Os Estados Unidos acusaram formalmente o governador do estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e outros nove políticos e agentes de segurança de integrarem um esquema de corrupção destinado a apoiar o Cartel de droga de Sinaloa, um dos maiores sindicatos de crime organizado do mundo. De acordo com o New York Times, a acusação foi revelada esta quarta-feira num tribunal federal em Nova Iorque e sustenta que Rocha Moya (no cargo desde 2021) terá aceitado subornos e apoio eleitoral em troca de garantir proteção ao cartel.
O governante, segundo a acusação, terá participado em reuniões com a parte liderada pelos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán, antigo líder do cartel atualmente detido nos estado do Colorado. Nestas reuniões, Moya terá prometido proteger as operações, permitindo aos membros operar com impunidade e facilitar o envio de grandes quantidades de droga, como fentanil, heroína, cocaína e metanfetaminas, para os Estados Unidos.
Os procuradores norte-americanos afirmam mesmo que o Cartel de Sinaloa interferiu diretamente no processo eleitoral de 2021, recorrendo à intimidação, sequestro de candidatos da oposição e manipulação de votos para garantir a vitória do atual governador. Em troca, diz o Ministério Público, os responsáveis alinhados com a organização criminosa foram colocados em cargos importantes.
Entre os outros nove acusados estão um senador, o presidente da câmara de Culiacán (capital de Sinaloa), o vice-procurador-geral do estado e antigos polícias. Nenhum dos visados foi detido até ao momento.
Rocha Moya rejeitou, na rede social X, toda as acusações de que é alvo, classificando-as como “totalmente falsas e sem fundamento“, acusando os Estados Unidos de violarem a soberania mexicana e de atacarem o movimento político no poder, liderado pela Presidente Claudia Sheinbaum.
https://twitter.com/rochamoya_/status/2049577651501723859
Também Sheinbaum afirmou que não tem conhecimento de provas que sustentem as acusações e sublinhou que qualquer investigação deverá ser analisada pelas autoridades mexicanas. Ainda assim, o caso coloca pressão sobre o Governo mexicano e pode agravar as tensões diplomáticas numa altura em que os dois países procuram reforçar a cooperação no combate ao narcotráfico.
O Cartel de Sinaloa, criado em 1987 na região no oeste do México, é tido como um dos maiores sindicatos do crime organizado internacional do mundo, de tráfico de droga e branqueamento de dinheiro, sendo considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos.
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