Lionel Messi, Rafa Nadal, Luis Suárez. DJ Khaled, Patrick Dempsey, Jimmy Fallon. Até Reid Wiseman, que talvez seja um nome menos conhecido para o leitor mas que comandou a recente missão Artemis II. Se um qualquer Grande Prémio de Fórmula 1 se tornou uma verdadeira passerelle para celebridades, a passagem por Miami depois de um mês de interregno na sequência do cancelamento das duas provas no Bahrein e Arábia Saudita era um dos pontos altos do calendário de 2026. No entanto, havia uma outra estrela acima de todas a centrar todos os focos. E, ao contrário do que acontecera ao longo de semanas a fio, não era nem o campeão Lando Norris nem os ex-campeões Max Verstappen e Lewis Hamilton – era mesmo Kimi Antonelli.
https://observador.pt/2026/03/29/o-recorde-de-kimi-as-primeiras-voltas-de-piastri-o-cavalinho-sempre-no-podio-e-uma-red-bull-sem-asas-o-que-fica-do-gp-do-japao/
O jovem italiano que se tornou no Japão o mais novo de sempre a liderar o Mundial teve uma qualificação boa para a sprint com uma segunda posição apenas atrás de Lando Norris, não foi depois além do sexto lugar na corrida sprint ganha pelo campeão em título à frente do companheiro Oscar Piastri e Charles Leclerc mas fez de seguida a volta mais rápida para assumir a terceira pole position consecutiva, repetindo os feitos de Ayrton Senna e Lewis Hamilton e colocando de novo Toto Wolff, chefe da Mercedes, como protagonista na hora de analisar tudo aquilo que se passara no sábado e sobretudo tudo o que podia acontecer no domingo.
https://observador.pt/2026/05/02/campeao-norris-vence-corrida-sprint-em-miami-e-deixa-mercedes-fora-do-podio/
“Aquela primeira volta foi realmente especial porque ele estava três décimos ou mais à frente do próximo. Foi espetacular e isso garantiu a pole. Estilo agressivo? Temos confiança. Às vezes ele exagera mas é assim que ele é. A evolução no controlo do carro é uma melhoria porque antes isso terminaria no muro. Agora é só uma volta desperdiçada mas ele está a mostrar a sua velocidade e isso é muito bom de ver. Em Itália todos querem falar de títulos mundiais e surgem comparações com o Ayrton Senna mas isso é algo que não gosto de ler porque ele tem apenas 19 anos”, confidenciou o responsável germânico, antes de fazer mais uma revelação sobre o transalpino: “Não me importa se vai ter ou não uma noite longa mas precisa treinar o arranque. Vai ter de fazer pelo menos 1.000 largadas no simulador, para soltar corretamente a embraiagem”.
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O mote da corrida estava dado, depois da antecipação da hora prevista da corrida em três horas devido ao risco de trovoadas fortes que eram esperadas em Miami. E nem mesmo com todo esse trabalho extra a saída de Kimi Antonelli melhorou, não baixando mais posições porque Max Verstappen ainda fez um peão pelo meio. No entanto, e mais uma vez, o risco e agressividade que imprime na corrida, a par de uma notória confiança em pista, fez com que atingisse o objetivo principal e prolongasse os feitos históricos.
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Um pouco à semelhança do que tinha acontecido na véspera, o arranque do Grande Prémio de Miami voltou a ter muito caos à mistura mas com um grande mérito para Charles Leclerc, que escolher a trajetória certa para se colocar entre Kimi Antonelli e Max Verstappen, obrigou a dupla da frente a queimar a travagem e fez depois a tesoura para assinar a passagem para a primeira posição. O piloto da Ferrari esteve em grande, o companheiro de equipa Lewis Hamilton ainda esteve em luta com Franco Colapinto mas segurou a sexta posição, Verstappen foi quem mais perdeu com um peão que lhe custou vários postos antes de um toque com Liam Lawson que deixou a parte dianteira do Red Bull com marcas. Quem aproveitou foram também os dois McLaren, com Lando Norris a subir a terceiro e Oscar Piastri a rodar em quarto antes de ser passado por George Russell, que confirmava as boas indicações que os Mercedes continuavam a deixar em pista.
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Apesar desse mérito, Leclerc não ficaria mais do que quatro voltas na frente, com Antonelli a ameaçar por duas vezes a ultrapassagem antes de regressar mesmo ao primeiro posto antes da resposta do monegasco a ficar de novo na frente. “Deixa-os andar a brincar ao ioiô, estamos bem”, diziam os responsáveis da McLaren antes de Lando Norris aproveitar um pequeno erro de Antonelli para assumir a segunda posição, passando a ter os dois Mercedes atrás antes da entrada de safety car… por quatro desistências: Isack Hadjar viu cair a tentativa de recuperação e ficou encostado ao muro, Pierre Gasly acabou com o carro “empinado” depois de ter mesmo capotado na sequência de um toque com Liam Lawson, Hulkenberg também ficou nas boxes. Num ápice, a quarta corrida perdia quatro corredores, superando o máximo de desistências em 2026.
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O regresso manteve as posições, a 13.ª volta foi a ficha da sorte para a McLaren: Lando Norris passou para a frente quando Leclerc e Kimi Antonelli continuavam a passar um pelo outro para gáudio do britânico, Oscar Piastri ultrapassou Russell na quarta posição e ainda chegou a rodar na frente de Leclerc, Hamilton continuava na frente de um Colapinto que defendia a Alpine como único piloto depois da saída de Gasly, Max Verstappen mantinha um duelo aceso com Alexander Albon e Carlos Sainz Jr. antes de passar os dois carros da Williams para chegar à oitava posição. Nesta fase, as grandes decisões eram tomadas fora das pistas, com algumas nuvens que iam surgindo a colocar os diretores no dilema de tentarem aguentar uma possível fase de aguaceiros ligeiros em algumas zonas da pista ou jogar por antecipação se a precipitação se adensasse.
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Começava a dança das paragens, começava também a confusão na frente, com Norris e Antonelli a tentarem disparar antes da passagem pelas boxes aproveitando a troca de pneus mais lenta de Leclerc e Piastri a tentar aproveitar a pista limpa para consolidar a terceira posição. Antonelli saiu a ganhar desse momento, ficando na frente de Norris e aproveitando depois o compasso de espera na ultrapassagem do britânico a Verstappen para ganhar uma pequena folga em relação ao McLaren. A 20 voltas do final, Norris entrava de novo no mesmo segundo de Antonelli, Verstappen tentava defender o pódio e Leclerc ganhava alguma margem na quarta posição pelo remake do ioiô que Piastri e Russell continuavam a fazer pelo quinto lugar.
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O neerlandês acabaria por não ter o ritmo suficiente para conservar essa terceira posição, com Leclerc e depois Piastri a deixarem o piloto da Red Bull no quinto lugar com George Russell atrás. Lá na frente, aquilo que pareciam ser ameaças sérias de Lando Norris à liderança de Kimi Antonelli quando rodavam com uma diferença de 0,7 segundos acabaram por não confirmar-se, com o italiano a conseguir segurar a vantagem para vencer o terceiro Grande Prémio consecutivo e reforçar a liderança na classificação do Mundial antes de novo golpe de teatro na luta pela quarta posição, com Leclerc a não aguentar o desgaste dos pneus, a fazer um peão, a ter um toque numa saída e a descer a sexto atrás de George Russell e Max Verstappen.
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