Aquilo que parecia difícil há um par de semanas — ou como quem diz de jornadas —, transformou-se depressa num objetivo bastante real. Depois de escorregar em casa do Casa Pia, o Benfica marcou passo e deixou de depender de si para terminar no segundo lugar do Campeonato Nacional e aceder às pré-eliminatórias — algo que pode ainda valer a entrada direta na fase de liga — da próxima Liga dos Campeões. O dérbi de Alvalade pouco mudou nesse aspeto, ainda que a vitória encarnada, conseguida nos descontos, em casa do eterno rival tinha marcado novo ponto de viragem nesta Primeira Liga. A partir daí, as águias cumpriram a sua missão vencendo os seus jogos e aproveitaram os deslizes dos leões para assumirem a segunda posição, com mais dois pontos que o rival e a vantagem no confronto direto em caso de empate.
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Nesse sentido, o Benfica deixou o terceiro lugar cerca de sete meses depois e voltou a ter uma réstia de esperança na reta final da época. Com o calendário longe de ajudar, os encarnados tinham de voltar a ser competentes nas últimas três jornadas do Campeonato, onde iriam tentar segurar o registo de invencibilidade que perdura há mais de um ano. Sem Tomás Araújo e com Dodi Lukebakio a sair da receção ao Moreirense bastante visado por José Mourinho, estavam praticamente certas as mudanças no onze inicial das águias, perspetivando-se ainda o regresso de Amar Dedic à titularidade. A grande dúvida prendia-se com a frente de ataque, já que Franjo Ivanovic continuava de olho no lugar numa altura em que Vangelis Pavlidis continuava em “seca” no que toca aos golos.
“Depois de tanto lutar e de tantos pontos conquistados, chegámos à situação de dependermos apenas de nós. Pode parecer estranho ou até incompreensível, mas preferia precisar dos nove pontos para me qualificar, porque em aparentes situações de menos dificuldade ou maior facilidade, tropeçámos. Já falei com os jogadores sobre este aspeto. Não quero uma equipa a pensar que sete pontos são suficientes. Não quero uma equipa relaxada, mas sim uma equipa pressionada. O Famalicão é uma boa equipa desde o início do Campeonato. Estar em quinto lugar, atrás dos quatro grandes, só é surpresa para quem não está atento. São efetivamente uma boa equipa, com ambição de se qualificar para uma das duas provas europeias ao seu alcance. Seguramente têm a ambição de ganhar ao Benfica. É um jogo difícil para nós e um jogo difícil para eles. O Benfica é tão favorito como o Sporting era favorito há um par de semanas. A equipa que vai à frente e que depende de si própria tem sempre a vantagem de não ter de se preocupar com o adversário”, assumiu o Special One.
Ficha de jogo
Famalicão-Benfica, 2-2
32.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio Municipal de Famalicão
Árbitro: Gustavo Correia (AF Porto)
Famalicão: Lazar Carevic; Rodrigo Pinheiro, Léo Realpe, Justin de Haas, Rafa Soares; Tom van de Looi, Gustavo Sá, Mathias de Amorim (Pedro Santos, 90+3’); Gil Dias (Roméo Beney, 72’), Sorriso e Simon Elisor (Umar Abubakar, 72’)
Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin; Gustavo Garcia, Marcos Peña, Pedro Bondo, Matheus Mattara e Antoine Joujou
Treinador: Hugo Oliveira
Benfica: Anatoliy Trubin; Amar Dedic, António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl; Richard Ríos, Fredrik Aursnes; Gianluca Prestianni (Enzo Barrenechea, 57’), Leandro Barreiro, Andreas Schjelderup (Alex Bah, 71’); Franjo Ivanovic (Rafa Silva, 84’)
Suplentes não utilizados: Samu Soares; Bruma, Giorgi Sudakov, Dodi Lukebakio, Vangelis Pavlidis e Manu Silva
Treinador: José Mourinho
Golos: Schjelderup (g.p, 13’), Ríos (19’), De Amorim (67’) e Abubakar (78’)
Ação disciplinar: amarelo a Sá (73’), Rodrigo (83’), Trubin (90+9’) e Ríos (90+12’), vermelho a Otamendi (53’)
Os famalicenses chegaram a este embate com as águias ainda a lutar com o Sp. Braga pelo quarto lugar e em posição favorável para chegar às competições europeias na próxima época. Para além disso, o Famalicão não perdia em casa desde 27 de dezembro, altura em que caiu frente ao Estrela da Amadora (2-3). A última derrota distava de há nove jogos, desde a visita a Alvalade, em fevereiro (0-1). “A nossa forma de estar é jogar sempre para ganhar. Este não é diferente, é um jogo da Liga. Se essa é a nossa forma de estar e o nosso objetivo, este é mais um jogo em que vamos entrar dessa maneira. É um jogo difícil. Encontramos um adversário fortíssimo, quiçá no melhor momento da época, próximo dos objetivos e que sabe que todos os pontos vão ser fundamentais, mas também queremos desfrutar de cada momento. Uma das maiores vitórias que temos é o facto de sentirmos que os adeptos, quando vai começar um jogo do Famalicão, não dão um resultado de borla. Não assinam empate em jogo nenhum”, explicou Hugo Oliveira.
