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(A) :: Autoridades acreditam que agente do serviço secreto foi atingido no peito pelo suspeito de tentar assassinar Trump. Mas dúvidas persistem

Autoridades acreditam que agente do serviço secreto foi atingido no peito pelo suspeito de tentar assassinar Trump. Mas dúvidas persistem

Autoridades apontam Allen como o autor do disparo, avança a NBC. Mas imagens de videovigilância inconclusivas, a omissão da agressão na acusação e o paradeiro desconhecido do projétil adensam dúvidas.

Mariana Furtado
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Há um mistério que persiste no caso da tentativa de assassinato do Presidente Donald Trump durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca: quem foi o autor do disparo que atingiu um agente do Serviço Secreto no peito? Os investigadores acreditam que o autor do tiro é Cole Tomas Allen, o mesmo suspeito de tentar assassinar o Presidente Donald Trump, avançou a NBC News esta quarta-feira, com base em três fontes da polícia familiarizadas com o caso.

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As peças do puzzle começaram a encaixar-se quando as autoridades federais reviram as declarações de testemunhas e agentes envolvidos no incidente, confirmando que o rasto do disparo conduz ao indivíduo sob custódia, noticiou o USA Today na terça-feira.

Nesta quarta-feira, foi também descartada a hipótese de o agente da Divisão Uniformizada ter sido vítima de “fogo amigo”, por outro elemento das autoridades no local. Segundo fontes ligadas à investigação, citadas pela NBC News e pela CBS News, as perícias confirmaram que o disparo não partiu de qualquer outro elemento das forças de segurança, mas presumivelmente do autor do ataque. E presumivelmente porque, segundo duas pessoas a par da investigação citadas pela MS NOW no domingo, o FBI (a principal agência na investigação do ataque) não encontrou o fragmento que, segundo as autoridades, atingiu o colete à prova de balas do agente do serviço secreto, “deixando os investigadores sem condições de afirmar com certeza se o agressor armado atirou no agente ou como ele foi ferido”.

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O incidente ocorreu no último sábado, quando Cole Tomas Allen, de 31 anos, terá investido contra um posto de controlo localizado um andar acima do salão de baile do Washington Hilton, onde o Presidente participava na gala anual. Em conferência de imprensa, o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que o suspeito ultrapassou o detetor de metais empunhando uma arma, momento em que se ouviu um forte disparo. Um projétil atingiu o peito de um dos agentes de serviço, cujo colete travou o impacto, permitindo que o polícia respondesse ao fogo com cinco tiros.

No entanto, imagens de videovigilância analisadas pelo The Washington Post não oferecem provas de que Allen tenha chegado a premir o gatilho. As imagens revelam o momento em que Cole Tomas Allen parece apontar a sua espingarda na direção do agente. Na sequência desse gesto, é o próprio operacional que efetua os únicos disparos claramente identificáveis no vídeo. Nas imagens, não é percetível qualquer clarão ou fumo a sair do cano da espingarda de Allen antes de o suspeito fugir do enquadramento da câmara. Apesar disto, uma das acusações que lhe é imputada é o disparo de arma de fogo durante um crime violento.

Aliás, Todd Blanche reforçou a dificuldade da investigação, enfatizando que os projéteis de chumbo de uma arma como a de Allen são extremamente difíceis de rastrear. “Não é uma ciência exata”, explicou o procurador. “O material espalha-se por todo o lado e, às vezes, simplesmente desaparece”.

Há ainda outra contradição: em conferência de imprensa horas após o ataque, a procuradora do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, declarou que o suspeito seria acusado de agressão a um agente federal com arma perigosa, escreve a CBC. Durante uma nova conferência de imprensa de segunda-feira, Pirro recuou no tom das declarações iniciais, limitando-se a garantir que “haverá acusações adicionais”.

Cole Tomas Allen responde por tentativa de assassinato do Presidente, transporte interestadual de armamento com intenção criminosa e disparo de arma de fogo durante um crime violento. Mas ainda não foi formalmente indiciado pela agressão específica a um agente federal, ao contrário do que Pirro afirmou. Entretanto, as autoridades continuam a aguardar pela revisão final das evidências recolhidas no local.