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Teerão: Trump deve escolher entre "uma guerra impossível ou um mau acordo"

Teerão coloca Washington perante um dilema: ou Trump aceita um "mau acordo" e muda de postura, ou enfrentará uma guerra "impossível" no estreito de Ormuz. E dá um prazo para o fim do bloqueio dos EUA.

Mariana Furtado
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Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente

O antigo comandante da Guarda Revolucionária e atual conselheiro militar do novo Líder Supremo, Mohsen Rezaee, elevou a retórica contra a presença norte-americana no Médio Oriente, comparando as forças de Washington a “piratas”. Numa mensagem publicada no X, Rezaee alertou que o Estreito de Ormuz poderá transformar-se num “cemitério” para as tropas e navios dos Estados Unidos caso a tensão continue a escalar.

“Os EUA são os únicos piratas do mundo que possuem porta-aviões. A nossa capacidade de confrontar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra”, atirou o responsável. Rezaee foi ainda mais longe ao evocar episódios passados, instando Washington a preparar-se para um desfecho fatal: “Preparem-se para enfrentar um cemitério dos vossos porta-aviões e forças, tal como os destroços dos vossos aviões foram deixados para trás em Isfahan”.

https://twitter.com/ir_rezaee/status/2050872758691643674

Esta ofensiva retórica surge em sintonia com os últimos avisos dos serviços de informações da Guarda Revolucionária (IRGC), que sustentam que a margem de manobra de Donald Trump se “estreitou” de tal forma que o Presidente dos EUA se encontra agora perante uma escolha decisiva: uma guerra “impossível” ou um “mau acordo” com Teerão. “Só há uma maneira de interpretar isto: Trump precisa escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica do Irão”, consta do comunicado citado pela Al Jazeera.

A par das ameaças de confronto direto, o serviço secreto do regime iraniano confirmou ter estabelecido um prazo — cuja data permanece desconhecida — para que os Estados Unidos encerrem o bloqueio naval aos portos do país. Para Teerão, este ultimato, reforçado por uma alegada mudança de postura da China, Rússia e de alguns países europeus, isola Washington e limita as suas opções de intervenção.

Apesar do tom ameaçador, o Irão mantém a porta entreaberta no tabuleiro diplomático, ainda que sob condições estritas. O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, afirmou neste domingo que qualquer avanço nas conversações entre Washington e Teerão depende exclusivamente de uma “mudança de comportamento” por parte dos Estados Unidos.

Em declarações à agência IRNA, o diplomata assegurou que o Irão mantém o seu compromisso com a diplomacia, mas acusou os norte-americanos de manterem uma postura “instável” perante a abordagem “lógica e clara” de Teerão. Moghadam confirmou ainda que o Paquistão mantém o seu papel de mediação no processo negocial. “Se os americanos procuram um avanço nas negociações, têm de mudar o seu comportamento”, reiterou o diplomata em Islamabad, reafirmando que o ónus do próximo passo cabe agora à Casa Branca.

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