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Motosserras compradas online, viagens ao lago e ADN na garagem. Procuradores dizem que D4vd esfaqueou jovem até à morte para a "silenciar"

Motosserras compradas online, viagens ao lago para destruir provas e ADN na garagem. Os procuradores de Los Angeles revelam detalhes do homicídio de que o cantor norte-americano está a ser acusado.

Joana Moreira
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O cantor norte-americano D4vd, de 21 anos, está a ser acusado pelo homicídio de Celeste Rivas Hernandez, uma adolescente de 14 anos cujos restos mortais foram encontrados pelas autoridades dentro do carro do músico, em setembro de 2025. Segundo o Ministério Público, o suspeito terá matado a jovem para a “silenciar”, após esta ameaçar expor a relação que mantinham e que poderia prejudicar a carreira musical do cantor, uma vez que ele era maior de idade e ela menor.

A notícia é avançada por agências como a Associated Press, que cita um documento da Procuradoria do Condado de Los Angeles com as primeiras alegações detalhadas sobre o homicídio e os alegados esforços para desmembrar o corpo de Rivas Hernandez e eliminar as provas. O documento judicial refere que D4vd, cujo nome legal é David Burke, conheceu Rivas Hernandez quando ela tinha 11 anos, começou a abusar sexualmente dela quando ela tinha 13 e ele 18, e a matou quando ela ameaçou revelar a relação imprópria.

Sabendo que tinha de silenciar a vítima antes que ela arruinasse a sua carreira musical, tal como ela tinha ameaçado, logo após a chegada dela a sua casa, o arguido esfaqueou a vítima várias vezes até à morte e ficou a assistir enquanto ela sangrava até à morte”, consta no documento, de acordo com a agência.

O corpo da jovem foi encontrado em estado de decomposição num Tesla rebocado das colinas de Hollywood em setembro do ano passado. Os procuradores afirmam ter obtido mensagens de texto que comprovavam a relação sexual entre ambos, incluindo imagens do abuso sexual infantil da vítima no telemóvel do arguido.

“As mensagens revelam o ciúme da vítima em relação aos relacionamentos do arguido com outras mulheres, uma vez que o arguido a levou a acreditar que tinham um futuro juntos”, refere o documento. “Ela ficou extremamente perturbada e ameaçou divulgar informações comprometedoras sobre a sua relação com o arguido, com o objetivo de pôr fim à carreira dele e destruir a sua vida.”

O processo refere que o suspeito enviou um carro de transporte partilhado para ir buscar a jovem na noite de 23 de abril de 2025, à sua cidade natal de Lake Elsinore, a cerca de 129 km de Los Angeles. Os dois trocaram mensagens até ela chegar à casa dele em Hollywood. Depois disso, o telemóvel dela ficou em silêncio para sempre. O documento refere também que o cantor lhe enviou uma mensagem a altas horas da noite a perguntar onde ela estava, no que alegam ter sido uma tentativa para encobrir o homicídio.

O processo judicial tem como objetivo apresentar as provas que os procuradores pretendem apresentar numa audiência preliminar de apresentação de provas, com início a 26 de maio, quando um juiz determinará se existem indícios suficientes para levar o caso a julgamento. A defesa ainda não apresentou publicamente a sua versão dos factos.

O documento afirma que Burke comprou duas motosserras online e as utilizou para cortar o corpo da vítima numa piscina insuflável na sua garagem, onde o ADN da rapariga foi posteriormente encontrado. “O arguido tomou medidas horríveis para destruir e eliminar o corpo da vítima”, afirmaram os procuradores no documento.

Burke conduziu até ao Lago Cachuma, no condado de Santa Bárbara, a cerca de 177 Km a noroeste da sua casa, para se livrar de provas por três vezes, alega o documento. O passaporte da jovem foi encontrado lá em janeiro.

Segundo o relatório da autópsia do Instituto Médico Legal do Condado de Los Angeles, a vítima terá morrido na sequência de “múltiplas lesões penetrantes causadas por objeto(s)”, tendo o caso sido classificado como homicídio.

A 24 de abril, no dia seguinte à morte da adolescente, o cantor deu uma entrevista na rádio e organizou uma festa de lançamento para promover o seu primeiro álbum, Withered, que foi lançado no dia seguinte, afirmaram os procuradores no processo. Os procuradores alegam que ele guardou o corpo da jovem no Tesla e que mentiu a amigos e colegas de trabalho que perguntaram sobre o cheiro.

Os advogados de defesa solicitaram à juíza Charlaine F. Olmedo, do Tribunal Superior, numa audiência realizada na quarta-feira, que selasse o documento, mas ela recusou. Não fizeram comentários à saída do tribunal.

[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]