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Descoberto 'Mini-Plutão' com atmosfera no Sistema Solar

Um pequeno mundo de gelo com uma atmosfera, descoberto no Sistema Solar, pode revelar pistas sobre a evolução dos astros em regiões mais frias e distantes. Para já, os cientista chamam-lhe XV93.

Mariana Carrilho
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Anteriormente, os cientistas acreditavam que Plutão era o único corpo celeste no Cinturão de Kuiper a ter atmosfera. Contudo, uma nova investigação revelou um outro pequeno astro com uma atmosfera fina e delicada, possivelmente criada por erupções vulcânicas ou pelo impacto de um cometa.

Com apenas cerca de 500 quilómetros de diâmetro, o chamado ‘Mini-Plutão’ pode ser o menor objeto do Sistema Solar rodeado por um véu atmosférico, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Astronomy, na segunda-feira. Um dos autores principais realçou a importância da descoberta: “Isto muda a nossa visão sobre os mundos pequenos”, disse Ko Arimatsu, chefe do Observatório Astronómico de Ishigakijima, citado pela Sky News.

A descoberta sugere que alguns pequenos corpos gelados no Sistema Solar externo podem não ser completamente inativos ou imutáveis, como se presumia anteriormente”, acrescentou o astrónomo, que anunciou o estudo na plataforma X.

https://twitter.com/OASES_miyako/status/2051318111987789944

Em comparação com a  Terra, a atmosfera do ‘Mini-Plutão’, possivelmente composta por metano, nitrogénio ou monóxido de carbono, pode ser até dez milhões de vezes mais fina, não conseguindo sustentar vida.

Ainda não há certezas sobre a origem da atmosfera, mas os cientistas sugeriram que pode ter sido formada por gases expelidos pela erupção de vulcões. “Não seriam vulcões como os da Terra, com rocha derretida, mas seria uma versão de um mundo frio, envolvendo gases voláteis e gelo”, explicou Arimatsu.

Outra teoria para a formação da camada gasosa seria a colisão de um cometa com o astro. Contudo, se este for o caso, ela pode desaparecer gradualmente. Sendo assim, a resposta para o mistério da proveniência da atmosfera depende de uma monitorização futura: “Se a atmosfera se dissipar nos próximos anos, isso corroboraria uma origem por impacto. Se persistir ou variar sazonalmente, isso apontaria mais para um fornecimento interno contínuo de gás” proveniente dos vulcões de gelo, esclareceu Arimatsu.

Foi uma observação de telescópios em 2024, durante a passagem do ‘Mini-Plutão’ à frente de uma estrela, que levou aos resultados do estudo publicado, descreveu a CNN. Se o astro não possuísse atmosfera, a luz da estrela desaparecia e reaparecia de forma abrupta. No entanto, não foi isso que se verificou, como demonstra a simulação partilhada pelo Observatório Astronómico Nacional do Japão, na qual a luz da estrela diminui gradualmente.

https://www.youtube.com/watch?v=pHgoRPLFopI&t=35s

Neste momento, o pequeno corpo celeste tem o nome científico de (612533) 2002XV93. “Dentro da nossa equipa, geralmente chamávamo-lo apenas de XV93, o que é conveniente, mas, reconhecidamente, não muito empolgante. Pessoalmente, como trabalho no Observatório Astronómico de Ishigakijima, em Okinawa, ficaria muito feliz se um dia ele recebesse um nome relacionado à mitologia de Okinawa, como Amamikyu, a divindade criadora na tradição okinawana. No entanto, a nomeação formal segue os procedimentos da União Astronómica Internacional”, disse Arimatsu, segundo a Reuters.

O cientista-chefe da missão New Horizons da NASA, Alan Stern, que estuda Plutão, reconheceu a relevância deste estudo, mas destacou a necessidade de ser realizada uma “verificação independente” das descobertas, refere o The Independent.

Texto editado por Dulce Neto