Há alguns anos, poderia ser um daqueles matchday para o título. Há menos anos, poderia ser um encontro importante para os visitantes chegarem ao título. Agora, o único título que sobrava mesmo era o último lugar do pódio, numa corrida a três que envolve também o Aston Villa mas que vai decorrendo longe dos terrenos por onde andam Arsenal e Manchester City, os verdadeiros candidatos à vitória na Premier League. Ainda assim, no contexto “atual”, era sempre “jogo de título”. Para o Manchester United, o título de confirmar a redenção no período pós-Ruben Amorim com Michael Carrick no comando técnico numa trajetória com nove vitórias em 13 jogos e 29 pontos em 39 possíveis. Para o Liverpool, o título de superar na parte final uma temporada marcada por mais baixos que altos entre a tragédia da morte de Diogo Jota em julho.
https://observador.pt/2026/04/27/bruno-virou-se-para-o-outro-e-continua-a-fazer-mais-do-que-todos-united-vence-e-isola-se-no-terceiro-lugar/
Depois, e em paralelo, havia dúvidas por desfazer que sobre o presente e futuro das equipas. Carrick pode ficar como treinador principal na próxima temporada? Que projeto pode Arne Slot desenhar numa era pós-Salah, de saída do clube após quase uma década? Que potenciais jogadores estão na lista para suceder ao egípcio nos reds? E conseguiriam ainda os red devils dar a volta a Casemiro para fazer mais uma época no seguimento daquela que já é a temporada com mais golos da carreira aos 34 anos? Vários pontos de interrogação que tinham à cabeça a situação de Bruno Fernandes, médio português e capitão que termina a ligação ao Manchester United no próximo ano e ainda não renovou contrato (e pode até nem renovar).
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“Não é uma questão de lealdade. Poderia ter saído há dois anos, poderia ter saído há três anos, poderia ter saído na época passada, mas gosto muito de estar aqui. Acho que ser bem sucedido neste clube é algo que nunca conseguirei noutro. A alegria e tudo o que recebo… O dia em que alcançar o que pretendo neste clube, não creio que consiga isso em mais nenhum outro clube do mundo”, apontou numa entrevista à Sky Sports. “Sei o quanto os adeptos querem isto, sei o quão apaixonados eles são, sei o quanto estão à espera que o clube volte ao topo. Estou no mesmo barco que eles. Quero que este barco, em vez de estar parado, siga em frente e navegue o máximo que pudermos. Ganhei a Taça da Liga e a FA Cup, mas o que este clube, estes adeptos e eu próprio não conseguimos. Vou continuar a tentar até o meu contrato terminar”, acrescentou.
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“Porque não saí no ano passado? O clube estava num momento difícil porque tínhamos acabado de perder uma final europeia e terminámos na posição mais baixa que o United alguma vez ficou na Premier. Há seis anos, o clube confiou em mim para vir para aqui e acreditou que podia ajudar. Na altura, a minha decisão foi tomada pelo facto de ainda não ter realizado os meus sonhos aqui. Ainda não conquistei tudo o que queria. Nunca escondi que quero ganhar a Premier e a Champions com este clube. Posso conseguir, ou não. Mas enquanto tiver a oportunidade ou enquanto estiver aqui para o fazer, vou tentar. Vai ser difícil? Sim. Há grandes clubes na liga que têm ganho o campeonato há tantos anos e que estão lá consistentemente, e nós não estamos”, assumiu ainda o internacional português na mesma entrevista antes do jogo com o Liverpool.
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Se o United ocupava a terceira posição com mais três pontos do que Liverpool e Aston Villa, deve muito a Bruno Fernandes. A par dos oito golos marcados na prova, o médio levava 19 assistências, apenas a uma de igualar o recorde da Premier numa só temporada de Thierry Henry (2002/03) e Kevin de Bruyne (2019/20). Mais: os 19 passes para golo eram quase o dobro dos segundos melhores, Cherki (Manchester City) e Jarrod Bowen (West Ham), ambos com dez, com o português a destacar-se e muito também nas oportunidades de golo criadas, num total de 114 contra 61 de Declan Rice (Arsenal) e Szoboszlai, que iria defrontar agora em Old Trafford. No final, aquilo que seria o 20.º passe para golo acabou por ser “anulado” por um ligeiro toque do guarda-redes do Liverpool mas nem por isso o jogador português deixou de atingir um dos objetivos a que se propunha nesta fase da temporada: confirmar a presença na próxima Liga dos Campeões.
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Apesar de toda a qualidade que o duelo teria sempre, tudo ficou em suspenso antes do apito inicial com uma notícia que deixou os adeptos do Manchester United (e do futebol em geral) em sobressalto: Alex Ferguson, técnico escocês de 84 anos que venceu 13 Campeonatos pelos red devils entre mais de 30 troféus incluindo duas Ligas dos Campeões, sentiu-se mal em Old Trafford e foi transportado de emergência ao hospital. Tudo não terá passado apenas de um susto mas a informação acabou por tornar-se o foco das atenções até a bola começar a rolar. Aí, bastaram menos de 15 minutos para se ver uma equipa como era a dos tempos de Sir Alex. Rápida, dinâmica, ligada, dominadora, capaz e sem pejo de aproveitar aquilo que conseguia criar com a bola parada a ser de novo desbloqueadora: Matheus Cunha inaugurou o marcador numa segunda bola após canto (6′), Sesko aumentou a vantagem em mais uma recuperação em zona alta com passe de Bruno Fernandes que só não contou como assistência pelo toque do guarda-redes Freddie Woodman (14′).
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O Liverpool era uma autêntica sombra em Old Trafford, os erros do Manchester United tiveram o condão de empatar todas as contas do jogo. Literalmente. Primeiro, numa saída errada na primeira fase de construção, Dominik Szoboszlai conseguiu roubar a bola no seu meio-campo, foi por ali fora até à área e atirou rasteiro de pé esquerdo para o 2-1 (47′). Pouco depois, o guarda-redes Lammens teve um passe errado no corredor central para a entrada da área, Casemiro não conseguiu chegar e Gapko só teve depois de encostar para o 2-2 (56′). O encontro estava reaberto e podia cair para qualquer lado mas foi aí que a estrelinha que parece ter abençoado esta nova era dos red devils voltou a aparecer e de forma quase poética: Kobie Mainoo, aquele jogador que os adeptos tantos queriam mas em quem Ruben Amorim não apostava tanto, marcou o 3-2 no final da semana em que assinou um novo contrato com o clube e sentenciou o triunfo do United (77′), que reforçou a terceira posição com mais seis pontos do que Liverpool e Aston Villa (como menos um jogo).
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