O ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek, detido na quinta-feira por Israel na flotilha Global Sumud em águas internacionais, iniciou uma greve de fome, adiantou hoje a sua mulher, Sally, à EFE.
A esposa soube desta greve de fome por representantes do consulado espanhol em Telavive, em Israel, que contactou este sábado pela primeira vez com Saif Abukeshek. Juntamente com o ativista brasileiro Thiago Ávila, o palestino-espanhol foi transferido para Israel, após terem sido detidos em águas próximas da Grécia enquanto participavam na flotilha Global Sumud.
O encontro entre os responsáveis do consulado e Saif não durou mais de 10 minutos e serviu para confirmar que ele se encontra bem de saúde, apesar de ter pequenos ferimentos.
Sally assegurou que o seu marido não tinha intenção de chegar a Gaza com a flotilha, mas apenas desempenhar funções de observação.
A sua intenção era prestar serviços logísticos, tal como já fez na primeira frota que partiu de Barcelona há alguns meses, contou.
“Ele está em estado de choque e lamentou que ontem [sexta-feira] fosse o aniversário de uma das suas filhas e não tenha conseguido sequer ligar-lhe para lhe dar os parabéns”, afirmou.
Exigindo a libertação de Saif, que nasceu no campo de refugiados de Askar, em Nablus, a mulher explicou que o ativista vive há anos em Barcelona, em Espanha, consigo e com os três filhos.
“Ele é apenas um ativista humanitário que sempre trabalhou para defender o povo palestiniano”, ressalvou.
Neste sentido, Sally apelou ao Governo espanhol para que faça “tudo o que estiver ao seu alcance” para conseguir a sua libertação e pediu ainda à sociedade civil que exerça pressão através de manifestações em frente às embaixadas e consulados de Israel a fim de pôr fim à “violência que Israel exerce sobre os cidadãos palestinianos”.
A flotilha Global Sumud assegurou hoje que os dois ativistas estão já a ser transportados da Grécia para Israel, onde se prevê que cheguem hoje.
De acordo com um comunicado publicado esta madrugada, Ávila e Abukeshek foram transferidos para o navio israelita Nahshon, tal como os 174 ativistas que navegavam nas 22 embarcações da flotilha intercetadas na noite de quinta-feira, mas, ao contrário dos companheiros, foram retidos nesse local.