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Investigação ao grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano já tem mais de 10 arguidos

Quatro continuam em prisão preventiva desde junho de 2024. O MP analisa centenas de milhares de ficheiros e pediu cooperação internacional sobre armas 3D e terrorismo.

Agência Lusa
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O caso do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL) conta com, pelo menos, 11 arguidos, quatro deles em prisão preventiva desde junho de 2025, e as autoridades já identificaram outros suspeitos dentro e fora do país.

A informação sobre o número de arguidos surge na decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, datada de 22 de abril e consultada esta quarta-feira pela Lusa, que negou o recurso de um dos arguidos para reverter a decisão de classificação deste processo como sendo de especial complexidade. Essa classificação dá mais tempo ao Ministério Público para deduzir acusação — neste caso, até junho, mês em que é atingido o limite para prisão preventiva.

No ano passado, seis membros deste grupo neonazi foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ), quatro ficaram e continuam em prisão preventiva e em causa estão crimes de infrações relacionadas com grupo terrorista, cuja pena de prisão vai dos 8 aos 15 anos, e por infração terrorista.

https://observador.pt/2025/06/27/pelo-menos-uma-dezena-de-policias-e-militares-pertenciam-a-grupo-neonazi/

Na informação que consta na decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, o Ministério Público indicou que a investigação conta “com muitos indivíduos identificados por todo o país e também estrangeiro”, o que motivou “inúmeras diligências”. “Existem inúmeros suspeitos com intervenções diferenciadas e dispersas, dificultando a identificação e responsabilização individual de cada um”, referiu o Ministério Público.

Entre interceções telefónicas, vigilâncias e redes sociais, estão também a ser analisados “centenas de milhares de ficheiros digitais, constantes dos exames periciais realizados pelas Unidades de Perícia Tecnológica e Informática” aos equipamentos apreendidos durante as buscas feitas em junho do ano passado — quatro computadores, nove telemóveis, um tablet e 21 discos externos com mais de oito mil gigabytes de informação.

No âmbito desta investigação foram também feitos pedidos de cooperação a nível internacional “sobre informação relacionada com o fenómeno das armas de fogo impressas em 3D e conexões ao terrorismo, grupos extremistas associados à direita radical e comunidades online”.

Em relação às seis armas de fogo fabricadas com recurso à tecnologia de impressão 3D, o Ministério Público sublinhou a realização de exames periciais com grande complexidade, “uma vez que se trata de apreensões sem histórico de antecedentes em território nacional”.

“Trata-se de uma investigação dirigida à atuação de uma organização criminosa, de estrutura organizada, com matéria muito sensível, delicada e perigosa e com recurso a mecanismos de ocultação e dissimulação típicos dos tipos criminais em investigação”, lê-se na justificação do Ministério Público, que acrescentou ainda que este é um caso de “uma pluralidade de pessoas que atuam concertadamente, de modo prolongado no tempo”.

No despacho de indiciação a que a Lusa teve acesso, em junho do ano passado, o Ministério Público adiantou que este grupo apresenta semelhanças com grupos internacionais já conhecidos pelas autoridades, alguns também com membros detidos e que usavam armas 3D, e descreveu o MAL como um movimento nacionalista extremista que se dedica à propaganda anti-imigração e antissistema de incitamento ao ódio e violência contra imigrantes e refugiados.

Com a pandemia, este grupo começou a defender teorias negacionistas e, mais tarde, em 2022, com o início da guerra na Ucrânia, acrescentou a narrativa das consequências económicas provocadas pelos governos de esquerda na Europa.

Terão sido, segundo o MP, selecionados centenas de candidatos que se inscreviam através do preenchimento de boletins que continham dados como a constituição física, profissão, aptidão militar. Nesta seleção, eram privilegiados candidatos com conhecimentos em manuseamento de armas.

Um dos quatro detidos era um polícia da PSP que estava em comissão de serviço na Polícia Municipal de Lisboa e seria o responsável pelas entrevistas presenciais de recrutamento para entrar no grupo neonazi.

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