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Numa altura em que os aliados no Golfo Pérsico criticam Washington por ter iniciado as hostilidades contra o Irão sem os consultar previamente, e com mais de metade das bases norte-americanas na região inutilizadas, a administração Trump optou por uma resposta de força. O Governo autorizou, em regime de urgência, a venda de mais de 8,6 mil milhões de dólares (cerca de 7,3 mil milhões de euros) em armamento para o Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Israel, noticiou o The New York Times.
Ao fim de nove semanas de conflito, o impacto da ofensiva iraniana nas capacidades operacionais dos Estados Unidos é considerável: pelo menos 16 instalações militares, distribuídas por oito países, sofreram danos significativos. Segundo uma investigação da CNN, que cruzou dezenas de imagens de satélite com relatos de fontes governamentais e parlamentares, os projéteis iranianos procuraram, com precisão cirúrgica, sistemas de radar avançados, centros de comunicações e aeronaves. Para um assessor do Congresso, a escolha de Teerão não foi aleatória, mas “notável”, focando-se precisamente nos recursos mais caros, limitados e difíceis de substituir de que o Pentágono dispõe na região.
Entre as chefias militares, o diagnóstico varia. “Desde uma visão bastante dramática, de que toda a instalação foi destruída e precisa de ser fechada, até líderes que afirmam que vale a pena reparar essas estruturas devido à vantagem estratégica que elas proporcionam aos EUA”, afirmou a mesma fonte à cadeia televisiva internacional.
Os aliados regionais onde estão as bases norte-americanas — que têm suportado o peso direto da retaliação iraniana — manifestam, em privado, um crescente descontentamento pela falta de coordenação de Washington, criticando sobretudo a ausência de um aviso prévio sobre a ofensiva. O caso dos Emirados Árabes Unidos é o mais crítico: o país foi alvo de mais de 500 mísseis balísticos e 2.500 drones, uma ofensiva com uma dimensão tão significativa que levou Israel a enviar, de forma discreta, baterias do sistema “Escudo de Ferro” para reforçar a defesa do território dos emirados.
A urgência estende-se também ao Qatar, que solicitou intercetores adicionais por temer o esgotamento dos seus inventários. No âmbito dos novos acordos, Doha vai investir mais de 4 mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros) em mísseis Patriot, cuja disponibilidade global é atualmente escassa. Israel e os Emirados receberão também sistemas de precisão guiados a laser, enquanto o Kuwait garantiu um novo sistema de defesa aérea por 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros).
No centro desta estratégia está o secretário de Estado, Marco Rubio. Ao invocar uma medida de emergência pela terceira vez neste mandato, Rubio contornou o escrutínio do Congresso para viabilizar a “venda imediata” do equipamento. No entanto, a celeridade política colide com a realidade industrial do país: a produção destas munições pode levar anos a concretizar-se. No Pentágono, a ansiedade cresce perante o progressivo esvaziamento dos arsenais americanos, havendo quem tema que o plano para armar os aliados deixe as próprias forças dos EUA desprotegidas.