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(A) :: Cair a ser grande contra gigantes: Sporting perde na Dinamarca com Aalborg e fica fora da Final Four da Champions... por um golo

Cair a ser grande contra gigantes: Sporting perde na Dinamarca com Aalborg e fica fora da Final Four da Champions... por um golo

Depois de uma primeira parte equilibrada e com várias vantagens de dois golos, Aalborg foi melhor no segundo tempo, conseguiu manter-se sempre na frente e fechou com um triunfo mínimo por 37-36.

Bruno Roseiro
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Mais uma vez, a história estava apenas a 60 minutos. Se na última temporada o Sporting entrava na segunda mão dos quartos da Liga dos Campeões com o atraso de apenas um golo frente ao Nantes mas com vantagem de jogar no Pavilhão João Rocha, agora tinha pela frente uma deslocação à Sparekassen Danmark Arena, também conhecida como Gigantium, partindo do “zero” depois do empate a 31 no primeiro encontro em Lisboa na semana passada. O que era também diferente? O poderio do Aalborg e de uma primeira linha que podia fazer parte de uma qualquer Equipa Ideal de Mundiais ou Europeus, a experiência de um Sporting que estava pelo segundo ano consecutivo entre as melhores formações do Velho Continente. E era nestes dois pontos que iria assentar grande parte da decisão da eliminatória onde apenas um poderia chegar à Final Four da Liga dos Campeões de andebol, marcada para a imponente Lanxess Arena na cidade alemã de Colónia.

https://observador.pt/2026/04/29/andre-segurou-o-golias-numa-pagina-que-chegou-a-ser-de-sonho-sporting-empata-com-aalborg-e-ainda-sonha-com-final-four-da-champions/

No caso dos dinamarqueses, um triunfo valia a terceira presença entre os quatro melhores da Europa nos últimos seis anos, depois das finais perdidas em 2021 (36-23) e em 2024 (31-30) frente ao Barcelona. Do lado dos leões, era o passo de consagração que faltava para o período mais dourado de sempre da modalidade no clube que surgia também numa fase de afirmação de uma nova geração liderada pelos irmãos Martim e Kiko Costa na Seleção que conseguiu os melhores resultados em Mundiais (quarto lugar) e em Europeus (quinta posição). Mais: surgia num contexto de festa, depois da conquista do tricampeonato nacional no Pavilhão João Rocha naquele que foi o nono título nacional consecutivo e numa temporada que pode terminar como a terceira seguida a ganhar todos os troféus do calendário português. Só faltava mesmo aquele último passo no plano internacional, mesmo sendo uma realidade sem comparação em termos orçamentais.

https://observador.pt/2026/05/02/a-era-de-ouro-ganhou-outra-pagina-historica-sporting-vence-fc-porto-sagra-se-tricampeao-e-soma-nono-titulo-nacional-seguido/

“O jogo fora é sempre diferente mas jogámos realmente bem em Płock [no playoff], por exemplo. O empate na primeira mão dá-nos o alento de que podemos estar a 60 minutos de Colónia. Sabemos das dificuldades mas acreditamos a 100% nisso. Estivemos ao nível exigido [em casa] e lá temos de ser a mesma equipa. Ir a uma Final Four da Liga dos Campeões é um feito extremamente difícil mas já sonhámos muito, acho que é hora de tornarmos os nossos sonhos realidade. É complicado mas chegar aqui, nestas condições, e acalentar esse sonho é extraordinário. Não nos contentamos só com isso, queremos ir a Colónia. É o sonho de uma vida e o grupo está disposto a lutar com tudo”, destacava o técnico Ricardo Costa na antevisão do jogo.

