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(A) :: Depois do apelo de Mamdani para que o Rei Carlos III devolvesse a joia da coroa à Índia, o encontro entre ambos ocorreu entre sorrisos

Depois do apelo de Mamdani para que o Rei Carlos III devolvesse a joia da coroa à Índia, o encontro entre ambos ocorreu entre sorrisos

Embora outros a reclamem, a pedra de 105,6 quilates tornou-se um ponto de disputa entre Inglaterra e a Índia. Depois do desafio, o encontro decorreu com simpatia. Mas teor da conversa ficou por saber.

Mariana Furtado
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Se o presidente da câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, tivesse a oportunidade de privar com o Rei Carlos III, encorajá-lo-ia “provavelmente” à devolução de uma das mais icónicas (e polémicas) joias da coroa à Índia. O comentário introduziu a primeira nota de tensão numa visita real aos Estados Unidos que, de resto, vinha decorrendo cordialmente ainda que ao estilo pouco protocolar de Trump (que assumiu, no discurso de boas-vindas, que a sua mãe tinha um “fraquinho” pelo “jovem” e “giro” Carlos III). Perante o desafio do autarca, um porta-voz da família real escusou-se a comentar as declarações, de acordo com o Politico.

“Se eu pudesse falar com o rei separadamente, encorajá-lo-ia provavelmente a devolver o diamante Koh-i-Noor”, afirmou Mamdani quando questionado numa conferência de imprensa horas antes da cerimónia do 11 de setembro. A peça a que o político se refere é uma enorme joia incrustada numa coroa dada à mãe da Rainha Isabel II em 1937, em exibição na Torre de Londres.

A pedra tornou-se um ponto de disputa entre a Inglaterra e a Índia, que esteve sob domínio colonial durante dois séculos até o fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, outros países, incluindo o Irão e o Paquistão, também reivindicaram a pedra. Crê-se que o diamante de 105,6 quilates seja originário da Índia. Dado à rainha Vitória em 1849 como condição do Tratado de Lahore (que selou o fim da Primeira Guerra Anglo-Sikh), para muitos indianos, a perda do Koh-i-Noor é um lembrete da subjugação do país sob o domínio colonial do outrora maior império do mundo.

https://observador.pt/2016/04/20/kohinoor-diamante-da-coroa-da-rainha-mae-india-quer-volta/

Apesar de ter estado ausente da coroação repleta de joias e ornamentos de Carlos III, o Koh-i-Noor foi visto pela última vez em público no funeral da rainha Isabel II, em 2022, adornando a Rainha Camila.

Foi de raspão que Zohran Mamdani se cruzou com o Rei Carlos III nesta quarta-feira, durante a cerimónia dedicada ao 11 de setembro, com a deposição de flores no sul de Manhattan, depois de o seu gabinete ter adiantando que o autarca não se iria reunir a título particular com o monarca.

De resto, o mayor socialista tinha demonstrado pouco entusiasmo quanto à presença da família real, num claro contraste com a receção promovida por Trump. Ao ser confrontado, pela segunda vez em três dias, com a questão sobre que mensagem gostaria de transmitir à família real, Mamdani optou por omitir o tema na sua resposta, privilegiando o tom institucional. “Estarei presente numa cerimónia de deposição de coroa de flores ao lado de outras autoridades eleitas, incluindo a governadora Hochul e a Governadora Sherrill, e o objetivo dessa cerimónia é homenagear os mais de 3 mil nova-iorquinos que foram mortos nos horríveis ataques terroristas de 11 de setembro”, disse, citado pelo Politico. “E é exatamente isso que pretendo fazer nesse evento.”

O democrata cumprimentou Carlos III e a rainha Camila depois de os monarcas atravessarem a multidão que aguardava por um aperto de mão, escreve a NBC News. Embora Mamdani tenha mantido um sorriso rasgado durante toda a interação, o conteúdo da breve conversa entre ambos permanece uma incógnita.