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Desfile do Dia da Vitória da Rússia na Segunda Guerra Mundial não irá contar com tanques e mísseis

Rússia teme ataques ucranianos ao equipamento militar pesado, pois Kiev está a desenvolver mísseis e drones de longo alcance. Peskov admite evento "truncado" para "minimizar perigo".

Ricardo Reis
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Pela primeira vez em quase 20 anos,  não vai desfilar no Dia da Vitória da Rússia na Segunda Guerra Mundial o equipamento militar pesado, anunciou esta quarta-feira o Ministério da Defesa da Rússia.

“Cadetes das escolas militares de Suvorov e Nakhimov, escolas de cadetes e uma coluna de equipamento militar não irão participar no desfile militar este ano devido à atual situação operacional”, esclarece o ministério, em comunicado, publicado na rede social Telegram.

No entanto, o espetáculo aéreo mantém-se, com o avião de ataque Su-25 a “pintar os céus de Moscovo com as cores da bandeira russa no fim do desfile”.

O porta-voz do Kremlin é mais claro: os ataques ucranianos em território russo obrigaram a que o evento se realizasse em “formato truncado” para “minimizar o perigo”, admitiu na quarta-feira Dmitri Peskov, na sua conversa diária com os jornalistas. Porém, afirma que a Ucrânia está a perder terreno e que o poder ucraniano está “totalmente envolvido em atividades terroristas”.

Esta semana, a refinaria de petróleo da cidade russa de Tuapse, localizada no Mar Negro, foi atacada pelas forças ucranianas pela terceira vez este mês, o que provocou um incêndio de grandes proporções e a retirada de mais de 300 pessoas.

Desde a invasão em larga escala da Ucrânia, por parte da Rússia, em 2022, que os desfiles do Dia da Vitória da União Soviética contra a Alemanha Nazi já têm reduzido a presença de equipamento militar, com o ano passado a ser uma exceção.

O 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na União Soviética foi celebrado com tanques T-90 — usados na guerra contra a Ucrânia — e unidades de sistemas de mísseis balísticos intercontinentais, na presença de dezenas de chefes de estado.

Analistas independentes russos a viver no estrangeiro acreditam que o poder político russo teme o desenvolvimento de mísseis de longo alcance por parte da Ucrânia e de drones capazes de atacar a vários quilómetros de distância.

“O equipamento é vulnerável mesmo durante o período de preparação, visto que as colunas estacionam e ensaiam fora de Moscovo em campos de treino abertos que são alvos fáceis para atacar com drones“, afirmou o analista e ativista Ruslan Leviev, à televisão independente russa TV Rain, na quarta-feira.

Por exemplo, o ataque à refinaria de Tuapse foi feito a mais de 1.500 quilómetros de distância, como admitido por Volodymyr Zelensky, que anuncia que a Ucrânia vai “continuar a expandir o alcance” dos ataques como “respostas ucranianas justificáveis ao terror russo”.

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