Cláudio Valente, que em dezembro disparou quatro tiros contra o físico português Nuno Loureiro, professor do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), e atacou estudantes na Universidade de Brown, fê-lo “motivado por um acumular de ressentimentos ao longo da sua vida”.
É a conclusão da divisão do FBI em Boston, EUA, que esta quarta-feira detalhou a avaliação dos investigadores num comunicado conjunto com os procuradores federais de Massachusetts, após a conclusão de uma parte significativa da investigação. De acordo com as autoridades federais, citadas pela agência Reuters, o português estava ressentido e procurou vingar-se daqueles que considerava serem responsáveis pelo seu fracasso. Segundo o FBI, estaria a planear os crimes desde 2022.
As autoridades afirmam que o cidadão português de 48 anos entrou num edifício de engenharia no campus da Ivy League a 13 de dezembro e abriu fogo com uma pistola, matando dois estudantes e ferindo outros nove. Segundo as autoridades, Valente matou posteriormente um professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o também português Nuno Loureiro, num ataque a tiro separado na sua residência nos arredores de Boston, a 15 de dezembro. Valente acabaria por ser encontrado morto devido a um ferimento de bala autoinfligido a 18 de dezembro num armazém em New Hampshire, após uma caça ao homem.
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Em janeiro, os procuradores divulgaram transcrições de gravações de vídeo feitas por Valente antes da sua morte, nas quais ele admitia ter planeado o ataque. No entanto, os procuradores afirmaram que ele não revelou o motivo pelo qual escolheu as suas vítimas.
Nos meses que se seguiram, os investigadores examinaram minuciosamente milhares de ficheiros de imagens de vigilância, analisaram 815 vídeos e 1 327 ficheiros de áudio encontrados nos dispositivos eletrónicos de Valente e realizaram mais de 260 entrevistas. Segundo o FBI, nas gravações, o português disse ter começado a planear o ataque em 2022, quando adquiriu pela primeira vez um armazém em Salem, New Hampshire.
O FBI afirmou ter determinado que Cláudio Valente agiu sozinho e que as suas vítimas eram de “natureza simbólica”, referindo que a Universidade de Brown e Loureiro representavam para Valente “os seus fracassos pessoais e as injustiças que ele percebia terem-lhe sido infligidas por outros ao longo do tempo”. Valente frequentou a Brown há duas décadas, após concluir um curso de Física no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde estudou com Nuno Loureiro. Abandonou essa universidade em 2001 e deixou os Estados Unidos.
Mais tarde, em 2017, obteve o estatuto de residente permanente nos EUA, enquanto vivia na Flórida. Estava desempregado quando ocorreram os tiroteios, e o FBI afirmou que o seu “sentido de superioridade exagerado contribuiu para conflitos interpessoais na sua vida e levou-o a acreditar que estava a ser tratado injustamente”. A agência afirmou acreditar que, à medida que os seus fracassos superavam os seus sucessos, a “paranóia de Neves Valente aumentava, agravando a sua incapacidade contínua de prosperar, levando-o a um estado de mal-estar mental e a uma determinação em morrer”.