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José Mourinho apresentou quatro novidades em Vila Nova de Famalicão, por conta de ter rodado o ataque na última jornada, frente ao Moreirense. No duelo desta 32.ª ronda, Gianluca Prestianni, Andreas Schjelderup e Franjo Ivanovic renderam Dodi Lukebakio, Rafa Silva e Vangelis Pavlidis no ataque, ao passo que Amar Dedic voltou à defesa, relegando Alex Bah para o banco de suplentes. Já Hugo Oliveira fez apenas uma alteração e forçada, já que Ibrahima Ba se encontra lesionado, tendo uma entorse no joelho direito. Nesse sentido, o treinador de 46 anos optou por lançar Léo Realpe no centro da defesa, ao lado de Justin de Haas.
O jogo começou a todo o gás, com as equipas a mostrarem-se bastante agressivas na luta pela bola e a equilibrarem as operações na toada inicial. Pouco depois, o Benfica foi feliz na primeira vez que chegou à baliza de Lazar Carevic, mas o golo de cabeça de Ivanovic foi invalidado por fora de jogo (8′). No lance seguinte, o croata foi derrubado por Realpe já dentro da área famalicense e, depois de ver as imagens, o árbitro Gustavo Correia assinalou a grande penalidade. Na cobrança, Schjelderup atirou forte para a sua esquerda, Carevic ainda adivinhou o lado, tocou na bola, mas não conseguiu travar o primeiro golo das águias (13′). Com o Famalicão longe de se instalar no jogo e conseguir responder à forte entrada, as águias continuaram tranquilas e a procura o golo que apareceu seis minutos depois, com Schjelderup a desequilibrar, uma vez mais, com um movimento da esquerda para o meio e a servir Richard Ríos que, completamente sozinho à entrada da área, atirou para o 0-2, com a bola a tabelar ainda em Realpe, enganando Carevic (19′). Logo a seguir, Ivanovic isolou-se com um grande drible e picou perante a saída do guarda-redes montenegrino, mas De Haas apareceu a tempo de impedir o terceiro (21′).
A resposta do Famalicão apareceu já na parte final do primeiro tempo e de bola parada, com Rafa Soares a cobrar um canto na esquerda para o desvio de Sorriso, com a bola a sobrar para o segundo poste, onde Gustavo Sá, com a frente ganha a Samuel Dahl, apareceu a desviar por cima quando tinha tudo para fazer melhor (38′). Perante a reação adversário e com a vantagem confortável no marcador, o Benfica foi deixando de arriscar com o passar dos minutos e passou a controlar com e sem bola, baixando ligeiramente o bloco. Na compensação do primeiro tempo, Fredrik Aursnes arrancou pela meia-esquerda e serviu Ivanovic que, depois de romper, travar e puxar para dentro, desferiu um remate forte de pé direito que saiu a rasar o poste mais distante (45+1′). Desta forma, a vantagem encarnada continuou tranquilamente a imperar ao intervalo (0-2).
O recomeço voltou a trazer um Benfica mandão e superior, mas essa tendência desapareceu rapidamente, depois de Nico Otamendi ter sido expulso por uma entrada muito dura sobre Mathias de Amorim, no meio-campo do Famalicão e num lance sem qualquer perigo (55′). José Mourinho respondeu de pronto à desvantagem numérica e lançou Enzo Barrenechea no centro da defesa, retirando Gianluca Prestianni. Logo a seguir, Gustavo Sá apareceu sozinho ao segundo poste a completar um cruzamento de Sorriso, mas a sua cabeçada saiu ao lado (58′). Depois de um período de paragem devido à lesão do árbitro assistente Fábio Silva, que foi substituído pelo quarto árbitro Diogo Araújo. No reatamento, Léo Realpe redimiu-se dos golos encarnados e aproveitou o espaço do bloco forasteiro para galgar metros e desferir um grande passe para a esquerda, onde Mathias de Amorim apareceu a dominar para dentro e a desferir um remate rasteiro, de pé direito, para o 1-2 (67′).
Com o jogo relançado, Mourinho encostou ainda mais a sua equipa junto à sua baliza, colocando Alex Bah no lugar de Andreas Schjelderup. Hugo Oliveira aproveitou a mesma paragem para mexer no ataque, colocando Umar Abubakar e Roméo Beney nos lugares de Gil Dias e Simon Elisor. Logo a seguir, Sorriso cobrou um canto na esquerda à maneira curta, De Amorim recebeu sem marcação e cruzou para o primeiro poste, onde Abubakar fogiu a António Silva e a Enzo e desviou para o empate, antes de Trubin chegar (78′). Na reta final da partida, o Special One abdicou da referência ofensiva ao lançar Rafa Silva no lugar de Franjo Ivanovic, procurando ferir o Famalicão através de ataques rápidos. Na compensação, Oliveira colocou Pedro Santos no lugar de De Amorim, numa altura em que o Benfica fechava com tudo em buscar de sair de Vila Nova de Famalicão com um importante ponto no bolso. Ainda assim, a vitória famalicense esteve perto de aparecer, depois de Rodrigo Pinheiro ter desferido um grande remate, de fora da área, que embateu em cheio na trave da baliza de Anatoliy Trubin, desviando depois nas costas do ucraniano antes de sair para fora (90+10′).