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Braga e o papel no futuro da economia nacional

Braga tem transformado conhecimento em valor, investimento em emprego e inovação em competitividade. Essa capacidade permitirá ao concelho acompanhar o futuro da economia — e ajudar a liderá-lo.

Luís Rodrigues
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Até ao dia 26 de maio, data em que o Observador organiza a Cimeira da Indústria, desafiamos alguns especialistas a escrever sobre os desafios da economia e indústria do futuro. A entrada no evento é gratuita, mediante inscrição, que pode ser feita AQUI.

A economia global entrou num novo ciclo. Um ciclo marcado pela aceleração tecnológica, pela fragmentação geopolítica, pela pressão sobre os recursos humanos qualificados e pela necessidade de responder às alterações climáticas. Neste contexto, a questão central deixa de ser apenas quem cresce — passa a ser quem está preparado para liderar.

Essa liderança constrói-se cada vez mais nos territórios. É ao nível local que se criam as condições que permitem às empresas inovar, atrair talento e competir globalmente. E é nesse plano que Braga se tem afirmado: não apenas como um território que acompanha a transformação económica, mas como um dos que procura estar na linha da frente.

Os dados mais recentes do INE mostram que Braga registou cerca de 1,94 mil milhões de euros de exportações de bens em 2025, posicionando-se, uma vez mais, no top 5 dos concelhos mais exportadores do país. Importa, no entanto, sublinhar que esta métrica não capta integralmente a realidade económica do território, uma vez que exclui operações industriais relevantes cuja faturação é registada fora do concelho. Quando considerado o contributo dessas operações — com um volume anual de exportações na ordem dos mil milhões de euros —, Braga afirma-se entre os três principais concelhos exportadores a nível nacional, evidenciando um peso económico efetivo ainda mais expressivo.

Mais significativo ainda é o percurso. Entre 2013 e 2024, as exportações cresceram 289%, muito acima da média nacional. Este crescimento não é circunstancial — é o resultado de um ecossistema que tem vindo a ganhar densidade, diversidade e capacidade de competir nos mercados internacionais.

Esse dinamismo também se reflete no emprego e na atividade empresarial. Braga tem criado, em média, mais de dois mil empregos por ano, enquanto o seu tecido empresarial se torna progressivamente mais sofisticado e diversificado. Este caminho tem sido acompanhado por uma estratégia consistente de apoio ao investimento e ao empreendedorismo, onde a InvestBraga desempenha um papel relevante na atração de projetos e no apoio à sua consolidação e internacionalização.

Este percurso tem sido construído, em grande medida, com base na capacidade de mobilização dos agentes locais, apesar de, durante vários anos, o investimento público nacional em infraestruturas tecnológicas e científicas não ter acompanhado o potencial de Braga. Esse contexto reforça a importância de uma atuação concertada entre município, universidades, centros tecnológicos e de inovação e entidades regionais e sub-regionais, assumindo uma coliderança na definição da estratégia de especialização inteligente e na priorização de investimentos estruturantes, alinhados com as principais forças do ecossistema e com os grandes desafios societais.

Mas o verdadeiro diferencial de Braga está na sua capacidade de articular conhecimento com economia. A proximidade entre empresas, universidades e centros de investigação tem permitido transformar investigação em valor económico. Infraestruturas como o INL colocam o concelho no mapa europeu da ciência, enquanto o ecossistema académico — com destaque para a Universidade do Minho — continua a ser um dos principais motores de qualificação e inovação.

Hoje, porém, o desafio já não é apenas crescer — é crescer com valor. Isso implica reforçar a aposta em setores estratégicos e em infraestruturas que permitam acelerar a transferência de tecnologia para a economia. Projetos como o Bio-MedTech Hub ou o Centro de Construção Sustentável representam esse salto qualitativo, posicionando Braga em áreas com elevado potencial de crescimento, como as ciências da vida, a saúde e a construção sustentável.

O Bio-MedTech Hub, em particular, assume-se como um projeto estruturante. Reunindo academia, indústria, centros tecnológicos, centro clínico académico e sistema de saúde, pretende criar um polo com capacidade para atrair investimento, gerar emprego qualificado e afirmar Braga num setor onde a inovação é determinante.

Mas liderar não depende apenas de investimento. Exige visão, capacidade de mobilização e trabalho em rede. É nesse contexto que as Semanas da Economia de Braga assumem especial relevância. Entre 4 e 29 de maio, esta iniciativa volta a reunir empresas, academia, decisores e sociedade civil para pensar o futuro económico do território, alinhar prioridades e promover parcerias que podem fazer a diferença.

Mais do que um conjunto de eventos, trata-se de um espaço de construção coletiva, onde se antecipam tendências, se cruzam ideias e se criam condições para transformar ambição em projetos concretos.

A economia do futuro constrói-se com talento, conhecimento e colaboração. As empresas inovam, as instituições cooperam e as políticas públicas criam o enquadramento necessário para um crescimento sustentado.

Braga tem demonstrado que está nesse caminho. Tem transformado conhecimento em valor, investimento em emprego e inovação em competitividade. E é essa capacidade que lhe permitirá não apenas acompanhar o futuro da economia — mas ajudar a liderá-lo.