Num Mundo de enorme evolução, aonde a inteligência artificial nos obriga a uma adaptação cada vez mais rápida às novas realidades da sociedade e das suas componentes, entre elas a economia, os sindicatos portugueses continuam agarrados aos comportamentos do século XIX, sem compreenderem qual é o seu verdadeiro papel e qual é a ambição que os trabalhadores têm para o movimento sindical, do qual se alheiam cada vez mais.
Há cerca de seis anos tive a oportunidade de escrever um artigo com o título “The Courage to Change” e foi escrito em conjunto com Esther Lynch, secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC), e publicado na revista Social Europe, aonde ambos reconhecíamos a necessidade de transformar a relação laboral num espírito de colaboração e fugir do clima de antagonismo que tinha sido o passado sindical.
Este artigo surgiu do reconhecimento de que, de parte a parte, na Europa, tanto as empresas como os sindicatos já estavam claramente nesse caminho e reforçado pela experiência de cooperação verificada durante a pandemia, que foi reconhecida como um dos factores essenciais para que não tivesse havido um caos total na sobrevivência dos mais desfavorecidos.
A sindicalização tem vindo a descer em toda a Europa, em resultado não só deste sentimento de falta de adaptação das posturas sindicais face à realidade da nova vida económica, mas também pela fraca capacidade de encontrar soluções reais para situações individuais por parte das estruturas sindicais e ainda pela forte promoção que as novas tecnologias têm trazido à promoção do trabalho autónomo, seja nas profissões liberais seja na auto-criação de emprego.
Contudo aquilo que é a realidade na Europa, destoa totalmente da realidade portuguesa e os números que estão na ordem dos 18% na Alemanha, atingem em Portugal um valor que estará a descer dos 7%.
O nosso país continua na senda do retrato de Eça de Queiroz, atrasado em relação a todas as novas ideias que se desenvolvem pelo mundo e continuamos com um orgulho muito nacional a estar sós.
Temos um ditado que nos engrandece por essa solidão e que nos acalenta a confiança de que mais vale só do que mal-acompanhado.
O problema é que, neste caso, o estarmos sós transforma-nos na má companhia que ninguém quer, nem os trabalhadores e muito menos os investidores.
A força da mudança, que todos afirmam ser a grande força do desenvolvimento, incluindo esses arautos da batalha sindical que nada querem mudar para que continuemos pobres, não será nunca travada por estes velhos do Restelo que, em vez de se candidatarem a liderar a mudança e transformá-la verdadeiramente na solução de melhor vida para os trabalhadores, se transformam na âncora que inibe o desenvolvimento dos seus pouquíssimos associados.
Mas é pior.
Ainda não se deram conta de que, quer queiram quer não, o Mundo não vai deixar de avançar e que, o que não for possível fazer em Portugal, será feito lá fora e que isso afectará principalmente aqueles que dependem desse trabalho para sobreviver.
Pena é que, para além destes sindicatos, incapazes de compreender que é na evolução que está a sua solução e a sua mais-valia e que é na promoção da riqueza que se encontra a solução de melhoria de vida dos seus associados, haja uma classe política que, preocupada exclusivamente com a sua promoção individual, siga esse mesmo caminho.
Um caminho que os levará ao mesmo resultado de perda de influência a prazo mas que no imediato apenas prejudique as empresas e os seus trabalhadores e a economia nacional.