Retiro o que disse. A tampa presa à garrafa é uma das melhores invenções de todos os tempos. De início pareceu-me ridícula; neste momento, ridículo é ter ambas as mãos ocupadas enquanto se bebe água e não há onde pousar a tampa. São os cinco a sete segundos mais mal aproveitados do dia, aqueles em que se sacia a sede enquanto se ocupa desnecessariamente a mão dominante, que bem podia estar a fazer coisas mais produtivas. Desde que o primeiro hominídeo começou a caminhar em posição totalmente bípede, libertando as mãos para as mais variadas tarefas — mais ou menos dignas, sendo a elaboração deste parágrafo exemplo do último caso —, que não havia uma evolução tão relevante como a pouco elogiada tampa presa à garrafa.
Também poucos elogios tem merecido a edição 2026 da Flotilha do Hamas. O que não é surpreendente, convenhamos: o casting de vedetas nacionais para esta sequela foi mesmo muito pobre, tipo Big Brother edição 79, ou coisa assim. Já se raspou tanto o fundo ao tacho que tudo o que havia de queimado já foi usado. Desta vez não conseguiram sequer levar a (ainda) mais fraquinha gémea Mortágua. A miséria é tal que nem uma ex-modelo incapaz de articular duas frases se arranjou, quando isso deve ser coisa mais fácil de encontrar do que um chinês no metro de Pequim em hora de ponta. Devem estar mesmo a acabar as paletes de graveto que o Obama mandou aos aiatolás iranianos para financiarem as boas pândegas da extrema-esquerda. A não ser que a mãe de um deles descubra por lá algum cofre esquecido.
É pena, o estado a que isto chegou, porque é mesmo muito meritório o objectivo de chacinar até ao último colonialista judeu. Porque os judeus são aquele tipo de colonialistas que não param sossegados enquanto não conquistarem o último palmo de terra árabe, os sacripantas. Sim, não se deixem enganar: lá porque Israel é do tamanho do Alentejo, não significa que os judeus não estejam lançados na conquista — até lá para junho, no máximo — do território equivalente à Rússia e à China juntas, actualmente ocupado por países de maioria islâmica. Mas quê, seria a primeira vez que algo com a dimensão dos distritos de Beja, Évora e Portalegre conquistava uma coisa quase três vezes maior que a Europa, querem ver? Como se o Sarkozy não tivesse conquistado a Carla Bruni. E ainda antes dos sapatos com tacões, que só lhe acrescentaram bastante sensualidade.
Mas a propósito da arte de nos querer fazer de parvos, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, teceu duríssimas críticas ao ex-primeiro-ministro português, António Costa. Disse o primeiro António Costa que “não podemos aceitar que, em alguns países da União Europeia, designadamente aquele que eu conheço melhor, jovens adultos tenham de pagar 100% dos seus salários, durante 20, 30 anos ou mais, para conseguir comprar uma casa”. Numa clara alusão à incompetência do segundo António Costa, durante cujo governo políticas incompetentes e comunistas — passe a redundância — levaram a que o preço médio das casas em Portugal quase triplicasse. Como seria de esperar ao ter-se António Costa primeiro-ministro e António Costa presidente do Conselho Europeu, o dobro de Antónios Costas, o dobro da sem-vergonhice.
Também sem constrangimentos, e no âmbito das negociações do pacote laboral, o Chega colocou como exigência a redução da idade da reforma, demonstrando incomum pontaria política. Há tanta, mas tanta reforma de que o país precisa, e o Chega foi acertar exactamente numa das raríssimas reformas — ironicamente, a da idade da reforma — que aponta no sentido oposto àquele que o país devia seguir para reduzir o peso do Estado na vida das pessoas.
O que me faz aguçar a curiosidade: o Chega diz querer “limpar a carga ideológica” da Constituição. Mas a julgar por esta ideia de reduzir a idade da reforma, cheira-me que a limpeza vai no sentido de deixar essa carga ideológica ainda mais resplandecente. Neste assunto, como no da TAP, dá a ideia de que, afinal, para o Chega, chega abrir caminho para uma sociedade socialista. E agora que o génio do socialismo saiu da lamparina do Chega, vai ser o cabo dos trabalhos voltar a enfiá-lo lá dentro — para mais, não tendo a lamparina uma daquelas tampas que ficam presas.