Aos 90 minutos, o Sporting estava a vencer o Tondela por dois golos de diferença. Aos 90+2′, Rui Silva defendeu uma grande penalidade de Makan Aïko. Também aos 90+2′, Salvador Blopa reduziu a desvantagem dos beirões com um autogolo. Aos 90+4′, Cícero empatou. No período de descontos mais cruel da temporada, os leões voltaram a não conseguir fugir do buraco negro.
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A equipa de Rui Borges empatou com o penúltimo classificado em Alvalade depois de, no fim de semana, ter empatado com o último classificado na Vila das Aves. O Sporting leva agora cinco jogos consecutivos sem ganhar, entre quatro empates e uma derrota, naquela que já é a pior série dos últimos 14 meses. Com três jornadas por disputar, os leões estão a dois pontos do Benfica e a nove do FC Porto, abdicando definitivamente do tricampeonato e complicando ainda mais o apuramento para a Liga dos Campeões da próxima temporada.
Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, Rui Borges era a cara do choque. “A justificação é que tínhamos de ser mais competentes nas bolas paradas. Sofremos dois golos dessa forma, uma com alguma sorte para o adversário. Mas tínhamos de ser mais competentes nesse momento. Foi uma segunda parte em que entrámos muito bem, estivemos muito bem no jogo, com tranquilidade, qualidade, boas reações à perda. Nos últimos cinco minutos fomos infelizes. Não há justificação, é continuar a trabalhar e seguir o nosso trabalho e o nosso caminho”, começou por dizer.
“Não fugimos ao facto de o momento não ser tão bom. Isso é notório e nós sabemos disso. Eu percebo isso. A equipa não está tão bem como vinha estando. Mas também não são os piores jogadores do mundo, o pior treinador do mundo ao fim de uma semana. Estamos numa fase menos positiva. Só nós podemos dar a volta. Trabalhando e acreditando no processo e na qualidade individual e coletiva desta equipa”, acrescentou.
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Sobre a possibilidade cada vez mais difícil de chegar ao segundo lugar, Rui Borges garantiu que é preciso “acreditar”. “Essa palavra tem de existir sempre. Até ser possível vamos acreditar sempre. Tentar fazer o nosso melhor nos nossos jogos, perceber que não estamos numa fase não tão boa, perceber de que forma podemos melhorar através do trabalho. Acima de tudo não desconfiando da qualidade individual e coletiva do grupo”, atirou.
Os adeptos do Sporting mostraram uma tarja logo no início do jogo, recuperada no letal período dos descontos, onde se lia “intolerável, exigimos mais” — e o treinador leonino comentou a insatisfação das bancadas, que terminaram a partida com assobios. “Que acreditem e apoiem esta equipa. Sempre o fizeram. Entendo a frustração. A exigência deste clube é grande, nós sabemos isso melhor do que ninguém. Faz parte do futebol e jogo. Temos de saber lidar, peço para apoiarem até ao fim dos jogos. É isso que têm feito, é isso que têm de continuar a fazer para ajudar a equipa a ganhar a confiança que tinha e ultrapassar esta fase menos positiva. Confiança? A confiança sinto desde o primeiro dia. Não era o melhor do mundo até há 15 dias e agora também não sou o pior. Estou focado no próximo jogo. Estou feliz no Sporting, por isso a confiança tem sido mútua desde sempre”, terminou o treinador, que vai assinar a renovação de contrato já esta sexta-feira.
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Já Daniel Bragança, que foi titular e saiu já durante a segunda parte, mostrou-se naturalmente desiludido. “É difícil explicar. Às vezes o futebol acaba por ser um pouco ingrato. E foi caricato aquilo que aconteceu nos descontos. Estávamos a ganhar 2-0 e nos descontos acabamos por sofrer dois golos em dois lances de bola parada. Acaba por ser… Nem sei, nem sei. Sei que aquilo que fizemos nestes dois jogos não chega. A exigência que este clube pede, os objetivos por que estávamos a lutar, em dois jogos acabámos por dificultar muito a nossa vida. Mas está feito, é levantar a cabeça”, começou por dizer, recusando-se a justificar os resultados com o desgaste físico ou mental.
“Acho que não pode ser nem cansaço mental nem físico. A partir do momento em que estamos a ganhar 2-0 e nos descontos sofres dois golos, não pode acontecer. É inadmissível, na minha opinião. Nesta altura temos uma frustração enorme no balneário. Não há muita explicação, é sim dar a cara nos próximos jogos e ir à luta. E tentar fazer o melhor possível […] Agora não dependemos de nós, essa é a realidade. É trabalhar. É largar toda esta frustração que estava no balneário, limpar a cabeça e seguir a trabalhar. E limpar a cabeça para estarmos no máximo nível na segunda-feira já contra o V. Guimarães, para darmos outro tipo de resposta”, acrescentou.
Mais à frente, o médio português reagiu às críticas e aos assobios dos adeptos. “Acho que acaba por ser normal os adeptos demonstrarem um bocadinho a sua frustração. Faz parte porque nós nestes últimos dois jogos não estivemos ao nível do Sporting, ao nível que é exigido. Mas aquilo que lhes peço é que não é só nas vitórias que têm de estar connosco. Peço que nos apoiem nesta fase mais complicada. Porque se é verdade que temos muita exigência, também acredito que eles têm a exigência de nos apoiar e continuar a apoiar. Porque este grupo já lhes deu muita coisa. E que continuem a acreditar em nós. Estamos cá para dar a cara nestes momentos de frustração no final da partida. Continuem a acreditar em nós, porque não é só nas vitórias que precisamos deles. Precisamos deles em todos os momentos”, concluiu.
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