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(A) :: Novo Banco anuncia subida dos lucros trimestrais no dia em que é vendido aos franceses do BPCE

Novo Banco anuncia subida dos lucros trimestrais no dia em que é vendido aos franceses do BPCE

Apesar do impacto da descida das taxas de juro, em relação aos máximos dos últimos anos, Novo Banco conseguiu aumentar os lucros do primeiro trimestre para 200,7 milhões de euros, dando mais crédito.

Edgar Caetano
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O Novo Banco aumentou em mais de 13% os lucros do primeiro trimestre, para 200,7 milhões de euros, com a subida do volume de crédito a compensar a descida das taxas de juro (em relação aos valores mais elevados de há poucos anos). As comissões também ajudaram à conta de resultados do banco, de acordo com informação publicada nesta quinta-feira através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A subida dos resultados surge numa fase em que alguns bancos, como o Santander Portugal, estão a registar uma descida homóloga dos lucros devido ao impacto das taxas de juro mais baixas. Isso é algo que gradualmente se vai refletindo na margem financeira dos bancos – a diferença entre os juros que o banco paga para se financiar (depósitos, BCE, etc.) e os juros que cobra nos empréstimos que concede.

A margem financeira do Novo Banco baixou ligeiramente – 1% – em comparação com o primeiro trimestre de 2025 (embora tenha crescido 3% face ao quatro trimestre). Porém, o banco cobrou mais 1,5% em comissões por “serviços a clientes”, num total de 85,6 milhões de euros. O produto bancário foi “impulsionado pela evolução da margem financeira, com o desempenho positivo da atividade comercial a compensar o contexto de redução das taxas de juro, e pela execução de iniciativas destinadas a reforçar as comissões”, reconhece o Novo Banco.

O desempenho da margem financeira reflete o aumento de 7,5% do valor médio dos Empréstimos a Clientes, e da estratégia proativa de cobertura da margem financeira (1T26: 2,50%; 1T25: 2,77%), compensando parcialmente o repricing do crédito num contexto de descida das taxas de juro (Euribor 6M média: 1T26: 2,20% vs 1T25: 2,49%)”, indica o banco.

“No primeiro trimestre de 2026, a atividade comercial continuou a evoluir a um ritmo sólido, com um aumento significativo do crédito a clientes e um crescimento sustentado dos depósitos, refletindo a confiança contínua dos nossos clientes e a solidez do nosso modelo de negócio. Estes desenvolvimentos, juntamente com uma gestão prudente do risco e um forte enfoque na eficiência, permitiram ao Banco apresentar resultados robustos no trimestre”, diz Mark Bourke, presidente da comissão executiva em comunicado.

Estes resultados são apresentados, também, no dia em que será fechada a compra do Novo Banco por parte dos franceses do BPCE, concretizando um acordo de venda que foi firmado em junho de 2025. Os franceses vão pagar mais 200 milhões de euros do que o valor inicialmente referido, devido a ajustes que estavam já previstos no acordo de venda, o que levará a que o banco seja comprado por mais de 6.600 milhões de euros.

“Perspetivando o futuro, o Novo Banco mantém um compromisso firme com Portugal e o foco contínuo na criação de valor para clientes, colaboradores e acionistas, contribuindo simultaneamente para a economia portuguesa de forma disciplinada, sustentável e responsável”, garante Mark Bourke que, pelo menos para já, irá manter-se como presidente da comissão executiva.