O IndieLisboa quer surpreender-nos todos os anos, seja com os filmes que escolhe para a competição, os documentários que se podem ver no IndieMusic ou as retrospetivas que parecem sempre oportunas. Este ano há uma dedicada ao mockumentary e destes 20 filmes que escolhemos, há três que fazem parte dessa seleção temática. O festival continua a querer ser abrangente e volta a incluir as sessões na piscina. Contas feitas, o programa é vasto e pode gerar momentos de indecisão. Também por isso, aqui está uma hipótese de roteiro com 18 filmes que merecem uma marcação na agenda.
“The Loneliest Man In Town”, de Rainer Frimmel, Tizza Covi
Cinema São Jorge: 30 de abril, 19h; Cinema Fernando Lopes: 2 de maio, 19h15
https://www.youtube.com/watch?v=XJzYIgdzX4Q&pp=ygUhVGhlIExvbmVsaWVzdCBNYW4gSW4gVG93biB0cmFpbGVy
É o filme de abertura do festival e é a melhor maneira de começar. A dupla Frimmel/Covi apresenta a história de Al Cook, um músico dedicado aos blues que está prestes a ficar sem casa graças às investidas agressivas de uma imobiliária. Descrever Al como “solitário” é pouco, mas é esse o traço onde começa a personalidade deste homem que tem nos discos e nos livros a melhor (única?) companhia. E agora? O que se faz quando nada mais resta? O que se salva? E o que se escolhe?
“Punishment Park”, de Peter Watkins
Cinemateca: 30 de abril, 21h30; 07 de maio, 19h30
https://www.youtube.com/watch?v=7x_sLY1elWE
A secção Isto Não é Um Documentário é dedicada à arte do mockumentary, uma retrospetiva com uma selecção sólida e cheia de clássicos. Escolhemos Peter Watkins porque os seus filmes foram sempre para lá do falso documentário, desde que começou com estas ideias, quando em 1966 filmou The War Game para a BBC, um filme sobre a ameaça de uma guerra nuclear que, de tão perturbador, não passou na televisão na altura. Punishment Park, de 1971, imagina um campo de concentração com hippies, num deserto dos Estados Unidos, durante os anos de Nixon. Não envelheceu mal, apenas se tornou mais relevante.
“Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha”, de Janaína Marques
Culturgest: 1 de maio, 18h30; Cinema Ideal: 5 de maio, 19h30
https://www.youtube.com/watch?v=87f-xAoKEFY
Estreia de Janaína Marques na longa-metragem, numa história sobre uma mulher que, durante uma ressonância magnética, viaja até ao passado em busca de momentos marcantes da vida, enquanto se apercebe das feridas que continuam muito presentes.
“Universo Circular — Jocy de Oliveira”, de Dácio Pinheiro
Culturgest: 1 de maio, 21h30; Cinema Fernando Lopes: 3 de maio, 19h15
https://www.youtube.com/watch?v=wpJ6gGE_wZE
Estreia mundial deste documentário de Dácio Pinheiro, sobre a compositora brasileira – pouco conhecida – que foi uma pioneira da música electrónica no Brasil. Atualmente com 90 anos, Jocy foi contemporânea e conviveu com John Cage, Karlheinz Stockhausen, Luciano Berio e Igor Stravinsky. Deixou uma marca significativa, mas nem por isso apreciada, na música contemporânea. Que este documentário sirva para descobrir a sua maravilhosa música.
“Olívia e o Terramoto Invísivel”, de Irene Iborra
Cinema São Jorge: 1 de maio, 16h; 10 de maio, 16h
https://www.youtube.com/watch?v=QC5NX35v1lc
Um filme com muitas camadas, apontado aos mais novos e aos adultos que os acompanham. Era uma vez uma família despejada da casa onde vive. Ocupam então um apartamento vazio e, entre o drama da habitação e a escuridão da saúde mental em degradação, é a filha mais velha — Olívia — que procura equilibrar a situação, entre a mãe e o irmão, mais novo, e um grupo de amigos que se revela como salvação. É uma longa-metragem inserida no programa do IndieJúnior.
