As autoridades britânicas já identificaram o homem detido após o ataque perto de uma sinagoga em Golders Green, no norte de Londres. Trata-se de Essa Suleiman, de 45 anos, um cidadão britânico de origem somali com um passado marcado por crimes violentos e problemas mentais, de acordo com o The Telegraph.
A detenção ocorreu na quarta-feira, na sequência de um ataque por esfaqueamento que deixou dois homens judeus feridos. Contudo, a caça ao homem já tinha começado horas antes. Segundo as investigações, Suleiman era procurado por uma altercação ocorrida pelas 08h50 daquela manhã em Southwark, no sul de Londres. Menos de três horas depois, o suspeito reapareceria em Golders Green para perpetrar o segundo ataque do dia.
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Esta não é a primeira vez que Suleiman protagoniza episódios de violência extrema contra forças da autoridade. Em janeiro de 2008, o suspeito — então com 27 anos — foi condenado a nove anos de prisão após esfaquear repetidamente o agente Neil Sampson e a cadela Anya, da força policial, durante uma ocorrência em Swindon. Na altura, o ataque, realizado com uma faca de pão, deixou Sampson com ferimentos graves na cabeça, rosto e perna, afastando-o do serviço durante cinco meses. Anya foi esfaqueada no peito.
Em declarações à Sky News, o ex-polícia Neil Sampson revelou ter alertado os serviços de apoio à vítima, logo após o primeiro ataque, para o risco de reincidência. Sampson terá avisado as autoridades de que a libertação de Suleiman seria “arriscada”, expressando o receio de que o agressor voltasse a cometer crimes. “Manifestei o meu receio de que ele pudesse reincidir e apenas esperava que, se ele reincidisse, as vítimas tivessem a mesma sorte que eu tive”, afirmou.
O histórico criminal do suspeito é acompanhado por um quadro clínico complexo, escreve o jornal britânico. O Comissário da Polícia Metropolitana, Mark Rowley, confirmou que Suleiman possui um “historial de violência grave e problemas de saúde mental”, tendo chegado a ser sinalizado e encaminhado para o “Prevent” — o programa governamental de prevenção do terrorismo — em 2020.
Suleiman, que terá trabalhado anteriormente como tradutor, chegou ao Reino Unido de forma legal na década de 1990, ainda criança, obtendo mais tarde a cidadania britânica.
Após o ataque na quarta-feira, o suspeito recebeu assistência médica hospitalar e encontra-se agora sob custódia das autoridades. De acordo com o quadro legal vigente, a polícia poderá manter a detenção por um período de até 96 horas, mediante autorização judicial, enquanto prosseguem os interrogatórios e a recolha de provas sobre as motivações do ataque.
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*Notícia atualizada às 19h55 com as declarações de Neil Sampson