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Morreu o artista plástico alemão Georg Baselitz aos 88 anos

Nascido em 1938 na Alemanha nazi e criado sob a ditadura da Alemanha Oriental, Baselitz deixa seis décadas de obra exposta nos maiores museus do mundo.

Agência Lusa
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O pintor, desenhador, gravador e escultor alemão Georg Baselitz morreu esta quinta-feira, aos 88 anos, anunciaram os principais meios de comunicação alemães e confirmou à AFP a galeria Thaddaeus Ropac.

Georg Baselitz, que “influenciou profundamente os seus contemporâneos e os artistas que se seguiram, morreu tranquilamente”, declarou a galeria que o representava, em comunicado.

Nascido na Alemanha nazi, Baselitz, que cresceu sob o regime totalitário da Alemanha Oriental, deixa uma obra que abrange seis décadas, explorando todas as técnicas em formatos de grandes dimensões.

Hans-Georg Bruno Kern, nascido em 1938 em Deutschbaselitz, não muito longe de Dresden, na Saxónia, adotou em 1961 o pseudónimo de Georg Baselitz em referência à sua cidade natal.

As suas obras ecoam os traumas da história alemã, nomeadamente a série “Os Heróis” (“Die Helden”), criada por Baselitz entre 1965 e 1966, uma das criações mais cruas e emblemáticas da arte alemã do pós-guerra, sobre a quebra do mito do herói e a representação visual da desorientação de uma nação traumatizada pelo nazismo e pela destruição.

Também ficou conhecido pelas pinturas com os dedos, além dos quadros-fraturas e pelos quadros russos, presentes nesta quinta-feira nas coleções públicas mais prestigiadas do mundo, e apresentadas sobretudo em exposições em Berlim, Munique, Nova Iorque, Veneza, Paris e Hong Kong.

Baselitz iniciou o seu trabalho em 1969 sobre a inversão do motivo, cujo primeiro quadro seria “Der Wald auf dem Kopf” (“A Floresta de Cabeça para Baixo”, em tradução livre).

Todos os temas do seu repertório pessoal serão então repensados – personagens, árvores, casas – para afirmar a primazia do olhar sobre o tema, num trabalho inspirado tanto no expressionismo alemão como na pintura americana de Jackson Pollock e de Willem de Kooning.

Em Paris, a sua carreira teve um duplo coroamento na última década, com a sua eleição para a Academia de Belas-Artes, em 2019, seguida de uma grande exposição retrospetiva em 2021, no Centro Georges Pompidou, em Paris, um dos principais museus europeus de arte moderna e contemporânea.

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