“Balearic”, de Ion de Sosa
Cinema Fernando Lopes: 2 de maio, 21h30; 4 de maio, 21h30
https://www.youtube.com/watch?v=oyQGOEi9MAM
O baleárico é um género musical que nos faz pensar em sol, música lenta e frescos e bons cocktails. O filme de Ion de Sosa conta uma história de verão, mas bem diferente do habitual: os protagonistas compõem um grupo de adolescentes que costuma invadir casas na época alta para usar as piscinas e que fica encurralado numa delas. Tudo OK (ou mais ou menos) até aqui, porque pouco depois ficamos a saber que a companhia são três cães ferozes. Parece uma investida canina no imaginário de Brincadeiras Perigosas.
“Barbarella”, de Roger Vadim
Piscina da Penha de França: 2 de maio, 21h00
https://www.youtube.com/watch?v=ohnblmkufJA
Nos últimos anos, o IndieLisboa tem feito sessões de cinema na Piscina da Penha da França. Há sessões também para famílias, onde se incluem os mais novos. A recomendação de Barbarella vai para lá do próprio filme, tem a ver sobretudo com o contexto. Se nunca viu o clássico de culto de Roger Vadim, onde Jane Fonda é uma heroína do futuro, com poucos trajes, que luta contra um cientista que quer destruir a galáxia, prepare-se para um belo mimo. Se já viu, a ideia de o ver em insufláveis na piscina não é fabulosa?
“Ghost In The Machine”, de Valerie Veatch
Culturgest: 2 de maio, 15h00; 5 de maio, 14h30
https://www.youtube.com/watch?v=i9DAv0D7tnY
Um filme sobre a inteligência artificial que vai aos primórdios da humanidade para tentar perceber como chegámos aqui — com uma boa dose de provocação. A sessão de dia 2 de maio é seguida de um debate em volta do tema “Os Desafios da Inteligência Artificial no Cinema”.
“Sun Ra: Do The Impossible”, de Christine Turner
Cinema São Jorge: 2 de maio, 21h30; 5 de maio, 21h45
https://www.youtube.com/watch?v=RpZOcDPjV20
Se há um filme de Sun Ra num festival, é sempre de recomendar. Christine Turner falou com os poucos membros vivos da Arkestra de Sun Ra e resgatou algumas imagens de arquivo para trazer o cosmos, segundo Sun Ra, ao cinema.
“Blue Heron”, de Sophy Romvari
Culturgest: 2 de maio, 21h30; Cinema São Jorge: 8 de maio, 19h00
https://www.youtube.com/watch?v=JeWg8wUlQVo
A secção Competição Internacional do IndieLisboa é um bom lugar para ver longas-metragens de estreia e alguns dos nomes que aqui descobrimos têm vindo a ganhar espaço. Este filme da húngara Sophy Romvari, sobre uma mudança de casa de uma família de seis, contada através do olhar de um dos filhos, parece ser um belíssimo olhar sobre como as coisas mudam e se desfazem para lá da perspetiva menos inocente dos adultos.
“Newport And The Great Folk Dream”, de Robert Gordon
Culturgest: 2 de maio, 18h00; Cinema São Jorge: 4 de maio, 19h15
https://www.youtube.com/watch?v=SlUnHdKoXXo
Entre 1963 e 1966 o Festival de Newport, em Rhode Island, teve um papel determinante para entendermos a folk norte-americana como hoje a conhecemos. Este filme é uma prova de que as coisas estavam a mudar.
“Rose Of Nevada”, de Mark Jenkin
Cinema Ideal: 4 de maio, 21h30; Culturgest: 9 de maio, 21h45
https://www.youtube.com/watch?v=bw371ui9cTk
Depois de Bait e Enys Men, Mark Jenkin prova em Rose Of Nevada que é um dos realizadores britânicos mais importantes da nova geração. O filme estreia no IndieLisboa numa altura em que a crítica britânica faz vénias a Jenkin e ao seu mais recente filme. A não perder.
