Seis dias depois do hexacampeonato, o dérbi de Lisboa voltou aos grandes palcos. Depois de, na primeira volta, Sporting e Benfica tirem pisado o relvado do Estádio José Alvalade, esta sexta-feira foi a vez de as rivais subirem ao anfiteatro encarnado, com o Estádio da Luz a servir de epicentro à entrega da taça de campeão nacional à formação da casa. As inspiradoras chegaram ao dérbi invictas e com apenas três empates, pelo que queriam utilizar o jogo frente às leoas para prolongarem a invencibilidade e ficarem a uma jornada de terminarem o Campeonato sem derrotas, algo que só aconteceu na época passada. Por outro lado, a turma de Alvalade pouco tinha por jogar, dado que o lugar na qualificação da Liga dos Campeões estava assegurado.
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“Será muito difícil haver alguma equipa, nas próximas décadas, a ganhar seis Campeonatos consecutivos como o Benfica fez e da forma como fez. Por isso, o mérito está cá. É um trabalho que se tem feito nos últimos anos, não foi só neste. Nós continuamos o nosso caminho, temos um campeonato para terminar e temos uma final da taça. Quando a próxima época iniciar, será com a mesma ambição que iniciámos esta temporada e com a ambição de dar seguimento a um caminho bonito que o clube tem feito no futebol feminino ao longo dos últimos anos. O Benfica será sempre candidato a ganhar todos os títulos em Portugal e assim continuará no próximo ano. Não foi uma época ao nível daquilo que gostaríamos de ter tido. Queríamos ter ganhado os quatro troféus a nível nacional. Queríamos ter seguido em frente na Liga dos Campeões”, assumiu Ivan Baptista.
“Preparámos [o jogo] pelas duas vertentes: a emocional e também a estratégica. Para nós é mais um jogo. Estamos focados no objetivo que temos. Coincide com a festa do título do Benfica e, por isso, aproveito para dizer que é um título merecido, porque foram mais competentes do que nós. Quebrar a invencibilidade? Se já aconteceu, pode voltar a acontecer. Vamos fazer de tudo para que seja um bom espetáculo de futebol e que o Sporting conquiste os pontos que deseja. Sabemos que vai ser um ambiente diferente, porque é de atribuição do título ao Benfica e, por isso, o aspeto emocional vai ser importante. Aquém das expectativas? Sim, claro que sim. Estar no Sporting é para conquistar títulos e nós não o conseguimos. Começamos a dar passos na construção do futuro do Sporting. Acredito que esta juventude, daqui a dois ou três anos, será determinante para ganhar”, antecipou Micael Sequeira.
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Para este dérbi, o Benfica entrou em campo com Lena Pauels na baliza e uma defesa a quatro composta por Catarina Amado, Carole Costa, Diana Gomes e Marit Lund. No meio-campo, Pauleta, Caroline Moller e Anna Gasper foram as escolhidas de Baptista, que lançou Lúcia Alves e Nycole Raysla nas alas, no apoio à ponta de lança Diana Silva. Já o Sporting arrancou com Georgia Eaton-Collins, Mackenzie Cherry, Ashley Barron e Érica Cancelinha à frente da guarda-redes Julia Wozniak. No miolo, Sequeira contou com Brenda Pérez, Joana Martins, Cláudia Neto e Jeneva Hernandez-Gray, ao passo que Carolina Santiago e Telma Encarnação foram as referências ofensivas.
As hexacampeãs nacionais tiveram uma entrada forte e afirmativa no jogo e, já depois de Diana Silva ter testado Wozniak, adiantou-se no marcador, numa altura em que muitos espectadores ainda se encontravam no exterior do Estádio da Luz, por conta do reduzido número de portas abertas para o acesso às bancadas, algo que tem sido recorrente nos da equipa feminina no principal anfiteatro do clube. As inspiradoras recuperaram a bola em zona subida por conta da sua pressão, Moller cruzou atrasado e, à entrada da área, Lund desferiu um grande em remate em arco para o golo inaugural (5′). A partir daí, o Benfica continuou a criar ocasiões de perigo, mas a guarda-redes polaca voltou a travar uma nova tentativa de Diana Silva (14′). Na resposta, Telma isolou-se e empatou a partida, mas estava em posição irregular pelo que o golo foi invalidado (18′).
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O dérbi continuou aberto e com as equipas ao ataque e, depois de um passe da direita, Moller apareceu solta no interior da área, mas o seu remate voltou a ser parado pela jovem guarda-redes leonina (24′). Logo a seguir, um mau alívio das centrais sportinguistas colocou de novo a bola nos pés da dinamarquesa, que desferiu um remate rasteiro para nova defesa de Wozniak, em contrapé (28′). A fechar a primeira parte, Joana Martins tirou um cruzamento para a zona da pequena área, onde Cherry apareceu a cabecear para o empate, com Diana Gomes a falhar o corte em cima da linha de baliza (45′). Na compensação, um corte com o braço de Joana Martins acabou por traduzir-se numa grande penalidade favorável ao Benfica, que terminou com Carole a atirar rasteiro e colocado para o 2-1 (45+6′).
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Na etapa complementar a espetacularidade decaiu, com o Benfica a conservar a vantagem pela margem mínima e o Sporting a esperar pela parte final para tentar pontuar. Nesse sentido, as entradas de Daniela Arques, Flor Bonsegundo, Chandra Davidson, Clarinha, Beatriz Fonseca e Carla Armengol pouco impacto tiveram, já que a primeira tentativa com perigo saiu de um cabeceamento de Davidson que acabou nas mãos de Julian Wozniak (78′). Pouco depois foi a vez de Beatriz Cameirão render Pauleta e, no lance seguinte, Diana Silva fugiu à defensiva sportinguista com um movimento da esquerda para dentro e, já dentro da área, atirou à barra da baliza da polaca (83′). Nos últimos minutos do dérbi, Andreia Bravo desferiu um remate de longe que saiu por cima (88′) e, no lance seguinte, Diana voltou a aparecer em grande no ataque encarnado e serviu Chandra com um passe em amorti que caiu no centro da área, com a canadiana a aproveitar a passividade da defesa leonina para fazer o 3-1 (89′).
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Até ao fim ainda houve tempo para Diana Silva desperdiçar o seu golo depois de um cruzamento da direita, mas a sua conclusão em zona frontal, na pequena área, saiu ao lado (90+1′). Essa acabou por ser a última oportunidade de um jogo que terminou com as campeãs nacionais a serem apresentadas uma a uma no relvado da Luz, antes de receberem as medalhas e o troféu de campeãs nacionais (3-1). No que respeita à classificação, o Benfica tem agora 11 pontos de vantagem para o eterno rival e não perde no Campeonato Nacional desde 14 de abril de 2024, precisamente frente ao Sporting (fora, 1-3).