Quem o conhece melhor, quem lida com ele mais de perto, vê nesse gesto o sinal de dever cumprido. Quando as coisas correm bem a André Villas-Boas, há sempre aquele sorriso maroto quase de miúdo que lhe muda as feições da cara. Esta noite, a dez segundos do final do FC Porto-Alverca, era assim que o presidente dos azuis e brancos estava na tribuna. Cumprimentou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, cumprimentou José Pedro Aguiar-Branco, fez mais alguns acenos a quem estava nas filas iniciais, nunca deixou de olhar em frente. Em frente, havia festa. Sobrava festa. De jogadores, de equipa técnica, de 50.000 adeptos que tinham enchido o Dragão. Aquilo que mais queria desde que assumiu a presidência estava cumprido.
Villas-Boas fez questão de cumprir toda a parte de protocolo, como quer que seja em todos os momentos, mas não demorou a descer ao relvado. Queria seguir de perto toda a homenagem a Jorge Costa, uma peça chave para o ressurgimento do FC Porto apesar de morte precoce no início de agosto, queria dar os parabéns a todos os elementos ligados ao futebol entre jogadores, equipa técnica (com um abraço especial a Farioli) e demais staff, foi cumprimentando todos os funcionários com quem se cruzava no caminho até ao túnel incluindo os adeptos nas primeiras filas das bancadas. Depois, como é seu apanágio, quis passar mais despercebido. No entanto, não deixou de escrever uma mensagem para todos os sócios e adeptos portistas.
“Hoje voltamos a abraçar mais um título de campeão nacional de futebol. E celebramos, de forma clara e inequívoca, a forma como o fizemos. Com brio, profissionalismo e à Porto! Este título é, antes de mais, dos nossos jogadores e equipa técnica, pela seriedade, pelo compromisso e pela capacidade de se unirem em torno de um objetivo. Um sentido comum presente em todos desde o início da época. É também de todos aqueles que, longe dos holofotes, trabalham arduamente para fazer funcionar uma equipa: colaboradores, da estrutura, do departamento clínico, do scouting, da formação e de todos os que trabalham no Olival e no Dragão, com a responsabilidade de quem sabe o que é representar este emblema”, começou por escrever.
Dedico esta conquista inteiramente a Jorge Nuno Pinto da Costa, o Presidente dos Presidentes do FC Porto, e a Jorge Costa. Dois símbolos de uma História que nos exige sempre mais. Uma História que pesa, que nos honra e que nos obriga a estar à altura, todos os dias. Uma História que nos transmitiu crença e fé na procura e obtenção do sucesso”, salientou Villas-Boas.
“Esta época começou com uma decisão clara: mudar, com coragem, mas sobretudo com método. A mudança para Francesco Farioli foi uma aposta de exigência, coerência e trabalho no detalhe. Foi um projeto para vencer. E venceu. Este título tem a marca de um treinador que, ao entrar no clube, cedo percebeu o que é o FC Porto: as suas gentes, valores, exigência diária, compromisso com a vitória. Assumiu o risco, liderou o grupo e elevou o nível competitivo do FC Porto estabelecendo vários recordes durante a temporada, podendo ainda alcançar o recorde de pontos estabelecido em 2021/22. Um trabalho notável e exemplar. Também vencemos porque identificámos necessidades e fomos ao mercado com critério. Não contratámos por impulso: contratámos por perfil, por carácter, por talento e por ambição”, apontou o líder portista. “Fizemos mudanças claras na Direção Desportiva que saiu reforçada, melhor estruturada, com padrões de exigência máximos e uma organização que soube respeitar esse elevar de fasquia no dia a dia”, acrescentou.
“Aos portistas, digo o que digo sempre: a nossa força está na nossa união. A época foi exigente, os obstáculos foram muitos, o ruído existiu e existirá sempre contra o FC Porto. Mas quando o FC Porto está junto, quando o Dragão está unido, quando a “Famiglia” Portista se foca em si própria, somos aquilo que sempre fomos: respeitados pela nossa bravura e raça. Parabéns a todos. Este título é do FC Porto. E, a partir de amanhã, como sempre, voltamos ao trabalho. Porque no FC Porto celebrar é um momento. Vencer, esse, é um compromisso”, concluiu o presidente dos azuis e brancos na mensagem lançada após o título.