As filas estendiam-se pelos aeroportos de todo o país e milhares de funcionários federais estavam em risco de ficarem com salários em atraso. Foram estes os resultados mais visíveis da paralisação parcial que afetou os serviços e agências do Departamento de Segurança Nacional (DHS) durante os últimos 75 dias. O shutdown, causado por um bloqueio do Congresso à alocação de novos fundos para o Departamento, chegou esta quinta-feira ao fim, depois de bater o recorde da paralisação mais longa de uma agência.
Ao 76.º dia, a Câmara dos Representantes aprovou, através de um voto por voz, o financiamento do DHS — com várias limitações e com alguns “nãos” audíveis na bancada republicana. Depois de assinada por Donald Trump — o projeto já foi aprovado no Senado e a assinatura presidencial espera-se célere —, a lei permitirá repor os fundos a agências como a Guarda Costeira, o Serviço Secreto, a Administração de Segurança nos Transportes (TSA, na sigla em inglês) ou a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), mas não aos diferentes serviços de imigração, incluindo a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e a Guarda Fronteiriça, detalha a imprensa norte-americana.
Os limites ao financiamento justificam-se com o mesmo motivo que levou ao bloqueio, no início de fevereiro. O travão ao financiamento foi imposto pelo Partido Democrata depois das ações violentas do ICE no início de 2026, com destaque para os raides no Minnesota, que acabaram com protestos, confrontos e a morte de dois civis às mãos dos agentes de imigração.
https://observador.pt/especiais/ice-em-minneapolis-e-o-laboratorio-para-trump-testar-os-limites-do-seu-poder/
A decisão desta quinta-feira, que continua a limitar o financiamento destas agências, é, portanto uma vitória para o Partido Democrata. Vários representantes do Partido Republicano votaram ao lado dos democratas, depois de semanas de um braço de ferro com a liderança do Partido e um coro de críticas crescentes ao presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, avança a CNN, que cita fontes com conhecimento da dinâmica interna do Partido. A decisão de aprovar o financiamento parcial terá sido tomada durante uma reunião na manhã desta quinta-feira, horas antes da votação.
Contudo, o Partido Republicano não desistiu de aprovar novos fundos para o ICE e alguns outros serviços de imigração. Na quarta-feira, a Câmara dos Representantes aprovou uma proposta para para um orçamento alternativo para estas agências, que pode permitir um financiamento alternativo,durante o resto do mandato de Donald Trump. “Aprovámos a resolução do orçamento. Isto é muito importante, porque garante que a segurança nas fronteiras e as autoridades de imigração continuam hoje e no futuro”, declarou Mike Johnson aos jornalistas, depois da votação. “Os democratas não conseguiram nada com as suas charadas políticas e as suas artimanhas”, atirou.
[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]
