O Chega vai propor a constituição na Assembleia da República de uma comissão parlamentar de inquérito à Operação Influencer para “verificação de atos de corrupção” no último Governo de António Costa.
O anúncio foi feito pelo líder do Chega, André Ventura, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, depois de se ter reunido com os membros do seu “governo sombra”.
“O Chega vai, na segunda-feira, avançar com uma comissão de inquérito que procure escrutinar as influências indevidas sobre a exploração destes negócios, o uso de entidades externas indevidamente para a obtenção de benefícios privados ou de exercício de influência indevida, e também para a verificação de atos de corrupção no último Governo de António Costa”, afirmou.
André Ventura disse esperar que esta comissão de inquérito “possa ser aprovada e viabilizada de forma consensual na Assembleia da República”, e adiantou que, se não for aprovada, o Chega forçará a sua constituição.
O líder do Chega afirmou que os “dados conhecidos na última semana foram particularmente importantes porque mostraram não só que o ex-primeiro-ministro António Costa mentiu aos portugueses, como, em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país, como é o caso do lítio, do hidrogénio, das centrais de dados e da gestão de dados, o ex-primeiro-ministro, mas também outros dirigentes socialistas mentiram ao país”.
O líder do Chega disse querer chamar ao parlamento não só António Costa, como “os antigos ministros e responsáveis pelas pastas, direta ou indiretamente, bem como os envolvidos naquele que parece ser um esquema de influência ilícita sobre os recursos nacionais”.
André Ventura apelou aos partidos que defenderam um inquérito parlamentar sobre a empresa do atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, que votem favoravelmente a sua proposta, considerando “incompreensível que alguns achem que num caso valia a pena uma comissão de inquérito e, noutro caso, não valia a pena”.
Notícias divulgadas na semana passada referem que António Costa falou com o amigo Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus, em Sines, contrariando a versão apresentada em novembro de 2023 pelo ex-primeiro ministro, que havia garantido que “nunca, em circunstância alguma” tinha falado com Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus.
A TVI/CNN indicou, na noite de segunda-feira, que a Polícia Judiciária (PJ) tem na sua posse a escuta de uma conversa entre ambos que, alegadamente, ocorreu na véspera de Natal de 2022, quando o consultor do data center ligou ao então primeiro-ministro para lhe dar conta da “dinâmica extraordinária” do projeto de Sines.