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Alemanha integra oficial dos EUA em posto estratégico do seu comando militar

Apesar da tensão entre Trump e Merz, a cooperação militar sobe de tom. Em outubro, um coronel dos EUA assume a vice-chefia das Bundeswehr, uma integração invulgar e sinal de "profunda confiança".

Mariana Furtado
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Apesar das recentes fricções políticas entre Washington e Berlim, a Alemanha está a integrar um alto oficial norte-americano no núcleo das suas estruturas de comando militar. A partir de outubro, um coronel dos Estados Unidos assumirá o cargo de vice-chefe da Divisão de Operações do Exército Alemão — um posto vital onde se planeiam missões e se preparam decisões táticas, segundo avançou o Politico.

Embora o intercâmbio de oficiais seja uma tradição nas Bundeswehr (forças armadas alemãs), uma integração tão profunda nos centros de comando é considerada invulgar. Definida há alguns anos, a medida ganha relevância especial por ser concomitante com o atual período de tensão pública entre o Presidente Donald Trump e o Chanceler Friedrich Merz.

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O tenente-general Christian Freuding, chefe do exército alemão, descreveu a nomeação como uma expansão da parceria bilateral e uma “expressão de profunda confiança mútua”: “A integração de um oficial americano de alta patente na nossa Divisão de Operações é também uma expressão da nossa profunda confiança mútua”, afirmou ao Politico. Outro porta-voz do exército alemão explicou que o objetivo é “aprofundar ainda mais a cooperação germano-americana e otimizar a capacidade operacional conjunta dentro da NATO”.

Para especialistas como Nico Lange, antigo alto funcionário da Defesa na Alemanha, este movimento é um sinal duplo: por um lado, reafirma os laços históricos entre as forças armadas dos dois países; por outro, indica que os Estados Unidos estão a recalibrar o seu contingente na Europa, garantindo a presença de um oficial superior no terreno para coordenar este processo. “Especialmente nesta fase, um oficial do Estado-Maior americano integrado é de grande valor”, defende Lange.