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A organização da flotilha Global Sumud afirmou este sábado, após uma visita consular da delegação diplomática brasileira a uma prisão em Israel, que o ativista brasileiro Thiago Ávila relatou ter sido torturado durante a sua detenção pelas forças israelitas.
“Segundo a embaixada brasileira, Thiago Ávila relatou ter sido sujeito a tortura, espancamentos e maus-tratos”, declarou a organização em comunicado de imprensa.
No comunicado indicava-se que o ativista, atualmente detido na prisão de Shikma (na cidade costeira de Ashkelon) juntamente com o seu companheiro, Saif Abukeshek, cidadão espanhol de origem palestiniana, apresentava “ferimentos visíveis na face” e “relatou dores intensas, principalmente no ombro”.
A flotilha afirmou ainda que Ávila foi sujeito a espancamentos e maus-tratos durante a sua detenção e indicou que, apesar de ter sido examinado por um médico, não recebeu os cuidados médicos adequados. Continua em greve de fome e não foi informado das acusações que lhe são imputadas.
Na mesma declaração, o grupo inclui o ativista Saif Abukeshek, referindo que também está em greve de fome, tal como confirmado pela mulher do palestino-espanhol.
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, declarou este sábado que a detenção de Saif Abukeshek foi “ilegal” e que deverá ser libertado “imediatamente”.
“Estamos a lidar com uma detenção ilegal em águas internacionais, fora da jurisdição das autoridades israelitas, e por isso Saif Abukeshek deve ser libertado imediatamente para que possa regressar a Espanha”, disse Albares à rádio catalã Rac1.
O ministro manifestou a sua “preocupação” porque, sublinhou, “temos um cidadão espanhol que está a ser detido ilegalmente e que foi preso em águas internacionais, fora de qualquer jurisdição, pelas autoridades de outro Estado”.
Cerca de 175 ativistas da flotilha Global Sumud, que tinha como objetivo romper o bloqueio naval israelita à Faixa de Gaza, foram detidos na quinta-feira em cerca de 20 barcos em águas internacionais perto de Creta.
Israel libertou todos os ativistas na Grécia após ter chegado a um acordo com as autoridades gregas, com exceção de Thiago Ávila e Saif Abukeshek. Estes dois ativistas estão em Israel para interrogatório, anunciou este sábado o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita.