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Primeira Guerra Mundial. Destroços de navio dos EUA encontrados por equipa de mergulhadores britânicos

Afundou em 1918, após ter sido torpedeado por um submarino alemão no Canal de Bristol. Resultou no maior número de mortes em combate naval dos EUA. Após três anos de buscas, foi finalmente encontrado.

Margarida Vieira dos Santos
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Torpedeado por um submarino alemão no Canal de Bristol em 1918, o navio Tampa desapareceu sem deixar rasto. Mais de um século depois, uma equipa britânica de mergulho técnico localizou os destroços da embarcação da Guarda Costeira dos EUA a cerca de 80 quilómetros de Newquay, no Reino Unido, a mais de 90 metros de profundidade no Atlântico. O naufrágio provocou a morte das 131 pessoas a bordo — o maior número de vítimas norte-americanas num único incidente naval durante a Primeira Guerra Mundial.

“Esta descoberta resulta de três anos de investigação e exploração. O Tampa tem uma enorme importância para os Estados Unidos e para as famílias de todos os que perderam a vida nesse dia. O seu local de repouso final foi finalmente identificado”, afirmou o líder da equipa de mergulho técnico Gasperados, Steve Mortimer, numa publicação no Facebook.

A embarcação, segundo um comunicado da Guarda Costeira dos Estados Unidos, afundou em menos de três minutos, após ter sido atacada pelo submarino alemão, seguindo-se uma explosão secundária com origem desconhecida. A bordo estavam 1111 membros da Guarda Costeira, quatro membros da Marinha dos EUA, 16 membros da Marinha Britânica e civis. Não houve nenhum sobrevivente.

De acordo com a CNN, a tripulação do Tampa reunia pessoas de várias regiões dos Estados Unidos, incluindo imigrantes da Rússia e da Noruega. Entre os 111 membros da Guarda Costeira que perderam a vida, 11 eram afro-americanos, segundo registos históricos da própria instituição, sendo considerados os primeiros militares pertencentes a minorias étnicas do serviço a perder a vida em combate.

“Quando o Tampa se perdeu, em 1918, com toda a sua tripulação, deixou uma dor profunda na nossa corporação. A localização dos destroços liga-nos ao seu sacrifício e relembra-nos que a dedicação ao dever perdura. Nunca os esqueceremos. É com orgulho que honramos o seu legado na defesa dos Estados Unidos”, lamentou o almirante Kevin Lunday, comandante da Guarda Costeira, no mesmo comunicado.

A equipa de mergulho técnico Gasperados, composta exclusivamente por voluntários, terá contactado o Gabinete de Historiadores da Guarda Costeira a propósito do Tampa e, ao longo dos últimos três anos, levou a cabo uma extensa procura pelos destroços, relata a emissora norte-americana.

“Encontrar o Tampa não aconteceu apenas no fim de semana passado. Esta foi a décima expedição para mergulhar em possíveis alvos e todos — seja capitão, tripulação, investigador, contacto ou mergulhador – desempenharam um papel. Ainda estamos em êxtase. Conseguimos!”, pode ler-se numa publicação no Facebook da Gasperados.

William Thiesen, historiador da Guarda Costeira, afirmou que tinham fornecido à equipa de mergulho registos históricos e dados técnicos para ajudar na confirmação do local do naufrágio. “Isto incluiu imagens de arquivo dos acessórios do convés, do leme, do sino, do armamento e imagens de arquivo do Tampa”, acrescentou, citado pela CNN.

Um avião chegou a enviado para localizar o navio, acabando por identificar partes dos destroços no dia seguinte. A partir desse momento, a embarcação nunca mais foi avistada — até agora, quase 108 anos depois.

A Guarda Costeira informou que está a preparar novas operações para estudar os destroços em maior detalhe, recorrendo a sistemas autónomos e tecnologia robótica, segundo um comunicado.

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