Os Estados Unidos estão a usar tecnologia militar ucraniana anti-aérea na base norte-americana de Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, para detetar drones iranianos, avançou a agência Reuters. A base foi alvo de vários ataques de drones Shahed durante o conflito com o Irão, à semelhança de outras noutros países da região.
Estas armas são bem conhecidas dos ucranianos pelo que, em março, Zelensky deslocou-se à Arábia Saudita, ao Qatar e aos Emirados Árabes Unidos. Aí, reuniu-se com líderes políticos e confirmou que militares ucranianos estavam a trabalhar nesses países, coordenados pelo Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, ainda que Trump tenha dito que não precisava da colaboração de Kiev. No final do mês, foram assinados acordos de defesa com cada um desses países. Mas o que é que está em causa? Que tecnologia é esta? Porque é que Washington precisa dela? Cinco perguntas e respostas sobre a arma dos ucranianos que os EUA usam na sua guerra ao Irão.
Qual é o sistema usado pela Ucrânia?
Chama-se Sky Map e é um sistema de defesa anti-aérea que interceta drones Shahed. Desenvolvido pela Sky Fortress e usado na guerra contra a Rússia, foi criado em 2022 por militares ucranianos e conta com o apoio da plataforma do Governo Brave1, que apoia a inovação no campo da defesa.
É “25 vezes mais barato” do que um modelo anti-aéreo ocidental, garante o Conselho de Defesa da Ucrânia, citado pela Al Jazeera.
Numa publicação feita na rede social X, a 23 de abril, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky afirmou que os intercetores são mais baratos (8,5 mil euros cada) do que os drones Shahed usados pelo Irão (entre 68,4 mil e 111 mil cada) contra alvos no Médio Oriente.
We signed three big security documents with the countries in the Middle East – Drone Deals with Saudi Arabia, Qatar, and the UAE. These will translate into many different contracts with both the private and public sectors of Ukraine.
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) April 23, 2026
We are ready to deliver. First, our… pic.twitter.com/gzMEypQXOU
Como funciona?
Cada intercetor é operado por um piloto treinado, que acompanha o trajeto do drone através de uma câmara ou de controlo remoto, explica a Al Jazeera.
Deteta ameaças através de sensores acústicos, de inteligência artificial e de radar, mesmo a baixas altitudes e ataca os drones identificados. Por exemplo, na Ucrânia, o sistema opera com mais de dez mil sensores instalados pelo país, que permitem perceber ameaças, explica o site especializado ucraniano Militarnyi.
Depois, os dados são enviados para um centro de comando que permite acompanhar ameaças em tempo real, alertando a seguir equipas de defesa anti-aérea que ativam o sistema e intercetam os drones, explica a Al Jazeera.
O modelo torna o Sky Maps “essencial para a coordenação de grupos de fogo móveis [unidades móveis de defesa anti-aérea], operadores de drones interceptadores e outras unidades de defesa aérea envolvidas no combate a veículos aéreos não tripulados”, diz o Defense Express, site ucraniano dedicado a informação militar,
O Sky Maps opera de forma cada vez mais autónoma, destaca a Al Jazeera, com “sensores a bordo e sistemas de navegação inercial assistidos por IA [inteligência artificial]”, que permite alterações do voo dos drones no ar, o acompanhamento de alvos em movimento, “mesmo que os sinais de GPS estejam bloqueados”.
No entanto, segundo especialistas citados pela cadeia de televisão qatari, não conseguem intercetar mísseis balísticos, outra ameaça na região.
O que são os drones Shahed?
Os drones Shahed-136 são equipamentos desenvolvidos pelo Irão e que têm sido usados por Teerão para responder aos ataques dos Estados Unidos e Israel e que se tornaram conhecidos por serem usados na Ucrânia pela Rússia.
São drones triangulares, com cerca de 3,5 metros de comprimento e 2,5m de largura. Guiados por GPS e pré programados com coordenadas para atacar alvos, distinguem-se por emitirem sons barulhentos, frisa o The Guardian. Estes drones são produzidos a baixo custo (entre 17 mil a 41 mil euros por equipamento), mas intercetá-lo pode custar até dez vezes mais, segundo a NBC News.
Os Shahed voam devagar e a baixa altitude para evitar serem intercetados por radar e têm uma grande capacidade de destruição, apesar de apenas poderem transportar uma carga explosiva de cerca de 50 quilos.
O que é a base de Príncipe Sultan?
A base aérea norte-americana de Príncipe Sultan localiza-se na Arábia Saudita, a cerca de 640 quilómetros do Irão, e tem sido alvo de vários ataques iranianos contra bases dos Estados Unidos no Médio Oriente, desde 28 de fevereiro.
Já fizeram os EUA perder cerca de 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) com a destruição de “equipamento raro”, lembra a Reuters, que inclui uma aeronave de radar s E-3 AWACS e aviões-tanque KC-135.
Porque é que os Estados Unidos estão a recorrer a este sistema?
Washington tem vindo a utilizar o sistema anti-aéreo Merops, mas os testes feitos revelaram muitas problemas. Por exemplo, na base militar de Príncipe Sultan, o sistema falhou durante um teste no início do mês e “caiu num bloco de casas de banho na base”, segundo duas fontes citadas pela Reuters.
Assim, militares ucranianos têm estado na base aérea para treinar soldados dos EUA a usarem o Sky Map, isto apesar de Trump ter dito em março numa entrevista à Fox News, que não necessitava da ajuda da Ucrânia para responder aos ataques iranianos, contrariando o alegado por Zelensky no dia anterior.
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