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"Era o número 1." Sánchez apontado como líder de "organização criminosa" por empresário envolvido em caso de corrupção

Empresário acusou Pedro Sánchez de liderar rede de corrupção que teria como fim financiar o PSOE. Socialistas acusam Víctor de Aldama de ser um "mentiroso" e PP deixa desafio ao líder do governo.

José Carlos Duarte
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“Se há uma organização criminosa, da qual faço parte, o senhor presidente do Governo está no primeiro escalão.” As declarações são do empresário Víctor de Aldama, que, durante uma audiência no Tribunal Supremo espanhol esta quarta‑feira, envolveu diretamente o nome de Pedro Sánchez no caso Koldo ligado à compra de máscaras durante a pandemia de Covid‑19 através de uma empresa fantasma. O PSOE já veio negar, acusando o empresário de ser um “mentiroso”.

Antigo presidente de um clube de futebol, Víctor de Aldama fez negócios durante a pandemia com o então assessor Koldo García, que, por sua vez, trabalhava para José Luis Ábalos, antigo ministro socialista dos Transportes e próximo de Pedro Sánchez. Os três são suspeitos de terem montado um esquema para a compra de máscaras financiado com fundos estatais durante a pandemia de Covid‑19. Esta poderá ser, no entanto, apenas a ponta do icebergue de uma rede mais vasta, cujo alcance a Justiça ainda está a tentar esclarecer.

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Até esta quarta‑feira, as ligações a Pedro Sánchez — que nunca foi considerado arguido neste processo — pareciam ser indiretas e ténues. Mas Víctor de Aldama veio esta quarta‑feira associar diretamente o nome de Pedro Sánchez ao caso, contrariando a versão do chefe do governo espanhol até agora: a de que desconhecia totalmente os alegados negócios do seu antigo ministro.

Perante o juiz, Víctor de Aldama afirmou que os negócios foram montados para arranjar formas de “financiamento” do PSOE. Nesta rede, o empresário dizia ser um “veículo para fazer doações” aos socialistas através de “dinheiro vivo”, entregando-o ao ex-assessor Koldo García. Segundo o empresário, este seria depois o responsável por distribuir as verbas “para que doações pudessem ser feitas”, canalizando o dinheiro por vários doadores formais para cumprir as regras de financiamento partidário em Espanha.

Na cena política espanhola, o PSOE já veio negar categoricamente as alegações de Víctor de Aldama. Fontes socialistas adjetivaram-no à imprensa espanhola como um “mentiroso” e que as acusações de financiamento irregular carecem de provas. As declarações mostram, frisam os socialistas, que o empresário não pode provar o que diz e que apenas conta com alegados testemunhos.

“Dois anos depois, a realidade continua a ser a mesma: acusações infundadas porque não há crime a provar. Mentira atrás de mentira”, assinalaram fontes socialistas ao El Mundo. “Estamos perante uma estratégia já conhecida: no seu direito de defesa, o engano é a sua principal ferramenta. Apontar o dedo sem provas e criar alarido onde não há crimes”, criticaram.

Em sentido inverso, o presidente do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, veio questionar o motivo pelo qual Pedro Sánchez ainda não interpôs uma ação judicial contra o empresário, tendo em conta a gravidade das declarações de Víctor de Aldama. “Se Sánchez ainda não interpôs uma ação judicial contra Aldama, então não é mentira de forma alguma”, sugeriu o líder da oposição espanhola.

“Pela primeira vez, um chefe de governo está a ser identificado como o número um de uma organização criminosa e como cúmplice de vários crimes”, alegou Alberto Núñez Feijóo.