Quase duas semanas depois de ter sido condenado pelo Comité de Controlo, Ética e Disciplina (CEDB) da UEFA, Gianluca Prestianni sabe agora que o seu castigo de seis jogos por comportamento homofóbico passou as fronteiras europeias e estende-se às provas que estão sob a égide da FIFA. Nesse sentido, o argentino de 20 anos do Benfica poderá cumprir parte do seu castigo ao serviço da seleção da Argentina, no Campeonato do Mundo deste ano. De recordar que Prestianni foi suspenso pela UEFA por ter proferido um comentário ofensivo contra Vinicius Júnior no jogo da Luz frente ao Real Madrid a contar para o playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
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“A Comissão de Disciplina da FIFA decidiu alargar a suspensão de seis jogos imposta pela UEFA ao jogador do Benfica, Gianluca Prestianni, para que tenha efeito a nível mundial. A sanção foi alargada em conformidade com o artigo 70.º do Código Disciplinar da FIFA”, explicou à Reuters um porta-voz do organismo com sede em Zurique, na Suíça. De recordar que, dois seis jogos de castigo, um foi cumprido, na altura de forma preventiva, na segunda mão da mesma eliminatória, no Bernabéu.
Para além disso, a UEFA decidiu aplicar uma pena suspensa de dois anos a três jogos, o que significa que o avançado vai falhar os dois primeiros jogos da Argentina no Mundial, ante Argélia e Áustria, caso seja convocado por Lionel Scaloni. Frente à Jordânia, no encerramento do Grupo J da competição, Prestianni já poderia ser utilizado. Ainda assim, o atleta dos encarnados só tem uma internacionalização pela seleção campeã do mundo, cumprida em novembro contra Angola, pelo que não é certa a sua convocatória.
Caso não esteja presente na prova que vai começar em junho e decorrer nos EUA, Canadá e México, Gianluca Prestianni terá de cumprir o castigo nas provas da UEFA, algo que, ao que tudo indica, acontecerá ao serviço do Benfica. Caso as águias tenham de passar pela terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o argentino não poderá ser utilizado nessa fase. Por outro lado, se os encarnados entrarem diretamente na fase de liga – da Champions ou da Liga Europa –, Prestianni não poderá ser utilizado nos dois primeiros jogos. Depois do Mundial, o jogador só poderá cumprir o castigo na seleção na Finalíssima frente à Espanha, que por esta altura continua com a sua realização incerta, dado que a Argentina não vai participar na próxima fase de qualificação da América do Sul por já estar qualificada para o Mundial-2030 como co-organizadora – na Copa América não há qualificação.
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Ao mesmo tempo que a UEFA e a FIFA tomam a sua posição final em relação ao caso Prestianni, o incidente está por esta altura “fase instrutória” na justiça portuguesa, confirmou a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) esta terça-feira. Segundo o organismo tutelado pelo Governo, o processo decorre de forma “independente” em relação às decisões de UEFA e FIFA, seguindo “em função da prova recolhida sob o Regime Geral das Contraordenações e subsidiariamente pelo Código Penal”, cita a agência Lusa. O processo de contraordenação foi instaurado em fevereiro, logo após o sucedido, e procura apurar os factos ocorridos entre o argentino e Vini Jr..
O episódio que envolveu Prestianni e Vinícius Jr. remonta ao passado dia 17 de fevereiro, quando o árbitro François Letexier interrompeu o Benfica-Real Madrid durante dez minutos, fazendo o gesto contra o racismo, depois de uma troca de palavras entre o argentino e o brasileiro, que tinha colocado os merengues em vantagem instantes antes. No seguimento do caso, os dois jogadores apresentaram versões contraditórias do que realmente se passou, com Vinicius a alegar ter sido vítima de insultos racistas e Prestianni a defender-se com insultos homofóbicos (terá dito “maricón” ao invés de “mono”), o que levou a UEFA a nomear um Inspetor de Ética e Disciplina para analisar toda a situação.
https://observador.pt/2026/02/18/versoes-contraditorias-acusacoes-imagens-das-bancadas-e-a-nomeacao-de-um-inspetor-o-que-se-sabe-e-falta-saber-do-caso-vini-prestianni/
Na sequência do mesmo jogo, o Benfica procedeu à identificação e à suspensão de cinco sócios que foram captados em vídeos publicados nas redes sociais a imitar macacos, num ataque racista a Vinícius Jr.. Esses adeptos viram os seus Red Pass suspensos e podem vir a ser expulsos de sócios.
https://observador.pt/2026/02/27/benfica-suspende-cinco-socios-acusados-de-racismo-e-pode-vir-a-expulsa-los/