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(A) :: Ana Abrunhosa recua e pede desculpa a jornalista da agência Lusa por "momento infeliz"

Ana Abrunhosa recua e pede desculpa a jornalista da agência Lusa por "momento infeliz"

Após acusar jornalista de agenda política e falta de verdade, a autarca socialista de Coimbra pediu desculpa pessoalmente. ERC abriu um procedimento de averiguações sobre o caso.

Agência Lusa
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João Paulo Godinho
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“Um momento infeliz, que não se voltará a repetir”. Ana Abrunhosa fez esta quarta-feira um ‘mea culpa’ pelo incidente com um jornalista da Lusa, com a presidente da Câmara Municipal de Coimbra a pedir desculpa por ter declarado há quase três semanas que o profissional da agência de notícias tinha faltado à verdade e que lhe “retirava a confiança”.

A autarca do PS (eleita numa coligação que incluía ainda o Livre e o PAN) retractou-se durante uma sessão da Assembleia Municipal de Coimbra, numa altura em que se discutiam várias moções, entre elas uma do PSD a condenar esse episódio.

“Queria dizer-vos que tive a oportunidade de falar por telefone com a senhora diretora de informação da Lusa, Luísa Meireles, e pessoalmente com o jornalista João Gaspar, que aqui está presente e que não deixou de estar sempre presente. Tive oportunidade de me desculpar por um momento infeliz que tive e que não se voltará a repetir“, declarou Ana Abrunhosa.

https://observador.pt/2026/04/11/ana-abrunhosa-em-guerra-aberta-com-jornalista-da-lusa-que-acusa-de-fazer-politica-lusa-considera-acusacoes-infundadas-e-difamatorias/

Em causa está o incidente ocorrido numa reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.

Ana Abrunhosa acusou então o jornalista de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política. Numa nota divulgada após o caso, a direção de informação da agência considerou que as acusações da autarca foram “descabidas, infundadas e difamatórias” e reiterou a sua confiança em João Gaspar, considerando o seu percurso “irrepreensível”.

Além do pedido de desculpas à Lusa e ao jornalista, a autarca reiterou ainda o compromisso do executivo municipal com a liberdade de imprensa e com a transparência no relacionamento com os órgãos de comunicação social. “Pautamos a nossa atuação pelo total respeito e colaboração com a comunicação social, reconhecendo o seu papel fundamental na sociedade”, disse.

Nesse sentido, Ana Abrunhosa reconheceu que “o papel dos jornalistas não é agradar aos políticos”, acrescentando que o município continuará a facultar toda a informação necessária ao exercício da atividade jornalística. “Podem legitimamente questionar-se se foi um momento infeliz ou se é uma constante desta presidente. Creio que mereço o benefício da dúvida”, acrescentou.

Na sequência do pedido de desculpas de Ana Abrunhosa, o grupo municipal do PSD decidiu retirar da votação a moção que tinha apresentado e que tinha sido igualmente subscrita por várias forças políticas, designadamente Nós Cidadãos, CDS-PP, Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda e CDU.

https://observador.pt/2026/04/17/erc-abre-procedimento-de-averiguacoes-sobre-o-caso-que-envolve-ana-abrunhosa-e-a-lusa/

O caso ocorrido este mês levou inclusivamente a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) a abrir um procedimento de averiguações. Também o Sindicato de Jornalistas veio criticar publicamente a autarca socialista de Coimbra pelas declarações proferidas sobre o jornalista da Lusa, acusando-a de violar a liberdade de imprensa.

Por sua vez, o PS garantiu, pela voz de André Moz Caldas, membro do secretariado nacional do partido, que se colocava ao lado da liberdade de imprensa, em reação à polémica. “Uma atitude individual de um presidente de Câmara não tem a capacidade para pôr em causa, no seu conjunto, a liberdade de imprensa. Mas não haja sobre isso nenhum equívoco. O PS estará sempre do lado da liberdade de imprensa. Qualquer coisa que publicamente seja entendida como algo que o belisque, não honra a tradição do Partido Socialista”, disse.