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Lufthansa tem jet fuel garantido até final de junho e prepara cenários para risco de escassez

Com stocks garantidos até junho, a Lufthansa prepara cenários para risco de eventual escassez de combustível para aviação. A procura no setor continua forte e há interesse em fazer oferta pela TAP.

Ana Suspiro
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A Lufthansa tem garantidos abastecimentos de jet fuel até ao final de junho. Apesar de não antecipar estrangulamentos no acesso ao combustível por parte das companhias do grupo e dos hubs europeus no curto prazo, a companhia alemã está a preparar cenários para o caso da crise de escassez provocada pelo encerramento do Estreito de Ormuz se agravar. E assume que a potencial redução da disponibilidade de jet ao longo do ano representa um fator de risco adicional.

“Até junho, assumimos que o abastecimento está assegurado”, afirmou o administrador financeiro, Till Streichert, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre.

Cerca de 25% do jet consumido na Europa tinha origem no Médio Oriente e esse produto está a ser substituído com importações dos Estados Unidos e de Israel. As refinarias na Europa estão também a aumentar a produção. Mas a resposta à crise passa também pelo gestão da oferta. A Lufthansa já anunciou a suspensão de 20.000 voos de médio e curto prazo, nomeadamente pelo encerramento das operações da sua participada CityLine, também com o objetivo de reduzir a fatura com os combustíveis.

Não obstante estes problemas, a Lufthansa diz que a procura por viagens aéreas continua alta e antecipa um verão forte em termos de viagens. Sinaliza também uma mudança nos fluxos dos passageiros que estão a transferir-se dos hubs situados na região do golfo para os hubs europeus controlados pela empresa alemã. Em resultado dessa mudança, a Lufthansa reforçou a sua oferta para destinos asiáticos.

O presidente executivo reafirmou o interesse da companhia alemã pela TAP e por Portugal para o qual prevê outros investimentos do grupo. Carsten Spohr esclareceu que o atual cenário na aviação não arrefeceu o empenho da Lufthansa na privatização da TAP, sinalizando que a empresa está interessada em prosseguir na operação depois de ter sido convidada a apresentar uma oferta vinculativa para compra de até 49,9% da empresa portuguesa. O gestor sinalizou que a rede da TAP para a América Latina permitirá ao grupo reforçar a sua posição naquele mercado onde atualmente tem uma quota mais pequenas que as concorrentes europeias.

Durante a conferência de imprensa, os gestores da Lufthansa foram várias vezes questionados sobre a situação das reservas de combustível para a aviação. Reafirmando que os stocks estão assegurados para as próximas seis semanas, deram alguns detalhes sobre que cenários estão a ser preparados para lidar com uma eventual escassez em alguns aeroportos. A possibilidade dos aviões transportarem o jet necessário para a viagem de regresso e de usar um tipo de combustível apenas autorizado nos Estados Unidos foram exemplos citados pelo presidente executivo Carsten Spohr. A mudança de regras no uso do combustível da aviação tem contudo de passar pela Comissão Europeia.

A subida dos preços do jet fuel já custou 1,7 mil milhões de euros à empresa, não obstante 80% destes custos estarem protegidos por instrumentos financeiros. A Lufthansa conta compensar estes custos nos próximos trimestres com um crescimento da receita gerada na venda dos bilhetes, uma otimização do planeamento da oferta e medidas adicionais de redução de custos. O presidente executivo da empresa assinala ainda que a oferta premium tem mais margem para acomodar a subida dos custos com o combustível do que oferta tradicional em classe económica.

A Lufthansa registou lucros de 220 milhões de euros no primeiro trimestre do ano e um crescimento das receitas de 8% para 8,7 mil milhões de euros, um novo recorde. A empresa mantém as metas fixadas para este ano, com o presidente executivo a assinalar que a Lufthansa “sempre cresceu nas crises” e que está bem mais capacitada do que as concorrentes para enfrentar as atuais dificuldades.