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NATO faz reuniões à porta fechada com argumentistas e realizadores de cinema. Profissionais denunciam tentativa de propaganda

A NATO já realizou três encontros à porta fechada com profissionais do cinema e da televisão, em Los Angeles, Bruxelas e Paris — e tem um quarto agendado para o próximo mês em Londres.

João Francisco Gomes
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A NATO está a realizar um conjunto de reuniões à porta fechada com argumentistas, realizadores e produtores de cinema e televisão na Europa e nos Estados Unidos, noticia este domingo o jornal britânico The Guardian, detalhando como os convites para estes eventos estão a ser lidos por alguns destes profissionais como uma tentativa de propaganda bélica junto do setor das artes.

Segundo o The Guardian, a NATO já realizou três encontros à porta fechada com profissionais do cinema e da televisão, em Los Angeles, Bruxelas e Paris — e tem um quarto agendado para o próximo mês em Londres, com membros da Associação de Argumentistas do Reino Unido (WGGB na sigla inglesa).

De acordo com o mesmo jornal, que cita um email interno da WGGB com o convite aos profissionais, trata-se de uma reunião focada na “evolução da situação de segurança na Europa e mais além”. O email enviado aos argumentistas, realizadores e produtores refere que as reuniões anteriores já deram origem a “três projetos” que foram “inspirados, pelo menos parcialmente, por estas conversas”.

O convite citado pelo The Guardian recorda que a NATO foi “construída sobre a crença de que a cooperação e o compromisso, a manutenção de amizades e alianças, é o caminho” e que basta que “algo tão simples como essa mensagem encontre o seu caminho para alguma história futura”.

Contudo, vários convidados para o evento de Londres disseram ao The Guardian ter-se sentido incomodados com o convite. O argumentista Alan O’Gorman, por exemplo, disse que ele e outros convidados se sentiram “bastante ofendidos” com a possibilidade de “a arte ser usada de uma forma que apoie a guerra” — e sublinhou que sentiu que lhe estavam a pedir para “contribuir para a propaganda da NATO”, com a aliança militar a tentar colocar “parte da sua mensagem no cinema e na televisão”.

Outro argumentista, Faisal A. Qureshi, também convidado para o evento, alertou para o “risco” de um artista entrar no mundo dos briefings militares e sentir-se “seduzido a acreditar que tem algum tipo de conhecimento secreto” ou “que existe um mundo de cinzentos em que a moralidade é maleável e em que abusos dos direitos humanos são aceitáveis quando feitos para um bem maior”. Qureshi acrescentou que muitos artistas podem sentir que estão a ter o “privilégio” de aceder a um mundo habitualmente inacessível e disse ter questões sobre se os convidados vão “desafiar ou questionar” suficientemente a informação que receberem.

Em contrapartida, diz ainda o The Guardian, apoiantes da NATO defendem que a aliança deve ter uma relação com o mundo das artes. Um responsável da NATO disse ao jornal que a iniciativa é “a quarta numa série de sessões para escritores de ficção na indústria do entretenimento” que surge do “interesse expressado por membros da indústria em relação a saber mais sobre o que é a NATO e como funciona”. Já a WGGB confirmou que se limitou a encaminhar o convite da NATO e que os seus membros são “pensadores livres” que podem “retirar da sessão o que sentirem que é útil”.

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