Além do novo salão de baile da Casa Branca, Donald Trump lança-se noutra empreitada arquitetónica: o “Jardim Nacional dos Heróis Americanos”. O projeto, que já registou uma expansão em escala e orçamento, incluirá espelhos d’água, restaurantes, um anfiteatro e 250 estátuas de figuras consideradas notáveis pelo Governo, entre elas George Washington, Ronald Reagan, Elvis Presley, Kobe Bryant e Alfred Hitchcock.
A Casa Branca justifica a magnitude da obra como um tributo ao “excepcionalismo intemporal” do país. Segundo o porta-voz Davis Ingle, citado pelo The New York Times (NYT) o objetivo é “embelezar e homenagear” a capital durante as celebrações do 500.º aniversário dos Estados Unidos.
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Contudo, a construção ainda não saiu do papel, o que levanta dúvidas sobre a conclusão da obra antes do fim do mandato. Embora a inauguração estivesse prevista para o 250.º aniversário da independência, a 4 de julho deste ano, uma fonte próxima do processo admite ao jornal que apenas algumas dezenas de estátuas deverão estar prontas na data prevista.
A questão financeira é outro foco de tensão. O financiamento é outro ponto de interrogação. Documentos obtidos pelo The Washington Post revelam que um dos principais angariadores de fundos do presidente já estará a mobilizar uma organização sem fins lucrativos para apoiar esta remodelação em Washington, que inclui também o campo de golfe East Potomac. O método faz renascer receios sobre possíveis conflitos éticos na obtenção de favores junto da presidência.
A expansão do plano poderá ainda exigir a revitalização do West Potomac Park, sacrificando áreas de campos desportivos. No entanto, a viabilidade da obra é incerta por outras ordens de razão: o Congresso não destinou verbas suficientes para cobrir os custos e apenas as estátuas deverão exceder os 40 milhões de dólares (34 milhões de euros), inicialmente autorizados.
Além do impasse financeiro, o “Jardim dos Heróis” enfrenta obstáculos regulatórios, uma vez que os planos ainda não foram submetidos a nenhuma comissão de avaliação. Somam-se ainda preocupações ecológicas devido à proximidade com o rio Potomac — proximidade que, segundo Trump, é um ponto a favor: “Isto provavelmente ficará bem às margens do Rio Potomac”, afirmou, citado pelo NYT. “Será um complexo belíssimo. Haverá um salão — sabe, vamos chamá-lo salão. Chamamos várias coisas, mas os memoriais ou estátuas serão… será belíssimo”.