O campo de golfe de East Potomac, em Washington, está contaminado com metais pesados do entulho proveniente da construção do novo salão da Casa Branca, adianta o Washington Post, com base em dados do Serviço Nacional de Parques.
Chumbo e crómio são alguns dos metais pesados encontrados no solo deste campo de golfe centenário, para além de pesticidas e derivados do petróleo, que, apesar de estarem a níveis baixos, e em cumprimento com as normas de segurança definidas pela Agência de Proteção Ambiental, segundo o New York Times, colocam em causa a saúde pública.
“Não existem níveis seguros de exposição ao chumbo”, contrapõe ao New York Times o professor Joseph G. Allen, da Escola de Saúde Pública de Harvard, que alerta tratar-se de “um dos elementos mais tóxicos” conhecidos.
A exposição prolongada ao chumbo pode provocar dores de estômago, vómitos e dificuldades de aprendizagem nas crianças, e aumento da pressão sanguínea e doenças renais a adultos.
No entanto, Katie Martin, porta-voz do Departamento que gere parques nacionais, terras federais e recursos naturais, assegurou ao New York Times que a legislação foi cumprida. “O solo foi testado, várias vezes por várias partes, e este projeto cumpriu todas as normas definidas por lei”, assegurou.
As amostras foram recolhidas entre outubro de 2025 e 2 de abril deste ano, pela Jacobs Engineering Group, consultora do Serviço Nacional de Parques.
Polémica judicial sobre projeto de renovação do campo
Esta questão ambiental veio trazer mais argumentos a um grupo de defesa do património que não só moveu uma ação judicial por considerar que a deposição de resíduos foi ilegal e potencialmente perigosa para golfistas, comunidade e fauna local como também se opõe à alteração da gestão do parque.
De um lado, encontra-se um projeto de transformação num complexo de torneios profissionais por parte da administração Trump, e do outro, a oposição de organizações da sociedade civil, como o DC Preservation League, que receiam que o plano se concretize numa privatização de facto, algo que alegadamente viola a legislação.
“[O campo de golfe com 105 anos] é suposto estar aberto e acessível ao público de todos os contextos sociais, e queremos mantê-lo dessa forma”, afirmou Rebecca Miller, diretora executiva da organização, à NBC. Miller também aponta contradições à administração Trump, que justificou a demolição da Ala Este da Casa Branca devido à existência de metais tóxicos, que agora desvalorizam.
A ação, analisada pela juíza federal Ana Reyes na segunda-feira, obriga a administração Trump a obter autorização judicial para realizar as remodelações anunciadas para o campo e para abater mais de dez árvores, limitando a ação federal para trabalhos de manutenção e limpeza. Uma notícia do site Notus, publicada na sexta-feira, dava conta do encerramento do espaço no passado domingo para renovações, mas tal não se confirmou.
“Eu teria uma preocupação particular de não agirmos primeiro para pedirmos perdão depois”, afirmou a juíza, segundo o Washington Post,.“Não quero uma situação em que algo já aconteceu e depois o governo, uma fundação ou uma empresa de demolições me venham dizer que já é tarde demais para fazer o que quer que seja”, sublinhou. “Se alguém ordenar a comparência de equipamento pesado — e por equipamento pesado refiro-me a qualquer coisa maior do que o meu Sedan [carro] — então quero que os autores da ação sejam notificados.”
E avisou que haverá “sérias consequências” se a administração e as autoridades federais não informarem devidamente o Serviço Nacional de Parques dos planos para o campo de golfe.