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(A) :: O primeiro dia do resto da vida de Rui e da terceira versão do novo leão: Varandas garante que "15 dias não são preponderantes numa decisão"

O primeiro dia do resto da vida de Rui e da terceira versão do novo leão: Varandas garante que "15 dias não são preponderantes numa decisão"

Depois de meses de negociações, Borges continua a ser uma das figuras do projeto de Varandas. Técnico vai continuar ligado aos leões até 2028. Presidente diz que não toma decisões "por marés".

Tiago Gama Alexandre
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Era a notícia mais aguardada no universo leonino a 14 de março, dia das últimas eleições do clube. Mais de mês e meio depois, viu agora a luz do dia… e a confirmação oficial. Rui Borges vai continuar no cargo de treinador do Sporting até junho de 2028, depois de ter renovado contrato esta sexta-feira. A ligação entre o treinador transmontano e o clube de Alvalade foi, assim, prolongada por mais uma temporada e cerca de um ano depois de a extensão no seu contrato ter sido ativada até 2027 por conta da conquista do título de campeão nacional. Nesse sentido, o novo vínculo contempla um aumento no salário de Rui Borges, que vai passar de 500 mil euros para cerca de um milhão.

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Quis o destino que fosse no Dia do Trabalhador que a renovação de contrato de Rui Borges fosse confirmada por Frederico Varandas, depois de várias semanas de indecisão e muita especulação. Sabe-se agora que, apesar do timing estar longe de ser o melhor, já que o Sporting leva cinco jogos consecutivos sem vencer, a extensão do contrato estava acertada desde meados de dezembro do ano passado, altura em que começaram as negociações entre a SAD e o treinador. As eleições do passado dia 14 de março interromperam o processo, que foi concluído após o ato eleitoral que levou à recondução de Varandas para um terceiro mandado na liderança do Sporting. Em cima da mesa chegou a estar a opção de Borges assinar até 2029, mas as partes envolvidas optaram por 2028. Certo é que Rui Borges continua a ser uma das figuras centrais no projeto que Frederico Varandas quer continuar a implementar em Alvalade.

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Foi em pleno Estádio José Alvalade, junto à mítica Porta 10A, que o presidente e o treinador oficializaram a tão esperada renovação. Varandas foi o primeiro a usar da palavra, explicando o que aconteceu ao longo das últimas semanas. “Estamos aqui a celebrar a renovação de contrato de Rui Borges e da sua equipa técnica por mais um ano. Ainda agora Rui Borges e a sua equipa técnica vinham a recordar que estão no Sporting há 16 meses. Há quem valorize muito os resultados dos 15 dias, há quem valorize muito o trabalho dos primeiros 15 meses e meio, a conquista do bicampeonato, da dobradinha, a melhor campanha europeia de sempre na Liga dos Campeões, o recorde de vitórias seguidas em Alvalade, a chegada às finais da Taça da Liga e da Supertaça, onde o Sporting perdeu na decisão. Percebo que, em 16 meses de trabalho, há quem valorize mais uns aspetos que outros. Nós, administração, valorizamos sobretudo o sucesso de trabalho, muito mais que os resultados, os troféus e as finais perdidas”, começou por dizer o líder leonino.

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“A renovação de um contrato é um ato para o futuro do clube. Jamais renovamos com um treinador a pensar nos troféus do passado. O processo é o critério mais decisivo para continuarmos a achar que o Sporting tem futuro, na decisão dos títulos. Para além disto existe um lado comportamental e humano que valorizamos muito. Rui Borges é um homem sério, intelectualmente honesto, livre, que protege os seus e que valorizo muito quando se fala de comunicação. Comunica pela sua cabeça. Valorizamos isto e, por isso, Rui Borges é e continuará a ser o treinador do Sporting”, completou Varandas antes de começar a responder às perguntas dos jornalistas: “Na administração não tomamos decisões por marés. Não navegamos à vista nem ao sabor do que estão a dizer. O Sporting navega com uma base de convicções e a acreditar em processos de trabalho. Timing? Quando renovei com um grande treinador que passou por esta casa [Ruben Amorim], nem sequer estávamos em quinto. Não são 15 dias que tomam um fator preponderante numa decisão”.

“Benfica? Não temos nada a ver com o nosso rival. O clube é diferente, os dirigentes são diferentes, a massa associativa é diferente… não há qualquer paralelo e não tenho nada a ver com o que se passa na casa do rival. Expectativa? Queremos que o Rui Borges e a sua equipa continuem a manter a equipa ao mais alto nível, como o têm feito, na luta e na decisão dos títulos. Umas vezes ganharemos, umas vezes perderemos. Queremos é estar nas decisões e este ano voltámos a estar nas decisões. Desde que assumi este cargo que não tenho medo de perder. Estou tranquilo com as decisões tomadas. Percebo muito bem o adepto, mas enquanto estiver aqui, jamais pensarei e decidirei com um adepto. Objetivos? Continuar a ser o que temos sido. Não me esqueço que este é o grupo mais vencedor dos últimos 70 anos de Sporting. Mercado de janeiro? É um clássico… o Sporting arranca os Campeonatos mal porque faz um mercado mau. Este ano o mercado de janeiro foi o culpado. O ‘insucesso’ [faz sinal de aspas com as mãos, ndr] desta época é resultado do sucesso desta época. O Sporting chegou aos quartos da Champions… se o Sporting não tivesse passado o Bodö/Glimt, tínhamos o tricampeonato na mão”, adiantou Varandas, que continuou a explicar os motivos por trás do insucesso desportivo nas últimas semanas.

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“Quando olhei para o adversário da Champions [Arsenal] e do Campeonato [Benfica], percebi o que ia acontecer. Se tivessemos jogado contra um Estrela da Amadora, teríamos sobrevivido. Será que temos plantel, qualidade e profundidade para ganhar a Liga, a Taça de Portugal e ir às meias-finais da Liga dos Campeões? Na minha opinião não. Se olharmos às equipas que chegaram aos oitavos, Arsenal e Atl. Madrid perderam duas vezes, Real Madrid hipotecou o campeonato e o PSG perdeu em casa com o Lyon. Estas equipas têm maus plantéis e maus departamentos médicos? Não vejo assim. Janeiro? Continuamos a ter o plantel mais valioso. À data de hoje o plantel é 5% mais valioso do que era quando Rui Borges chegou, mesmo com Viktor Gyökeres. Se este plantel é fraco, o dos nossos rivais ainda é mais fraco. FC Porto? Mérito do nosso rival porque percebeu as suas competências e as suas limitações, jogando só para um troféu. Foi eliminado por uma equipa que está a lutar para continuar na Premier League e foi eliminado por um Sporting a 50%. Dou os parabéns aos profissionais do FC Porto, que tiveram muito mérito. Acima disso coloco a forma de estar na vida, que está muito acima das vitórias”, afirmou.

Questionado sobre as leões que têm assolado o seu plantel, Frederico Varandas explicou que, em média, uma equipa que está nas competições europeias sofre “40 a 50 lesões por ano”. “Em Espanha, o Real Madrid teve, nas duas últimas época, 118 lesões, Barcelona 82 e Atl. Madrid 65. O Sporting está abaixo da média. O Sporting tem um número muito reduzido de lesão muscular, que é a única que se consegue controlar de alguma forma. A maioria das lesões são traumáticas e não há nenhuma prevenção”, concluiu o presidente.

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