma motivação para ele. O que digo aos meus jogadores é que admiramos o Bayern, porque eles jogam um futebol muito bom, mas isso é uma motivação para encontrarmos o nosso melhor nível. O que posso dizer é que é mais fácil falar do que fazer. No ano passado mostrámos a nossa capacidade para lidar com momentos difíceis, amanhã vamos jogar para sermos mais competitivos do que nunca, porque precisamos de o ser”, explicou o treinador espanhol na antevisão.
Já Vincent Kompany acreditava numa espécie de reedição da primeira mão. “A missão é ganhar jogos. Temos ideias nas quais acreditamos e que nos ajudam a fazê-lo. Mostrámos que podemos ganhar muitos jogos e o PSG também já o demonstrou. No final, tens sempre de marcar pelo menos mais um golo do que o teu adversário para ganhar um jogo. Se conseguires fazê-lo sem sofrer… É a melhor coisa que pode acontecer. É difícil imaginar que qualquer uma das equipas mude o que as trouxe até aqui. Jogamos em casa, queremos ganhar e faremos tudo para isso”, vincou o técnico belga.
Ora, neste contexto e sem o lesionado Achraf Hakimi, Luis Enrique apostava em Kvaratskhelia e Doué no apoio a Dembélé, com Vitinha e João Neves no meio-campo e Nuno Mendes na esquerda da defesa, para além de Zaïre-Emery a render o marroquino do outro lado. Já Vincent Kompany, que já contava com o recuperado Raphael Guerreiro, deixava o português ainda no banco e lançava Michael Olise, Luis Díaz e Jamal Musiala nas costas de Harry Kane.
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Como não podia deixar de ser, o jogo começou praticamente com um golo: Kvaratskhelia acelerou na esquerda, cruzou atrasado na linha de fundo e Dembélé, completamente sozinho, atirou de primeira na área para abrir o marcador e dilatar a vantagem do PSG na eliminatória (3′). Sem um ascendente claro, os franceses pareciam ter as circunstâncias muito mais controladas do que na primeira mão e iam impedindo que o Bayern Munique chegasse com perigo à baliza de Matvey Safonov — ao ponto de até ter sido Kvaratskhelia, a dada altura, a ficar perto de marcar com um remate de fora de área que Manuel Neuer defendeu (21′).
Os alemães forçaram um pouco mais a partir desta altura, subindo as linhas e obrigando o PSG a preocupar-se muito mais com as tarefas defensivas do que com as pretensões ofensivas, e tanto Luis Díaz como Michael Olise tiveram boas ocasiões para empatar com dois remates desenquadrados (22′ e 27′), para além de um pontapé perigosíssimo de Musiala que Safonov travou (44′). Do outro lado, porém, bastava uma simples aceleração para causar o pânico, algo comprovado com um cabeceamento de João Neves na área que obrigou Neuer a aplicar-se (33′). Ao intervalo, o PSG estava a vencer o Bayern Munique e com uma vantagem ainda mais simpática na eliminatória.
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Nenhum dos treinadores fez substituições no início da segunda parte e a lógica do jogo mantinha-se algo semelhante — o Bayern Munique até tinha mais bola e passava mais tempo no meio-campo contrário, mas as melhores oportunidades pertenciam ao PSG. Doué motivou uma defesa atenta de Neuer com um remate forte na área (56′), Kvaratskhelia também obrigou o guarda-redes a intervenção importante com o pé (57′) e o alemão também parou uma nova tentativa de Doué (64′).
Luis Enrique foi o primeiro a mexer, trocando um esgotado Dembélé por Bradley Barcola, e Vincent Kompany respondeu com Alphonso Davies e Kim Min-jae — numa dupla alteração que ficou justificada em segundos, quando o lateral canadiano acelerou na esquerda e assistiu Luis Díaz, que atirou para Safonov defender (69′). Olise prolongou o momento mais assertivo dos alemães com um remate rasteiro que o guarda-redes russo também parou (70′), mas Doué continuava a aproveitar a desorganização defensiva dos bávaros para navegar no caos e somar oportunidades, rematando à malha lateral (72′).
Lucas Beraldo, Lucas Hernández e Senny Mayulu entraram para o último quarto de hora, Nicolas Jackson e Lennart Karl foram as soluções do outro lado e Harry Kane ainda empatou nos descontos (90+4′), mas a eliminatória já não virou. O PSG empatou com o Bayern Munique e vai disputar a final da Liga dos Campeões com o Arsenal, carimbando a segunda presença consecutiva no jogo decisivo da principal competição europeia. E Dembélé, com a terceira partida seguida a marcar na Champions, mostrou que é o Rafa Nadal de Luis Enrique que continua a ser um verdadeiro ás.
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