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Irão apresenta plano de paz com 14 pontos, mas Trump duvida que haja condições para acordo

Trump diz que Irão ainda não pagou "um preço suficientemente elevado" pelo que fez à humanidade nos últimos 47 anos. Proposta apresentada pelo Irão está a ser avaliada pelos EUA.

João Francisco Gomes
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Siga aqui o artigo em direto do Observador sobre a guerra no Irão

O Irão enviou este sábado aos Estados Unidos uma nova proposta de paz, composta por 14 pontos, em resposta ao anterior plano de nove pontos proposto por Washington. O Presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que está a analisar a proposta, mas já deixou dúvidas sobre as reais possibilidades de um cessar-fogo permanente ser alcançado em breve, afirmando taxativamente que o Irão ainda não pagou pelo que fez à humanidade.

Através da rede social Truth Social, Trump confirmou na noite de sábado que tinha acabado de receber a nova proposta iraniana e que a iria analisar. “Mas não imagino que seja aceitável, dado que eles ainda não pagaram um preço suficientemente elevado por aquilo que fizeram à humanidade e ao mundo ao longo dos últimos 47 anos”, escreveu Trump.

Em declarações aos jornalistas à entrada do avião presidencial, Trump foi questionado sobre se, em breve, as hostilidades poderiam regressar em força ao Irão — depois de, esta semana, a Casa Branca ter anunciado o fim das hostilidades para evitar a necessidade de uma autorização do Congresso, embora continue de pé o bloqueio naval aos portos iranianos e a mobilização militar norte-americana no Médio Oriente. Em resposta, Trump admitiu que é possível. “Se eles se portarem mal, se eles fizerem alguma coisa errada, mas para já vamos ver”, afirmou.

https://observador.pt/liveblogs/israel-ordena-novas-evacuacoes-para-la-da-zona-que-controla-no-sul-do-libano/

O plano de 14 pontos apresentado pelo Irão ainda não é totalmente conhecido, mas a imprensa iraniana já avançou alguns detalhes sobre o que consta do documento, que surge em resposta à proposta norte-americana anteriormente colocada na mesa das negociações.

Entre as cláusulas avançadas por Teerão encontra-se a exigência de garantias, por parte dos EUA, de que não haverá ataques futuros contra o território iraniano. Simultaneamente, o documento exige a retirada das forças norte-americanas das áreas em torno do Irão, bem como o fim do bloqueio naval ao Estreito de Ormuz — que deverá passar a ser regulamentado através de um “novo mecanismo”, cujos contornos não são ainda conhecidos (no passado, o Irão já colocou em cima da mesa hipóteses como o pagamento de uma “portagem” a Teerão ou a proibição de passagem de navios israelitas).

Por outro lado, o documento proposto por Teerão determina o fim da guerra dentro de 30 dias (em vez da exigência de um cessar-fogo de dois meses que constava da proposta norte-americana) e a realização de negociações sobre o programa nuclear iraniano após o fim da guerra. Teerão tem insistido que pretende manter o direito a realizar enriquecimento de urânio, na qualidade de signatário do tratado para a não-proliferação das armas nucleares.

https://observador.pt/2026/05/01/trump-diz-que-hostilidades-com-irao-cessaram-para-evitar-autorizacao-parlamentar/

Ao longo das últimas semanas, Irão e EUA têm negociado através da intermediação do Paquistão, mas até agora foi impossível chegar a acordo devido às diferenças insanáveis entre os dois lados. O Estreito de Ormuz tem sido um dos principais obstáculos: enquanto Teerão exige o fim da guerra para desbloquear o estreito, Trump diz que o desbloqueio do estreito é uma condição imprescindível para que o conflito termine. Logo após o ataque inicial, a 28 de fevereiro, o Irão implementou um bloqueio ao Estreito de Ormuz, causando forte disrupção no comércio de combustíveis fósseis em todo o mundo. Entretanto, os EUA implementaram o seu próprio bloqueio naval, intercetando os navios iranianos e impedindo o acesso aos portos iranianos. A resolução deste impasse em torno do Estreito de Ormuz continua, para já, a impedir um acordo de paz eficaz.

Ao mesmo tempo, a capacidade nuclear do Irão permanece como um dos assuntos de mais difícil resolução. Para os EUA este tópico é uma linha vermelha — mas o Irão exige manter a sua capacidade para o enriquecimento de urânio. Este será o assunto no qual os dois países estão mais longe — e aquele que mais ameaça o sucesso das negociações.

Simultaneamente, o Irão exige o levantamento das sanções ocidentais que, ao longo das últimas décadas, causaram fortes danos à economia iraniana.

Depois de apresentar o plano ao Paquistão, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país cumpriu o seu papel ao entregar um plano. “O Irão apresentou o seu plano ao Paquistão como mediador com o objetivo de encerrar permanentemente a guerra imposta, e agora cabe aos Estados Unidos escolher o caminho da diplomacia ou continuar com a abordagem de confronto”, afirmou.

“O Irão está preparado para ambos os caminhos a fim de garantir seus interesses e segurança nacionais e, em qualquer caso, manterá sempre o seu pessimismo e desconfiança em relação aos Estados Unidos, bem como a sua honestidade no caminho da diplomacia”, disse ainda, no sábado.

[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]