Tamir Pardo, antigo diretor da Mossad, classificou a violência israelita contra palestinianos como uma “ameaça existencial” ao Estado de Israel, que pode desencadear uma guerra civil. As declarações foram feitas numa entrevista ao Channel 13, enquanto caminhava com a televisão israelita por vilas palestinianas atacadas nos últimos meses na Cisjordânia.
“A minha mãe é uma sobrevivente do Holocausto e o que eu vi lembra-me os episódios que aconteceram contra os judeus no último século. O que vi hoje fez-me sentir vergonha de ser judeu”.
O Times of Israel destaca que na Cisjordânia há ataques de colonos israelitas contra palestinianos quase todos os dias. No entanto, esses confrontos aumentaram desde que começou a guerra com o Irão, a 28 de fevereiro. A organização de diretos humanos Yesh Din registou 378 incidentes de violência contra palestinianos e as suas propriedades na Cisjordânia.
Desde o início da guerra, oito palestinianos foram baleados e mortos e 200 ficaram feridos, refere a mesma organização citada pelo Times of Israel.
Para Pardo, diretor da agência de serviços secretos israelita entre 2011 e 2016, a Cisjordânia pode ser palco de um novo ataque semelhante ao de 7 de outubro de 2023 (a invasão do Hamas que resultou em mais de mil mortos e 251 reféns israelitas).
“Para minha tristeza, o que estamos a ver hoje [na Cisjordânia] é o próximo 7 de outubro. Será num formato diferente, muito mais doloroso, porque a região é bem mais complicada. O Estado optou por semear as sementes para o próximo 7 de outubro.
O antigo diretor da Mossad acredita que as forças de segurança estão a par deste risco, mas “escolhem ignorá-lo”. “O que vi hoje é a ameaça existencial ao Estado de Israel”. “Se quisermos, podemos corrigir isto, mas o preço a pagar será muito elevado. Pode levar todo o país para uma situação” como a vivida no Líbano, com o conflito com o Hezbollah.
Pardo referiu ainda que uma tentativa de reprimir a violência dos colonos pode correr mal, provocando uma guerra civil, porque há muitos extremistas com ligações ao poder.
Em resposta à reportagem emitida pelo Channel 13, a polícia garantiu que desenvolve a sua atividade na Cisjordânia “de acordo com as responsabilidades definidas”. Desde janeiro, referiu fonte policial citada pelo Times of Israel, já foram detidos 48 colonos suspeitos de violência nestes ataques.
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