A família do rapper Tupac Shakur abriu na terça-feira uma ação por responsabilidade civil contra Keith Davis, pedindo uma indemnização por danos relacionados com o homicídio do artista em 1996.
Foi Maurice Shakur, o meio-irmão de Tupac, que abriu o processo no Los Angeles County Superior Court. Além de visar Keith Davis, a queixa abrange outros cúmplices não identificados, mas que “possam ter participado no planeamento, financiamento, direção ou execução da conspiração” da morte do rapper, como referiu o The New York Times. O jornal acrescentou ainda que só durante a fase de instrução é que serão disponibilizados os nomes e as ações dos arguidos anónimos.
Novas provas levaram a este processo: transcrições jurídicas de Davis e entrevistas do documentário da Netflix de dezembro, Sean Combs: The Reckoning, revelaram que o homicído de Tupac “envolveu muito mais do que uma mera retaliação por um desacato anterior“, segundo a queixa, citada pela Forbes. No documentário, Keith Davis, em gravações de um interrogatório policial, afirmou que Combs, também conhecido por P. Diddy, lhe ofereceu um milhão de dólares (cerca de 854.500 euros) para assassinar Shakur, explicou a BBC. Contudo, Combs, condenado em outubro por crimes de ajuda à prostituição, negou repetidamente qualquer envolvimento no tiroteio que vitimou Tupac, mencionou Los Angeles Times.
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O meio-irmão do rapper, que agora procura indemnizações, reconhece que muitos dos intervenientes no homicídio do artista já morreram: “No entanto, uma coisa é certa, ainda há pessoas envolvidas no assassinato de Tupac que, durante 30 anos, não foram responsabilizadas pelos seus crimes”, citou-o o The Guardian.
Tupac Shakur foi baleado quatro vezes num tiroteio em Las Vegas, a 7 de setembro de 1996, após assistir a um combate de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon, recorda o The New York Times. O artista morreu dias depois, aos 25 anos.
Em 2023, Keith Davis, ex-líder de um gangue, foi detido e acusado pelo homicídio de Tupac, noticiou a Associated Press na altura. Davis já tinha estado ligado à morte do rapper, uma vez que o seu sobrinho, Orlando Anderson, surgiu como suspeito depois do assassinato. O Los Angeles Times contou que, em 1997, a mãe de Tupac processou Anderson com base na teoria de que ele abriu fogo por ter sido agredido pelo rapper e figuras ligadas ao gangue dos Bloods. Porém, como Anderson foi morto num tiroteio em 1998, o caso foi arquivado.
https://observador.pt/2023/09/29/detido-homem-suspeito-de-estar-ligado-a-morte-de-tupac-rapper-foi-assassinado-ha-quase-30-anos/
Durante anos, Davis afirmava que estava no Cadillac branco que iniciou o tiroteio contra o veículo de Tupac Shakur, referiu o The New York Times. Ainda assim, no ano passado, Keith mudou as suas declarações e destacou que estava inocente: “Nem sequer me conseguem colocar lá [no local do crime, no dia em que aconteceu]. Não têm arma, nem carro, (…) nem nada”, revelou, numa entrevista à ABC. O julgamento de Davis será em agosto.
Tupac Shakur foi um dos rappers mais proeminentes do início da década de 1990, vendendo mais de 75 milhões de discos, incluindo os êxitos California Love e Hit ‘Em Up, por exemplo.
https://www.youtube.com/watch?v=41qC3w3UUkU
Texto editado por Dulce Neto