https://twitter.com/ehfcl/status/2051586289468604915

Ponto fundamental? A entrada no jogo. Na fase de grupos, o Sporting perdeu na Dinamarca por 35-30 após ter deixado a desvantagem resvalar para os seis golos até ao intervalo (18-12) e ganhou depois no Pavilhão João Rocha a recuperar de forma épica um atraso de seis golos no arranque da segunda parte (20-14) para ir buscar o triunfo por 35-33. Também agora, na primeira mão dos quartos, esse foi um “problema”, com o Aalborg a chegar aos quatro golos de vantagem até ao intervalo antes da reação fortíssima dos leões que só não acabou com outro resultado porque a parte física diluiu os cinco golos de avanço nos últimos 12 minutos. Era por aí que o Sporting se podia aproximar de fazer ainda mais história na Liga dos Campeões, que chegou a ter o super ABC na final em 1994 frente ao CB Cantabria mas num formato diferente e com menos jogos.

https://observador.pt/2026/02/26/sporting-vence-aalborg-em-casa-ja-com-play-off-da-champions-de-andebol-garantido/

A partida começou com um obstáculo extra chamado Niklas Landin. O experiente guarda-redes, que apesar da idade continua a ser um dos melhores, abriu o encontro com cinco defesas seguidas perante um ataque verde e branco com problemas em criar situações de jogo organizado para remates com menor oposição da primeira linha. Mais: quando surgiam lances de 1×0 com Landin, como Gassama teve, o gigante na baliza era maior. Foi isso que permitiu uma vantagem inicial de 2-0 para o Aalborg, com Mads Hoxer em destaque nos dinamarqueses antes do primeiro golo leonino que chegou apenas aos cinco minutos. O que foi equilibrando? André Kristensen. O norueguês apareceu também na baliza do Sporting, ajudando a que a formação verde e branco não descolasse no marcador enquanto ia assentando em termos ofensivos a ponto de passar para a frente aos 11′, com mais um golo de Kiko Costa antes de Natán Suárez fazer um parcial de 6-4 (12′).

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O encontro estava novamente em aberto, com o Sporting com outra capacidade em gerir momentos de jogo quando o Aalborg tentava acelerar ao máximo num ritmo de parada-resposta que lhe servia mais. Nem no primeiro momento de exclusão, a Gassama (17′), o Aalborg disparou no marcador, também pelo mérito de Pedro Martínez, Salvadador Salvador e Christian Moga na defesa, a condicionarem muito daquilo que uma das primeiras linhas do mundo podia fazer e a proporcionar ataques diretos após turnovers e/ou falhas técnicas. Só mesmo um enorme Landin conseguiu segurar nessa fase os dinamarqueses, travando bolas de 1×0 de Berlin e Gassama entre as tentativas de primeira linha para permitir um parcial de 3-0 do Aalborg de 13-11 para 14-13 após um desconto de tempo, tendo uma percentagem de eficácia na baliza em 25 remates de… 48%. O intervalo chegaria com uma desvantagem de 18-17 para os leões com tudo em aberto.

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Depois da exclusão de Moga num dos últimos lances da primeira parte (a segunda do encontro), o Aalborg conseguiu aproveitar essa vantagem numérica no ataque para ganhar um avanço de três golos, de novo com Landin a ser gigante na baliza a segurar os dinamarqueses quando Mohamed Aly entrou e conseguiu travar dois sete metros consecutivos. A equipa da casa mantinha-se na frente mas percebia-se no banco e também nas próprias bancadas que não havia aquele “conforto” já visto noutras partidas dos escandinavos em casa, algo adensado quando Pedro Martínez foi ao ataque após uma falha técnica reduzir para 29-28.

https://twitter.com/SCPModalidades/status/2052109402275016870

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A decisão do jogo e da eliminatória iria cair nos dez minutos finais, com a pausa técnica de Ricardo Costa a trabalhar outros momentos de jogo organizado ofensivo perante uma defesa que arriscava mais com todos os espaços que com isso se abriam para as entradas aos seis metros dos laterais dinamarqueses. Aly continuava a brilhar nos sete metros, com uma terceira defesa perante marcadores diferentes, o Sporting arriscou tudo nos minutos finais mas a equipa que se fez grande acabou mesmo por cair frente aos gigantes do Aalborg pela margem mínima de 37-36, falhando por apenas um golo uma histórica Final Four…

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