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(A) :: Viagens, fast-food, carros a combustão, carne. Amesterdão proíbe publicidade a produtos derivados de combustíveis fósseis

Viagens, fast-food, carros a combustão, carne. Amesterdão proíbe publicidade a produtos derivados de combustíveis fósseis

Proibição de publicidade a este tipo de bens e serviços no espaço público entra em vigor esta sexta-feira, depois de ter sido aprovado uma proposta apresentada por dois partidos ambientalistas.

Tiago Caeiro
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Viagens de avião, fast-food, carros a combustão, cruzeiros. A publicidade a estes produtos, símbolos das sociedades ocidentais, preenche o espaço público das cidades europeias. No entanto, a partir deste dia 1 de maio, uma grande metrópole da Europa vai deixar de exibir a publicidade a estes produtos: Amesterdão. O novo regulamento, aprovado em fevereiro, proíbe anúncios de produtos derivados de combustíveis fósseis e carne. A medida faz parte dos esforços levados a cabo pela cidade para desincentivar o consumo e compra de bens ou serviços associados a altas emissões de carbono.

Desta forma, anúncios de produtos e serviços como combustíveis fósseis, automóveis movidos a gasolina ou gasóleo, viagens aéreas e cruzeiros ficarão fora dos espaços públicos da capital dos Países Baixos. A proibição estende-se ainda à publicidade a carne bovina, frango, carne suína, devido aos danos ambientais causados ​​pela pecuária.

A medida abrange os espaços públicos da cidade, incluindo outdoors, paragens de autocarro e publicidade nos transportes públicos. De fora da proibição, ficam as lojas privadas e os meios de comunicação como jornais, rádio e publicidade online.

https://observador.pt/2025/07/24/associacao-zero-defende-proibicao-de-publicidade-a-combustiveis-fosseis/

A medida, que entra em vigor esta sexta-feira, foi aprovada depois de uma proposta conjunta dos partidos GroenLinks (ecologista) e Partij voor de Dieren (partido de defesa dos animais), que se caracterizam pela defesa de políticas orientadas para a redução da pegada ambiental e promoção de uma agenda climática mais ambiciosa. “Se gastamos muito dinheiro dos impostos e temos muitas políticas para tentar controlar as mudanças climáticas em Amesterdão, porquê alugar os seus espaços públicos para exatamente o oposto?”, questiona Anneke Veenhoff, vereadora municipal do GroenLinks.

A medida aprovada a nível local em Amesterdão não é a inédita nos Países Baixos. Em 2024, uma lei semelhante entrou em vigor em Haia, a capital política do país. Nesse mesmo ano, lembra o New York Times, uma associação holandesa do setor de turismo e diversas agências de viagens entraram com uma ação judicial, argumentando que a proibição era um abuso de poder que violava as normas de liberdade de expressão e a legislação de defesa do consumidor da União Europeia. Mas o juiz decidiu a favor da cidade, considerando que a saúde dos cidadãos e o clima eram mais importantes do que os interesses comerciais. Entretanto, medidas semelhantes foram adotadas noutras cidades neerlandesas, como Utrecht, Haia,, Delft e Nijmegen.

A cidade de Amesterdão também está a incentivar os munícipes a comerem menos carne e estabeleceu como meta que os moradores obtenham 60% de suas proteínas de fontes vegetais até 2030.