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Casa Branca não quer que Anthropic aumente a lista de empresas com acesso ao modelo de IA Mythos

A Anthropic queria que mais 70 empresas tivessem acesso ao modelo experimental Mythos, capaz de detetar vulnerabilidades de segurança. A administração Trump está contra a decisão da empresa.

Cátia Rocha
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A Casa Branca não quer que a Anthropic expanda os testes do modelo Mythos a mais empresas, argumentando que poderá ter consequências negativas para a segurança informática. A notícia foi avançada pelo Wall Street Journal (WSJ), citando fontes com conhecimento das discussões, sem revelar os passos que poderão ser tomados para o impedir.

O Mythos é um modelo de inteligência artificial (IA), desenvolvido pela tecnológica norte-americana Anthropic. Segundo a empresa, é capaz de detetar vulnerabilidades em sistemas informáticos, algumas delas indetetadas há décadas. A empresa apresentou o modelo no início de abril, mas disse que não iria lançá-lo ao público por temer os danos para a cibersegurança global. Na documentação de apoio, a Anthropic revelou que o modelo permitia que mesmo pessoas sem grandes conhecimentos pudessem explorar vulnerabilidades e fazer ataques informáticos.

https://observador.pt/2026/04/09/claude-mythos-anthropic-lanca-modelo-de-ia-que-deteta-falhas-de-seguranca-com-decadas-mas-nao-quer-torna-lo-publico/

Na altura, a Anthropic explicou que não iria lançar o modelo, mas que haveria um grupo restrito de empresas com acesso à versão experimental. É o Project Glasswing, em que estão envolvidas várias big tech, como Apple, Google, Microsoft, Nvidia e Amazon Web Services (AWS). O grupo principal é composto por 12 entidades, mas há ainda mais 40 organizações, que não foram divulgadas, com acesso ao Mythos. A ideia é que possam usar o modelo, perceber as fragilidades dos próprios sistemas e corrigi-las.

Agora, de acordo com o WSJ, a Anthropic estará interessada em expandir esse grupo, passando a incluir mais 70 companhias nos acessos autorizados. Feitas as contas, seriam perto de 120 empresas com acesso à ferramenta. A dimensão do grupo não terá agradado à Casa Branca, por questões de segurança.

O jornal refere que alguns membros da Casa Branca terão também levantado preocupações sobre a capacidade de computação da Anthropic, tendo dúvidas sobre se consegue servir mais clientes sem prejudicar os atuais. É que, apesar da polémica com o Pentágono, que quer eliminar os sistemas da Anthropic das agências governamentais, ainda haverá vários elementos a usar a tecnologia da empresa.

https://observador.pt/especiais/negociacoes-falhadas-insultos-e-temido-risco-de-seguranca-nacional-ia-abriu-fosso-entre-anthropic-e-pentagono-mas-foi-usada-no-irao/

A Casa Branca está a analisar os riscos de segurança do Mythos, tal como vários outros governos a nível global — o Reino Unido e o Canadá, por exemplo, também pediram mais informação sobre o modelo. A 17 de abril, Dario Amodei, o CEO da empresa, foi chamado à Casa Branca para uma reunião para explicar mais sobre o modelo. Além do grupo Project Glasswing, foi também dado acesso à versão de teste do Mythos a várias agências governamentais norte-americanas.

Uma fonte da Casa Branca disse ao jornal que a administração Trump está a tentar encontrar uma forma de “equilibrar a inovação e a segurança enquanto coopera com o setor privado para garantir que os modelos de IA são implementados de forma segura”.

Há especialistas que temem que o modelo traga um “apocalipse de vulnerabilidades”. A apreensão com o modelo ganhou força depois de, na semana passada, a Anthropic revelar que estava a investir “uma denúncia de acesso não autorizado ao modelo” através de uma empresa contratada externa. Foi a resposta a uma notícia da Bloomberg.

Ao Observador, especialistas na área da cibersegurança alertaram para as consequências que um modelo como o Mythos pode ter para “os bancos, o sistema elétrico, o sistema de abastecimento de água”, exemplificou Giovanni Vigna, professor do departamento de Ciências da Computação da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e também diretor do Action, o instituto dedicado ao estudo das ameaças cibernéticas e operações de agentes de IA.

https://observador.pt/especiais/apocalipse-de-vulnerabilidades-e-o-regresso-do-bug-do-milenio-mythos-deixou-o-mundo-em-alerta-e-com-razao-defendem-especialistas/