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Campo de golfe público de Washington contaminado com metais pesados do entulho das obras de Trump na Casa Branca

Entulho da renovação da Ala Este da Casa Branca deixou metais pesados no solo de campo de golfe centenário que Trump pretende tornar profissional. Juíza federal trava, para já, remodelação do parque.

Ricardo Reis
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O campo de golfe de East Potomac, em Washington, está contaminado com metais pesados do entulho proveniente da construção do novo salão da Casa Branca, adianta o Washington Post, com base em dados do Serviço Nacional de Parques.

Chumbo e crómio são alguns dos metais pesados encontrados no solo deste campo de golfe centenário, para além de pesticidas e derivados do petróleo, que, apesar de estarem a níveis baixos, e em cumprimento com as normas de segurança definidas pela Agência de Proteção Ambiental, segundo o New York Times, colocam em causa a saúde pública.

“Não existem níveis seguros de exposição ao chumbo”, contrapõe ao New York Times o professor Joseph G. Allen, da Escola de Saúde Pública de Harvard, que alerta tratar-se de “um dos elementos mais tóxicos” conhecidos.

A exposição prolongada ao chumbo pode provocar dores de estômago, vómitos e dificuldades de aprendizagem nas crianças, e aumento da pressão sanguínea e doenças renais a adultos.

No entanto, Katie Martin, porta-voz do Departamento que gere parques nacionais, terras federais e recursos naturais, assegurou ao New York Times que a legislação foi cumprida.  “O solo foi testado, várias vezes por várias partes, e este projeto cumpriu todas as normas definidas por lei”, assegurou.

As amostras foram recolhidas entre outubro de 2025 e 2 de abril deste ano, pela Jacobs Engineering Group, consultora do Serviço Nacional de Parques.

Polémica judicial sobre projeto de renovação do campo

Esta questão ambiental veio trazer mais argumentos a um grupo de defesa do património que não só moveu uma ação judicial por considerar que a deposição de resíduos foi ilegal e potencialmente perigosa para golfistas, comunidade e fauna local como também se opõe à alteração da gestão do parque.

De um lado, encontra-se um projeto de transformação num complexo de torneios profissionais por parte da administração Trump, e do outro, a oposição de organizações da sociedade civil, como o DC Preservation League, que receiam que o plano se concretize numa privatização de facto, algo que alegadamente viola a legislação.

“[O campo de golfe com 105 anos] é suposto estar aberto e acessível ao público de todos os contextos sociais, e queremos mantê-lo dessa forma”, afirmou Rebecca Miller, diretora executiva da organização, à NBC. Miller também aponta contradições à administração Trump, que justificou a demolição da Ala Este da Casa Branca devido à existência de metais tóxicos, que agora desvalorizam.

A ação, analisada pela juíza federal Ana Reyes na segunda-feira, obriga a administração Trump a obter autorização judicial para realizar as remodelações anunciadas para o campo e para abater mais de dez árvores, limitando a ação federal para trabalhos de manutenção e limpeza. Uma notícia do site Notus, publicada na sexta-feira, dava conta do encerramento do espaço no passado domingo para renovações, mas tal não se confirmou.

“Eu teria uma preocupação particular de não agirmos primeiro para pedirmos perdão depois”, afirmou a juíza, segundo o Washington Post,.“Não quero uma situação em que algo já aconteceu e depois o governo, uma fundação ou uma empresa de demolições me venham dizer que já é tarde demais para fazer o que quer que seja”, sublinhou. “Se alguém ordenar a comparência de equipamento pesado — e por equipamento pesado refiro-me a qualquer coisa maior do que o meu Sedan [carro] — então quero que os autores da ação sejam notificados.”

E avisou que haverá “sérias consequências” se a administração e as autoridades federais não informarem devidamente o Serviço Nacional de Parques dos planos para o campo de golfe.