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O júri da edição deste ano da Bienal de Veneza, considerado o evento mais importante do mundo da arte e que decorre entre maio e novembro em Itália, demitiu-se esta quinta-feira, a apenas nove dias da abertura, após a polémica gerada pela decisão de excluir artistas de países acusados de crimes contra a humanidade, nomeadamente Israel e Rússia.
Num comunicado publicado no e-flux, os cinco membros do júri, liderados pela curadora brasileira Solange Farkas, limitaram-se a anunciar a demissão “em conformidade” com a decisão tomada a 23 de abril de não atribuir distinções a artistas de países cujos líderes estejam sob investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI).
Embora não tenham sido mencionados quaisquer países na nota, o TPI emitiu mandados de detenção contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, por alegados crimes de guerra relacionados com os ataques de Israel à Faixa de Gaza. Também o Presidente russo, Vladimir Putin, é alvo de um mandado de detenção pelos crimes de guerra na Ucrânia.
No último domingo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita acusou a Bienal, numa publicação na rede social X, de ter transformado o evento “de um espaço artístico aberto e livre num espetáculo de falsa doutrinação política anti-Israel“. O escultor Belu-Simion Fainaru, que representa o país nesta edição, chegou a consultar os advogados sobre a decisão do júri.
https://twitter.com/IsraelMFA/status/2048498283660693827
Fainaru, de 66 anos, reagiu à demissão do júri, considerando que a decisão de excluir Israel foi discriminatória. “Sou um artista e tenho direitos iguais. Não posso ser julgado por pertencer a um país ou a uma raça“, afirmou, citado pelo New York Times, defendendo que o seu trabalho deve ser avaliado apenas pela qualidade e pela mensagem.
O artista acrescentou que a situação lhe recordou o que aconteceu ao seu pai na Roménia durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi impedido de lecionar numa universidade. “Não pensei que a discriminação pudesse acontecer comigo ou com qualquer outro artista a trabalhar hoje em Itália”, disse.
https://observador.pt/2026/03/18/representante-de-portugal-na-bienal-de-arte-de-veneza-contra-participacao-da-russia-e-de-israel/
Alexandre Estrela, representante de Portugal no festival, já se tinha mostrado contra a participação da Rússia e de Israel no certame, expressando solidariedade “com os povos oprimidos”. “Não me revejo, e a equipa toda não se revê, neste apoio e neste silêncio [do Governo português] tanto ao Governo dos Estados Unidos como ao de Israel”, afirmou aos jornalistas em março, altura em que apresentou o seu projeto artístico, o RedSkyFalls.
[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]
