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Marco Rubio em missão a Roma para "descongelar" relações entre a Casa Branca, o Vaticano e Meloni

O secretário de Estado dos EUA, católico devoto, estará em Roma no primeiro aniversário do papado de Leão XIV. Rubio reúne-se com o executivo e tenta um encontro, ainda incerto, com Giorgia Meloni.

Mariana Furtado
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Com o objetivo de “descongelar” as relações entre Roma e Washington, como foi descrito pela imprensa italiana, Marco Rubio terá muito por onde escolher se quiser emendar as declarações de Donald Trump. O secretário de Estado dos EUA deverá aterrar em solo europeu na próxima quinta-feira para uma série de reuniões de alto nível, centradas na reparação das pontes entre a Casa Branca, o Governo italiano e a Santa Sé, abaladas após os sucessivos ataques verbais desferidos por Trump contra a primeira-ministra Giorgia Meloni e o Papa Leão XIV.

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O primeiro desafio de Rubio terá lugar no Vaticano, onde está previsto um encontro com o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, e com o próprio pontífice, agendado para o dia 7 de maio. A audiência ocorre num momento de particular simbolismo, na véspera do primeiro aniversário da eleição do Papa, mas também sob o peso das declarações de Trump, que classificou o líder da Igreja como “fraco contra a criminalidade” e “péssimo em política externa”, chegando a reivindicar para si o mérito da sua ascensão ao pontificado.

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A par da vertente religiosa, a missão de Rubio foca-se em estancar a crise política aberta pela polémica entrevista de Trump ao Corriere della Sera, a 14 de abril, na qual o Presidente dos EUA acusou Meloni de falta de coragem e de recusa em colaborar. Para reverter este cenário de rutura, o diplomata norte-americano reunir-se-á com o seu homólogo Antonio Tajani e almoçará com o ministro da Defesa, Guido Crosetto, mantendo-se ainda em aberto um encontro direto com a própria primeira-ministra italiana, uma intenção que Rubio já tornou pública: “Quero encontrá-la”, afirmou.

Esta visita é o culminar de um esforço de bastidores liderado pelo embaixador dos Estados Unidos, Tilman J. Fertitta, que tem trabalhado em estreita colaboração com o representante italiano em Washington, Marco Peronaci, para segurar a aliança transatlântica, segundo o mesmo jornal italiano. Para Marco Rubio, este regresso a Itália — o terceiro num curto período — representa uma oportunidade para estabilizar uma amizade que, perante a retórica de Trump, se tornou cada vez mais complexa.