“The Red Spectacles”, de Mamoru Oshii
Cinemateca: 4 de maio, 19h00; 6 de maio, 19h30
https://www.youtube.com/watch?v=p6yOpUY0Bio
Filme de 1987 que passa pela primeira vez em Portugal no cinema, ainda por cima em versão restaurada, 4K. Mamoru Oshiin tornou-se popular no ocidente graças à anime, Ghost In The Shell e Patlabor, mas antes dos 1990s, deu início a uma trilogia com este filme de 1987, partindo do pressuposto que a Alemanha tinha vencido a Segunda Guerra Mundial e que Tóquio era dominada pelos nazis. Uma clássico de ficção científica noir pouco conhecido, mas que vale a pena espreitar.
“Fordlândia Panacea”,de Susana de Sousa Dias
Culturgest: 4 de maio, 21h45; Cinema São Jorge: 6 de maio, 16h45
https://www.youtube.com/watch?v=ySRNacVcgKw
O inconfundível estilo de Susana de Sousa Dias procura agora um filme na cidade que Henry Ford construiu na floresta amazónica. Muitas vezes descrita como uma utopia, ou uma cidade fantasma, a realizadora pretende mostrar que é muito mais do que isso.
“A Providência e a Guitarra”, de João Nicolau
Culturgest, 5 de maio, 21h30
https://www.youtube.com/watch?v=ubbyLfcV5GQ
O novo filme de João Nicolau estreia-se no IndieLisboa, onde passado e presente se misturam e a realidade como a conhecemos para estar em risco, numa história que mistura artistas ambulantes, estudantes de Cambridge e casais à beira de um ataque de nervos.
“Phantoms Of July”, de Julian Radlmaier
Cinema Fernando Lopes: 5 de maio, 21h30; Culturgest: 8 de maio, 21h45
https://www.youtube.com/watch?v=wxseweV8vSs
Há uma geração que está habituada a conhecer a precariedade, de uma forma ou de outra. Este filme é uma reflexão sobre isso, partindo do ponto de vista de emprega de mesa alemã e uma YouTuber iraniana.
“18 Buracos Para o Paraíso”, de João Nuno Pinto
Culturgest, 6 de maio, 21h45
https://www.youtube.com/watch?v=iv7KhmNvuNo
O título sugere golfe e é o golfe o ponto de partida para um problema que tem sido notícia em Portugal: a seca e como o fenómeno parece não atingir da mesma forma tudo e todos. Acresce que é o novo filme de João Nuno Pinto (Mosquito, Causa Própria), por isso estamos muito curiosos.
“Las Hurdes”, de Luis Buñuel
Cinemateca: 7 de maio, 21h30
https://www.youtube.com/watch?v=LbtALS9zffM
Um lugar imaginado, entre Salamanca e Portugal é o cenário para este falso documentário de Luis Buñuel, o seu terceiro filme, que é também um belíssimo registo antropológico. Foi rodado poucos anos antes da Guerra Civil Espanhola. O seu visionamento no cinema recomenda-se.
“This Is Spinal Tap”, de Rob Reiner
Cinemateca: 9 de maio, 21:30
https://www.youtube.com/watch?v=237Wt9WdvUE
Ainda na secção Isto Não é Um Documentário, o clássico dos clássicos, o hilariante filme de Rob Reiner sobre uma banda britânica de heavy metal em digressão pelos Estados Unidos. Não só tem muita piada, como This Is Spinal Tap é um filme que definiu o género, uma espécie de padrão para o que se fez depois, tanto no cinema como na televisão.
“The History Of Concrete”, de John Wilson
Culturgest: 10 de maio, 21h30
https://www.youtube.com/watch?v=wweVPsoeOHM
Parece sempre injusto recomendar sessões de encerramento de festivais, até porque nem todas as pessoas conseguem ir. Mas é um pouco inevitável mencionar que o filme de John Wilson, o John Wilson de How To With John Wilson, uma das melhores séries desta década, vai estrear-se no IndieLisboa e encerra o festival. E, sim, é um filme sobre o betão.