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Comissão Política do PS estreia-se sem críticos internos e com Governo como único alvo

Atraso nos apoios às vítimas das tempestades foi principal ponto de crítica ao Governo, numa reunião onde vozes menos alinhadas com a direção estiveram ausentes.

Rita Tavares
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A nova Comissão Política do PS fez a sua primeira reunião pós Congresso e na sua nova composição. É o órgão mais falado nos últimos tempos, dada a recusa de Duarte Cordeiro em fazer parte, ao contrário de outros desalinhados com a atual direção socialista que optaram por integrar o órgão de direção mas acabaram por faltar à estreia. A reunião acabou por não ter críticas a não ser ao Governo.

No final de uma reunião um dirigente socialista comentava com o Observador se era a ausência de nomes como Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva ou Ana Catarina Mendes que tinha feito desaparecer as críticas ou se a falta dessas figuras tinha acontecido precisamente por não ser o momento para essas críticas.

O que é certo é que Carneiro passou incólume na primeira reunião do órgão de direção intermédio que ficou debaixo dos holofotes na última semana, depois da desistência de Duarte Cordeiro em integrá-lo — levantando a suspeita da preparação de uma via alternativa à de Carneiro no PS. “Foi uma reunião focada para fora e quando assim é é porque está tudo tranquilo“, disse a mesma fonte ouvida pelo Observador.

A reunião acabou por ser um desfile de críticas ao Governo, sobretudo pelos atrasos nos apoios às populações afetadas pelas tempestades deste inverno, com especial destaque para a intervenção do presidente da Câmara de Leiria que faz parte deste órgão.

Gonçalo Lopes foi, segundo fontes presentes na reunião ouvidas pelo Observador, particularmente crítico do Governo que acusou mesmo de estar a fazer um tratamento diferenciado entre municípios consoante a cor política, de acordo com um dos presentes ouvidos pelo Observador.

Na sua intervenção inicial, Carneiro já tinha apontado o mesmo problema de atraso nestes apoios e a execução “ínfima” dos apoios anunciados há três meses. No final da reunião o secretário nacional Filipe Santos Costa disse que o PS vai apresentar um projeto resolução, no Parlamento, para vincular os governos à execução do PTRR anunciado esta semana e que tem um horizonte de nove anos. O Plano, disse, é “apenas um embrulhar do que já existe”, classificando o documento de “pouco denso”  e de ser o 25º plano do Governo: “É um plano a cada 15 dias”

Além do PTRR, Carneiro falou na “insensibilidade” do primeiro-ministro que esta quinta-feira mostrou despreocupação com o aumento da inflação. À entrada da reunião, o secretário-geral já tinha dito que Montenegro estava “desligado da realidade” e acabou por repeti-lo perante os membros da CPN.

Também lhes disse que o PS não é oposição, mas alternativa e que deve ter a habitação como prioridade, relatou fonte do partido ao Observador. Depois alinho uma série de críticas à atuação do Governo em vários domínios, apontando os problemas da competitividade da economia, por exemplo, mas também às situações difíceis na Saúde, onde recordou que o PS tinha uma reforma em curso que foi interrompida. Disse também que o falhanço que vê nesta área, por parte do Governo, tem como maior prova a intervenção do Presidente da República que vai tentar promover um consenso nesta área.

Em véspera de 1º de Maio, onde vai estar na rua, Carneiro também tocou na reforma laboral. mas guardou o essencial para o dia seguinte. Ainda asim, no final da reunião, Filipe Santos Costa ainda respondeu a uma pergunta dos jornalistas sobre a frase do primeiro-ministro, no debate quinzenal, admitindo que “o país não acaba” se não existir esta reforma. “Parece finalmente reconhecer que a reforma laboral não é uma prioridade nem para os trabalhadores, nem para a maioria das forças políticas, nem para as demais entidades em concertação social. Não sendo prioridade para o próprio primeiro-ministro vemos um recuo que temos de saudar e que vem ao encontro do PS”.